Sobre como eu comecei a cuidar do meu dinheiro como uma adulta (ou: quebre hoje o tabu de falar sobre finanças)

Não adianta negar: todos estamos preocupados com dinheiro. Passei muito tempo pensando que eu não era capacitada suficiente para tomar conta da minha própria conta bancária e vivia me metendo em enrascadas financeiras difíceis de sair como, por exemplo:

  • pegar empréstimo para me ver livre de uma conta
  • pegar empréstimo para coisas desnecessárias
  • usar meu cartão de crédito para fazer giro
  • pensar que eu não preciso de um budget mensal (mencionar a palavra budget era suficiente para me dar um nó na cabeça)

entre outras bobagens que eu passei minha vida repetindo sem parar. De tudo isto, eu tinha razão em uma coisa: eu não possuía conhecimento suficiente para tomar decisões financeiras. Nenhuma delas.

A verdade é que a dor ensina a gemer e, quando eu me separei do meu primeiro marido (que sempre foi uma pessoa econômica mas, raramente conversávamos sobre dinheiro em casa), eu me vi numa situação em que, ou eu aprendia na marra a cuidar da minha grana, ou eu me lascava para todo o sempre. Eu precisava da tal Educação Financeira que eu tinha evitado toda a minha vida, ou por machismo da minha parte (ou: um pensamento "mais tradicional" como delicadamente colocou um amigo meu) ou porque Educação Financeira é algo que nunca, nunca, nunca foi falado na minha família. Hoje, eu consigo fazer uma análise mais profunda: não se falava sobre grana porque meus pais também não sabiam como lidar com dinheiro, então fica complicado falar sobre algo com seus filhos que você mesmo não consegue entender.

Eu comecei simples, com um excel para controle de gastos (aqui tem alguns exemplos para baixar gratuitamente em Português e em Inglês) que a minha psicóloga me passou. Ali eu vi, pela primeira vez, como anotar tudo o que a gente gasta ajuda a dar um choque de realidade.

Aos poucos, adotei um estilo de vida mais frugal. Não ganhava muito mas, me virava bem com o que eu ganhava. Eu coloquei um objetivo de economizar 30% do que eu ganhava e era 30% que eu guardava. Saber do que você precisa de verdade é o primeiro passo para um orçamento tranquilo. Com dinheirinho guardado e sem saber direito o que fazer, entrei em um curso de Finanças Pessoais da Michigan University, pelo Coursera e uma extensão em Contabilidade aqui no Québec. Antes de casar, eu e meu marido juntamos as escovas de dentes e as finanças. É muito importante conversar constantemente sobre dinheiro e objetivos financeiros com o seu par, mesmo durante o namoro. Vejo que muito dos meus problemas nas outras relações vinham disto e, infelizmente, aprendi tarde demais a lição.

Eu vejo que muitos dos meus erros poderiam ser evitados se eu tivesse quebrado o tabu de falar sobre dinheiro antes. Hoje, eu sou a amiga aquela que planeja uma viagem e organiza os gastos da galera. Eu sou aquela que cuida das finanças do filho que nem nasceu ainda, a esposa que pesquisa muito antes de comprar, a que ajuda a mãe a fazer a planificação financeira. Fazer budgets é uma atividade necessária, talvez uma das mais importantes da nossa vida. Não se deve desistir simplesmente porque os primeiros passos são muito difíceis. Educação Financeira não é a coisa mais simples do mundo, requer paciência, auto-conhecimento e planejamento constante mas, uma vez que você começa a dominar o assunto, é muito legal ver seu dinheirinho crescer.

Próximo post: Sobre a importância de fazer um plano financeiro (ou: Para onde vai meu barquinho?)