Tarde demais
Escreveu no muro com todas as letras o nome proibido, achava que aquele tipo de amor valia o vandalismo e a corrida em disparada pelas ruas escuras, estranhas, caladas. Tão ridícula que doía nela mesma, exausta, sentada então na beira de uma sarjeta sob a luz medíocre do poste, a garrafinha de cerveja ilustrando a vontade tão frustrada. Perdeu uma sandália num vacilo, numa escorregada, olhava o pé nu pisando o asfalto, consternada: tudo estava perdido, não havia mais nada. Sua última dança, uma cilada sob o céu sem lua e o olhar incrédulo do universo assustador. Tarde demais, esqueceu de acrescentar, usando a tinta preta no muro branco bem no meio do percurso perfeito, pra sempre tarde demais.