Maria Soares Barbosa de Oliveira

COM 59 ANOS E UMA FÉ INABALÁVEL, MARIA VENCEU O CÂNCER DE MAMA.

Detentora de uma paz imensurável que irradia quem está próximo, os olhos claros pacíficos e a nítida calma de Maria não transparecem sua extrema força e garra. Aos 59 anos, no ano de 2003, ela notou um caroço debaixo do braço direito que veio a abalar as estruturas de sua vida. A baixa estatura abriga uma fé incalculável, responsável também pela vasta esperança na cura. Maria acredita que Deus preparou-a todos os dias antes do diagnóstico, que demorou a vir: três médicos insistiam que o caroço não representava nenhum perigo, e removê-lo era apenas uma ação estética. Mas o grande coração de uma mãe e avó dedicada não enganava: ela sentia constantemente que algo estava errado. Insistindo em seu instinto, Maria buscou a opinião de outros profissionais, até receber a confirmação de seus medos: Maria estava com câncer de mama. Os mistérios começaram com a localização da célula cancerígena, que encontrava-se debaixo do braço, e não no seio.

Dizem que nós não sabemos o tamanho de nossas forças até que seja necessário recorrer a elas. A quimioterapia começou, e o tratamento abrangeu três órgãos suspeitos, descobertos depois de inúmeros exames, como a ressonância magnética: faringe, mama e pulmão. Apesar do desconforto causado pelo tratamento, em nenhum momento Maria pensou que iria morrer, muito pelo contrário: em seu interior crescia uma esperança proveniente de sua fé que jamais permitiu que ela fraquejasse.

Maria sempre foi uma mulher religiosa. Em qualquer adversidade, sempre recorreu a fé e a oração para fortalecê-la. Com a descoberta da doença, não foi diferente: ela agarrou-se a crença de que Deus estava cuidando de tudo. Sua família foi o pilar que sustentou-a; o marido, além de tornar-se um acompanhante fiel nas sessões de quimioterapia, apoiou-a sempre. Para não ter de se locomover todos os dias até Belo Horizonte, Maria e a família abandonaram a casa em que viviam em Ribeirão das Neves e foram morar com a mãe dela na capital mineira. Entre uma frase de conforto e toucas recebidas de presente, a esperança continuava crescendo.

Depois do fim das longas sessões de quimioterapia, onde o único sentimento era de que aquele corpo não era mais dela, Maria recebeu a notícia de que seria necessário a realização de mais 33 sessões de radioterapia. Porém, isso não abalou sua fé, muito pelo contrário: deu-a mais força para acreditar. Incomodada em ter que ficar na casa da mãe, em uma tarde ensolarada e solitária em sua casa, ela ajoelhou-se em frente à uma imagem da santa Nossa Senhora Desatadora dos Nós, pedindo amparo naquela situação tão difícil. Ela se recorda de estar ajoelhada, e após fazer suas orações, sentiu uma mão em seu ombro direito — o mesmo que o caroço encontrava-se. Maria virou-se, na esperança de encontrar a filha, mas ninguém estava lá.

Em nenhum momento Maria questionou suas crenças, nem porque estava passando por aquilo. Pensar na morte não era algo rotineiro; ela permaneceu esperançosa até o fim. Antes da consulta que marcaria o início das sessões de radioterapia, uma surpresa: os exames apontavam que ela estava curada, e o novo tratamento não seria necessário. Tamanha foi sua fé, que a tranquilidade de Maria a fizeram sentir apenas um grande alívio e uma gratidão por todos que a acompanharam até ali. Parece até que ela sempre soube que lutaria bravamente e venceria. E venceu.

Hoje, 14 anos depois, com 73 anos e um sorriso cativante, Maria apoia o marido Geraldo, que descobriu recentemente um câncer. Para ela, é pior ainda vivenciar a dor e o desconforto de alguém que se ama do que estar, de fato, doente. Mas a fé e a esperança de uma mulher que foi curada não a deixam desanimar.

Cada um de nós enfrentamos batalhas diárias todos os dias. A maneira como enfrentamos nossas batalhas diz muito sobre nós. Maria nunca questionou sua fé e enfrentou bravamente uma doença com baixas taxas de cura, alega não ter sentido dores intensas e, 14 anos depois, demonstra a mesma força para ajudar o marido. Maria nos faz questionar a maneira como lidamos com nossos problemas. Maria é um exemplo de superação.

Texto por Nathália Guimarães (https://medium.com/@nathguimaraes)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.