Rogério Vilela fala sobre sua peça “Despedida de Solteiro”.

Despedida de Solteiro

O casamento de Rogério Vilela com a internet é o mais duradouro que ele já teve. Foi um dos criadores do canal “Mundo Canibal”, e hoje é um fenômeno com mais de 350 milhões de visualizações no YouTube. Rogério também é um ilustrador premiado, tendo tiras publicadas por grandes jornais, como Folha de S.Paulo. Teve um quadro de humor na 89 FM. Na TV, foi repórter do Brothers, participou de programas na MTV, Comedy Central e Record. Dirigiu, escreveu e apresentou o programa Mundo Canibal TV, no Multishow e é um dos integrantes do Fritada. Com tantos talentos, o relacionamento com o público fica cada vez mais sério, mas sem deixar de ser divertido. Pra renovar os votos com o humor, seu espetáculo, “Despedida de Solteiro” tem a plateia como “noiva”, por assim dizer. No bate-papo com o Itaucard, Rogério contou o segredo de uma relação tão boa: rir.

Itaucard: Você está muito inserido no mundo da internet, foi um dos primeiros a ocupar esse território. Não tem como falar do seu espetáculo novo de stand-up “Despedida de solteiro” sem fazer uma breve retrospectiva desses anos de internet e TV.

Rogério Vilela: A gente começou na internet discada, em que carregar vídeo era muito pesado e a gente começou a fazer animações. Começamos a fazer sucesso por causa disso, porque era mais leve pra mandar por e-mail. Nessa época, o “Mundo Canibal” explodiu bastante, montei uma produtora e comecei a fazer desenho animado e vídeos para publicidade, para internet. Foi meio natural ir a palco. Minha formação é de desenhista, quadrinista e dublador. E acabei levando o que eu aprendi de humor para o palco. Como começou esse movimento de stand-up no Brasil, de ir ao palco de cara limpa, falar o que você pensa, trocar ideias no palco, achei que era a forma mais perfeita de estar sempre escrevendo piadas sobre os fatos e sobre a vida. E foi isso que aconteceu, em 2009 comecei no stand-up e não parei mais, de todas as coisas que faço hoje em dia é o que me dá mais prazer. Esse contato com o público; você escreve, à noite testa e já vê se a piada funcionou ou não. Muito legal.

Itaucard: Você tem bastante essa coisa de falar de relacionamento, qual o laboratório, seus amigos ou você?

Rogério Vilela: Todo mundo tem uma vida que é engraçada, a diferença é que as pessoas não olham para a própria vida com a diferença de humor. Tem tanta coisa que acontece na sua vida que você pensa que é pegadinha, parece que tem uma câmera escondida. Ou então uma cena que poderia ser engraçada e não foi, você pensa, imagina se ele ou ela tivesse falado isso ou aquilo. A vida da gente já o material grande, a vida dos nossos amigos, as histórias que eles contam e as coisas que poderiam ter acontecido com você e não aconteceram. Você viaja e todas as coisas que deram errado acabam virando piada. Todas as pessoas que você encontra na rua que são engraçadas ou te atrapalham, acabam virando piada. Mesmo quando dá errado na sua vida, ela dá certo.
Já me perguntaram isso, sobre no ano passado estar com um show e este ser outro, como conseguia escrever tão rápido. Minha vida muda muito, eu casei, tô querendo ter filho. Ano que vem provavelmente vou ter filho, já vai ter muita piada nova sobre como é ter filho, o que é ter um filho, como é trocar fralda, os assuntos nunca morrem. Eu costumo dizer que é só ter um olhar de estrangeiro. Sabe quando você chega a um país estranho e você começa achar engraçado tudo, olha a comida que os caras comem, olha como eles falam, olha a roupa deles. Você começa a fazer isso no seu dia a dia, você tenta esquecer que você está inserido nesse mundo e olha com o olhar de estrangeiro. 
Tenho uma cachorra, por que ela faz xixi na casa inteira? Coloco paninho, ela sabe que tem um paninho, ela faz do lado para me mostrar que poderia ter feito lá, mas não fez. O pessoal fala que tá marcando território, mas poxa, ela marcou a casa inteira como território dela. Então paga IPTU pelo menos. Em vez de ficar bravo com a sua cachorra, faça piada com ela.

Rogério Vilela, fundador do site Mundo Canibal e fenômeno do Youtube.

Itaucard: Primeira vez que você casou?

Rogério Vilela: Não, é a segunda, não aprendi né? Mas da primeira vez eu fiquei 8 meses só. Agora já estou casado faz 7 meses, quando passar 8 meses vai tocar a musiquinha “é tetraaa, é tetraaa”. Mas dessa vez, a gente já mora junto faz três anos, tanto que minha cama não é mais minha.

Itaucard: Dá para perceber que seus shows são muito interativos, você fala com a plateia, é bem próximo. O que você já captou do outro lado?

Rogério Vilela: Gosto muito de falar com a plateia. As pessoas se sentem participantes porque dizem “ah isso aconteceu comigo também”. As pessoas me trazem piadas. 
No show, eu pergunto quanto tempo as pessoas estão juntas; elas falam, e vou montando piada na hora e vou vendo se tem alguma história engraçada, onde se conheceram. Hoje em dia as pessoas se conhecem pelo Tinder.

Itaucard: Você fala muito sobre redes sociais, né?

Rogério Vilela: A minha geração não tinha rede social, a gente demorava para conhecer as pessoas. Eu conhecia as pessoas do meu bairro, da minha escola (…) Você com essa questão de estar nas redes sociais o que diz para a galera que assiste ao stand-up no computador, é diferente ir ao teatro.
Tem muita gente que é a primeira vez que vai ao teatro, dependendo de onde eu faço, no interior, por exemplo, 70% ou 80% das pessoas nunca foram ao teatro e vão pela primeira vez para ver stand-up. Porque stand-up é uma coisa muito inclusiva, você não precisa ir com uma roupa bacana, não precisa ter assistido a outros para entender, a pessoa não se sente enganada, uma peça você pode não gostar, mas no stand-up é muita piada por minuto, é impossível você não rir. Já fiz peça, mas tem outro envolvimento, o público tem que entender a história, os personagens. Uma porta de entrada para o teatro tradicional é o stand-up. As pessoas assistem a meus vídeos e, quando vão ao teatro, elas repetem as piadas quando eu faço. Parece música, o pessoal cantando refrão é muito engraçado. Às vezes, até atrapalha porque a pessoa fala o bordão igualzinho.

Itaucard: O que já aconteceu de engraçado que tenha marcado suas apresentações?

Rogério Vilela: No começo da carreira, já fiz show para cinco pessoas, todo mundo bêbado, em bar. Já fiz em shopping, criança passa na frente, sobe no palco. Já passei muita roubada em evento, maiores roubadas, as pessoas ficam no evento o dia inteiro, chega à noite, elas querem comer, conversar, e você faz na hora do jantar. Depois, você aprende a sair dessas roubadas.

O ator e comediante Rogério Vilela.

Itaucard: Recado para o pessoal que já é seu fã, o que muda no vídeo e no teatro

Rogério Vilela: No vídeo, você não sabe qual piada funcionou porque você não tem a interação em tempo real da galera, eu uso os vídeos para testar piadas e depois levo ao palco para ver o que funciona.
O espetáculo é legal porque ele é um resumo do meu vídeo. Tudo que eu acho que funciona eu coloco no show. Quem assiste ao meu vídeo tá sempre vendo uma ideia que ainda não tá pronta, eu recebo as críticas e os comentários, daí levo ao palco e trabalho, depois de meses as piadas tão prontas. É legal ver o frescor das coisas na internet, eu tenho vários programas diferentes nos meus canais “Manual de Introdução à Introdução”, tem o “Plantão do Vilela”, vou estrear programa de viagens com minha mulher “Dois pelo Mundo”, tem o “Horroroscopo”, sempre tem material estreando.

Itaucard: De onde sai tanta energia para produzir tanto?

Rogério Vilela: Eu achei que, quanto mais ficasse velho, menos ia trabalhar, mas, quanto mais você faz coisa sua, mais você trabalha. Eu tenho a obrigação de fazer dois vídeos por semana, faço roteiro, gravo, faço tudo, menos edição agora. Estou escrevendo um livro, faço uma história em quadrinho, tenho uma esposa nova tenho que dar assistência, sobra-me pouco tempo. Mas eu trabalho intensamente e pego um mês e viajo e me desligo, nem anoto piada para depois fazer. Filmo a viagem, mas sem preocupação de trabalhar. Durmo pouco, mas o suficiente, meu estúdio está no porão para não ter que pagar pra um estúdio. Tenho viajado muito, piada é piada em qualquer lugar, o que eu faço quando viajo é conversar com as pessoas para fazer piadas regionais, entro no palco falando sobre eles, bairro, praça e gírias, as pessoas se sentem mais próximas.

O stand-up “Despedida de Solteiro” está em cartaz no Teatro APCD, em São Paulo. Cliente Itaucard tem direito a 50% de desconto no ingresso: http://bit.ly/ItaucardDespedidaDeSolteiro
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