Rafael Sobis, Ramon Ábila… Afinal, quem seria o centroavante ideal?

Mano Menezes prefere o brasileiro pela mobilidade, atacante argentino tem faro de gol, mas peca pela deficiência de construção.

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Qual dos dois realmente deve ser o centroavante? Deveria o Cruzeiro buscar outro nome? (Foto: Pedro Vilela/Lightpress/Cruzeiro)

O Cruzeiro em 2017 é um time que vive um paradoxo. Possui jogadores técnicos, que sabem construir e que podem tornar o time mais propositivo. Por outro lado, possui um técnico conhecido por sua montagem de equipes reativas, onde defender vem antes de construir. Mano Menezes quer quebrar esse rótulo e até conseguiu fazer sua equipe mostrar bom futebol no início do ano, com tempo para treinar. Com a sequência pesada de jogos, falta de tempo e desgaste, vimos um Cruzeiro longe dessa ideia inicial e mais próximo daquilo que o Mano sempre entregou em seus trabalhos: reação.

O grande problema do Cruzeiro vem sendo o preciosismo na hora de marcar gol. Seja por um toque a mais, um chute displicente ou tentativa individual, a bola custa a entrar. De 24 jogos, em apenas 8 deles o Cruzeiro venceu seu adversário por uma diferença de saldo de dois gols ou mais, representando 33,3%. Foram 17 vitórias, 6 empates e 1 derrota. 44 gols marcados e 14 sofridos.

Últimos jogos demonstram como Rafael Sobis vem finalizando cada vez menos ou errado. Nesse período, apenas 1 gol marcado, de pênalti.

Como aconteceu no clássico e em outros jogos, fica evidente a falta de um jogador que ofereça profundidade e infiltração. Como bem analisado pelo Data ESPN, Rafael Sobis não atua mais como falso 9. Hoje, ele é cada vez mais um meia que joga aberto, saindo da área e dando opção de passe no meio campo. Temos que entender que Sobis não é o mesmo jogador que atuou no Tigres. Uma série de fatores pode ter contribuído para isso, e o próprio atleta demonstra cada vez menos uma veia artilheira. Vejamos abaixo como ele vem atuando.

Sobis deixando a referência e ajudando a construção no meio campo do Cruzeiro. Fonte da imagem: DataESPN

Com essa formatação, Rafinha vêm atuando pela esquerda, Sobis na direita e quem fica encarregado de fazer a função de “falso 9” é Arrascaeta ou Thiago Neves. São os jogadores que podem desequilibrar e infiltrar na área para fazer os gols que o Cruzeiro precisa. Como podemos ver abaixo, Thiago participa da construção ofensiva e Arrascaeta entra na área como definidor.

Na esquerda, vemos Thiago Neves trabalhando por dentro, enquanto na direita Arrascaeta aparece dentro da área, atuando como referência. Fonte da imagem: DataESPN

Ao longo da carreira, Thiago Neves mostrou muita facilidade para entrar na área e marcar gols. Com Mano Menezes, Arrascaeta vem se tornando um atacante. Possui liberdade para flutuar e vem pisando cada vez mais dentro da área. Atualmente, vejo que a melhor formação para o Cruzeiro é um time com duas linhas de 4 e esses dois a frente, revezando entre um 4–4–1–1 e 4–4–2, como definidores.

Atualmente, o esquema ideal do Cruzeiro com as opções disponíveis no plantel. Cabral e Robinho, naturalmente, entram nos lugares de Rafinha e Henrique quando estiverem com condições.

Mano Menezes, após o clássico, disse na coletiva o principal problema do Cruzeiro para não conseguir infiltrar na área do Atlético e marcar gols.

Foto: Coletiva pós jogo. TV Cruzeiro.

“Um pouquinho mais de calma, de tranquilidade, não querer participar toda hora da construção da jogada pois temos um time de movimentação. Quando você tem um time de movimentação você tem que segurar um pouquinho essa ansiedade. Como todos tem qualidade técnica para construir a jogada, as vezes muitos vão para construção. E alguém esquece um pouquinho de ficar lá para segurar o pé e colocar a bola pra dentro, ou para posicionar melhor na inversão da jogada parar criar uma jogada mais clara de gol, isso nos faltou.”

Thiago Neves e Arrascaeta são os caras que precisam aparecer dentro da área, como mostrado no esquema tático acima e como é possível observar nesse compacto de gols que ambos marcaram, sempre bem posicionados, como “nove” de ofício.

Arrascaeta e Thiago Neves mostram capacidade para atuar próximos ao gol, infiltrando e agredindo mais a área adversária.

É claro que isso não impede que outros jogadores cheguem para marcar. Mas como estamos falando de referência, o foco maior do texto é em dois jogadores que vejo adaptabilidade para a função que outrora foi exercida por Rafael Sobis.

E Ramon “Wanchope” Ábila?

Ábila é um goleador nato. Sua característica, ao meu ver, não combina com o estilo técnico, de toque e construção que os jogadores do Cruzeiro apresentam. É um jogador para entrar em situações muito específicas do jogo, como em uma partida truncada, que exija um atleta mais físico, por exemplo.

É possível que ele seja titular? Em 2016 o time conseguiu bons resultados e gols com Ábila em campo. Precisa que o jogo seja direcionado para sua referência na área, o que não é algo impossível. Porém, depende das convicções do treinador.

Ele precisa ser alimentado constantemente e em condições que não precise dar mais do que dois toques na bola. Além disso, necessita aprimorar a parte técnica. Está mostrando grande dificuldade para dominar a bola, realizar o passe, fazer o pivô e ganha poucas jogadas pelo alto.

Para o jogo do Cruzeiro, o ideal seria um centroavante que saiba jogar saindo da área para receber passes e que esteja lá dando profundidade quando o time precisar. Mas isso é tópico para outro texto.

Saudações celestes.

@Iron_fall