
Do amor se fez o nada
Pensava já ter acabado aquela paixão. Havia dado fim a horas e horas de imaginação sobre como seria a vida com ele. Julgava que o passado agora era dono do sentimento que quase a fez se jogar em uma nova aventura. Paixão morrida, sem força pra qualquer inspiração.
Mas estava enganada. Bastou um encontro na rua, espontâneo, pra tudo aflorar de novo como se nunca tivesse saído dali. Via outra vez a paixão no peito, a sensação gostosa que a visão do outro lhe trazia. Era ao mesmo tempo estimulante e perigoso. Muito bom, muito bom, mas era um risco pra ter a vida controlada, seguida de perto pela mente ciumenta num rosto que passava ternura, amor, e todos aqueles sentimentos que tanto prezava.
Ficou parada um bom tempo. Sonhando o sonho da paixão cor-de-rosa, do amor de cinema, da vida perfeita até o fim. Sabia que isso não aconteceria. Cinema é cinema e vida real é um roteiro secreto, que se revela dia após dia, imprevisto até para o mais completo previdente. Não ia sucumbir a isso! Paixão, pra longe se vá! Decidiu seguir adiante, deixar o tempo cuidar de fazer daquele desejo de apego uma nuvem de pó, do nada, de manchas cinzentas do passado. Só lembrança do que não foi. E nada mais.