Ficção

Não, não, claro que é ficção. Não posso escrever a verdade. Seria o eclipse total do sol, o dia todo escuro sob o peso do fardo da insolúvel questão entre nós. Ferver a água para o chá, dissipar a nuvem negra que anda chovendo sobre mim enquanto caminho, corro, espero. Não, não posso beber a vodca esquecida atrás dos livros, pois com ela, sairiam de mim as loucas palavras escondidas com esmero sob as costelas, debaixo da pele rabiscada e ferida. Me dispersar da verdade obtusa e tomar coca cola no bar da esquina entre os bêbados e putas enquanto o sol derrete o horizonte sem esperança, a vida que passe. Não, não, claro que não é a verdade, esta jaz incapaz por entre canteiros de lírios e crisântemos tristes. Entre nós a ponte do Brooklyn e um monte de razões sinceras para nunca mais.