Sobre a gestação, tempo ocioso e o giro das estações

Tempo me dizendo para parar, a mais sábia das decisões

Descobri que estava grávida no dia do aniversário do meu marido, um mês exato depois de estarmos casados. Claro que tinha gente que apostou que eu casei grávida mas, aos 39 anos de idade, a gente já aprendeu que essas coisas não fazem a menor diferença. E não, não casei grávida, apesar de fazer parte dos planos.

Eu jurei que ia trabalhar até o último dia da gravidez e não sabia que tinha um negócio aqui que se chama CSST, algo como aposentadoria de prevenção de riscos no trabalho. Em plena forma, primeiro de janeiro e uma surpresa: volto ao trabalho só em 2017. Eu não tinha me preparado psicologicamente para tanto tempo sem trabalhar, então retomei a dar aulas de Inglês, entrei no yoga, estou num curso de Espanhol e faço parte do Clube de tricot. Fora que retomei as atividades na cozinha, a casa para arrumar, as costuras que eu faço para o bebê. Fora que eu decidi aprender ukelele, toco vez que outra omnichord, leio, vou para a internet, vejo filme. Fora que…

Dia desses, parei no hospital. E me dei conta da exaustão que eu carrego. Me dei conta do meu pânico do ócio. Do medo de parar. De ser inútil e como eu me sentia culpada em aproveitar uma coisa só por medo de aproveitar. Como a minha cabeça estava cheia de situações inventadas, como se o fato de eu estar feliz fosse prejudicial para o bebê porque afinal, se uma coisa boa acontece, outra ruim vem para compensar.

Minha gestação está me provando que eu preciso parar, assim como eu já tinha aprendido que a vida aqui é controlada pelas estações do ano. Inverno é tempo de diminuir as forças e se preparar para o verão. Bem quando o bebê vai nascer. Bem quando a gente vai aproveitar a colheita dos legumes do jardim. Talvez até lá eu já tenha aprendido a parar sem culpa. O ócio é necessário.