E o vencedor é…

A festa mais esperada do cinema é no próximo dia 26 de fevereiro. E se você ainda tem dúvidas sobre quem será o vencedor, nós resenhamos os nove filmes indicados na principal categoria da noite para te ajudar. Olha só!

Itaucard
Itaucard
Feb 23, 2017 · 10 min read

Estrelas além do tempo

Você já deve ter ouvido “aquele filme é feito para o Oscar”. Bom, Estrelas Além do Tempo entra nessa categoria, mas conta uma história baseada em fatos reais de uma maneira cativante o suficiente para ir além desse rótulo. Na década de 1960, três mulheres negras foram responsáveis por uma das operações mais famosas da NASA: o lançamento do astronauta John Glenn, o primeiro americano a orbitar a terra. Só que elas enfrentaram todo tipo de preconceito. Inclusive, há uma cena envolvendo um banheiro que é difícil de ver, tamanha a segregação racial vivida pelo trio. O diretor do filme, Theodore Melfi, carrega no melodrama e guia a trama sem sutileza. Mas o roteiro do filme é bom e dá espaço para que as atrizes brilhem. Taraji P. Henson, de O Curioso Caso de Benjamin Button, destaca-se. Teria sido ótimo vê-la indicada ao Oscar também. Estrelas Além do Tempo é um filme que você sabe onde vai terminar, mas nem imagina quão difícil é o caminho até o destino final. É uma obra relevante, principalmente para a época que a gente está vivendo.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: Pela importância histórica. O filme é um documento real sobre a segregação racial americana, e mostra como três mulheres foram protagonistas de uma verdadeira revolução na NASA.

A Qualquer Custo

Indicado em quatro categorias do Oscar 2017, incluindo a de melhor filme A Qualquer Custo seria facilmente um filme dos irmãos Coen e com Tommy Lee Jones no elenco. Mas o diretor, David Mackenzie, tem estilo próprio. E como tem! A história é a seguinte: dois irmãos querem salvar o rancho da família, e por isso decidem roubar bancos para pagar a dívida. No Texas machucado pela crise norte-americana, o colapso do sistema é uma das camadas do roteiro genial de Taylor Sheridan, roteirista de Sicario. A ambiguidade dos personagens é construída em detalhes e desenvolvida com muito pulso. Já a melancolia e o cinismo da história ganham contornos reais nas ótimas interpretações de Chris Pine e Ben Foster como os irmãos, e Jeff Bridges como um xerife carrancudo. A Qualquer Custo é um filmão, um western moderno e crítico. Não fazem filmes assim todo ano…

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: O filme tem um roteiro impecável, uma direção muito consistente e ótimas atuações, além de retratar os efeitos da crise americana por uma ótica original. Pelo conjunto, é um trabalho sem nenhum defeito.

Manchester à Beira-Mar

Manchester à Beira-Mar é um drama clássico. Lee Chandler (Casey Affleck) perdeu tudo na vida, mas volta para a cidade natal por causa da morte do seu irmão pois agora é o tutor do sobrinho. O retorno à gelada cidade, contudo, traz consigo memórias insuportáveis de uma tragédia familiar. É bom não dizer os motivos desse sofrimento, uma vez que a revelação dele é um fator determinante da narração. O diretor Kenneth Lonergan, que também escreve o roteiro, faz uma direção contida e silenciosa, impedindo que a desgraceira da vida de seu protagonista vire um melodrama fajuto. A ambientação em um lugar frio e inóspito expõe o estado de espírito do protagonista de maneira simbólica, e a interpretação letárgica e milimétrica de Casey Affleck o transforma em uma bomba-relógio. Há uma cena numa delegacia que entala a garganta, tamanho o peso. Lucas Hedges faz um bom trabalho como sobrinho, mas sua indicação ao Oscar foi exagerada, assim como a de Michelle Williams. Helen Mirren, em Decisão de Risco, poderia ocupar a vaga dela sem problemas. Os momentos de humor reforçam o naturalismo das situações, por incrível que pareça. A vida tem momentos ruins, mas no meio de tudo isso, também existem os respiros. Contudo, é preciso dizer que a frieza do filme, com o perdão do trocadilho, pode afastar parte do público. Se você não se engajar no sofrimento de Lee, assisti-lo até o final pode ser uma experiência tortuosa. Mas isso não tira o mérito de Manchester à Beira-Mar ser um filme complexo, um estudo de personagem exigente e tortuoso.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: Porque é um drama sensível, inteligente e maduro.

La La Land

É provável que dez em cada nove pessoas no planeta impliquem com musicais. Mas é difícil continuar assim depois de ver La La Land . O filme sensação do ano já é um clássico. Para “contarolar” o destino da aspirante a atriz Mia e do pianista Sebastian, La La Land começa com uma abertura lindíssima. Daí pra frente, a história não desobedece às características do gênero, mas as torna maiores, mais coloridas, e muito, mas muito mesmo, irresistíveis. Ryan Gosling é especialista em personagens charmosos e mal-humorados. Contudo, é quando ele encontra a doçura de Emma Stone que La La Land fica magnético. Os dois já tinham mostrado uma química ótima em Amor á Toda Prova. Ah, e ainda bem que os dois não são cantores de verdade, porque isso dá uma proximidade imensa com a simplicidade do enredo. O diretor, Damien Chazelle (do espetacular Whiplash), faz um filme moderno e nostálgico ao mesmo tempo, sem desafinar ambas as partes. De Cantando na Chuva à R.E.M., as referências não são um truque, mas estão ali porque a música é o filme, independentemente de as pessoas cantarem em cena ou não. Chazelle tem ouvido bom pra compor elencos e um timbre inigualável para louvar o bom cinema com criatividade e fantasia. Sem contar a coragem pra fazer um final melancolicamente honesto sobre expectativa vs. realidade. É um filme escapista sem deixar de ser dolorosamente real.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: É o filme sensação do ano, está arrebatando plateias por onde passa, tem uma direção muito criativa e homenageia o gênero musical sem perder o frescor de ser original.

Até o Último Homem

Mel Gibson está de volta. E com um filmão! Até o Último Homem conta a história de Desmond Doss (Andrew Garfield), jovem que vai para a guerra, mas se recusa a pegar em um rifle. Ainda assim, ele salvou 75 homens. O caso é real, mas a ótima direção impede que a história seja óbvia. A ideia aqui é outra: em um mundo tão caótico, a fé e o caráter irredutíveis do protagonista são um privilégio, não um pecado. Apesar do filme retratar a vida de um pacifista, ele não tem o objetivo de ser passivo. Mel Gibson tem uma vertente para retratar a violência com uma maneira particular e aqui ele usa esse talento como um mecanismo de redenção, tanto para Doss quanto para os homens que o conhecem. Os trabalhos de montagem e som são dignos da indicação ao Oscar que tiveram, principalmente na primeira cena de guerra. E meus amigos, que cena! É tudo tão visceral que quase dá para sentir o cheiro da pólvora. O roteiro derrapa em umas partes, é mais piegas do que precisava em outras e sem sutileza. Mas é a guerra. Ela não tem nenhuma sutileza mesmo. Naquele ambiente onde o inimigo está por toda parte e os idealismos não fazem sentido diante da necessidade de sobrevivência, ser pacífico é o verdadeiro ato de coragem.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: Extremamente bem dirigido, o filme fala sobre diversos temas importantes: convicção, heroísmo, religião, guerra e violência, sempre com o verniz mortal da direção de Mel Gibson. É um retrato diferente de um verdadeiro “super-herói”.

A Chegada

Em A Chegada, doze naves param em pontos distintos da terra. Instala-se o pânico e um pergunta óbvia: o que eles querem? A linguista Louise Banks (Amy Adams, em uma atuação excelente) é chamada para formular um idioma comum entre humanos e aliens que responda à questão. É possível lembrar de Contatos Imediatos de Terceiro Grau e Contato. Mas nessa Torre de Babel construída pelo diretor Denis Villeneuve, o alfabeto é algo que anda esquecido nesta época onde todo mundo tem tempo para falar e nunca para ouvir. A direção, é preciso destacar, faz um trabalho de tapeceiro ao ligar todos os fios do belo roteiro, que aliás deveria ser o vencedor no Oscar na categoria roteiro adaptado. Melancólico e poético, o filme faz do seu visual impressionante uma gramática para traduzir a fragilidade da comunicação humana. Com certeza, A Chegada é um dos melhores filmes do ano.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: A Chegada é um retrato sensível e humano sobre a linguagem, sobre a forma como nossa comunicação é frágil mas importante. É uma visão interessante a respeito de um tema batido dentro do gênero sci-fi.

Moonlight, Sob a Luz do Luar

Chiron é um garoto que vive no subúrbio, tem uma mãe usuária de drogas, e está em um conflito enorme sobre sua sexualidade. A carga dramática é potencializada pelo bullying constante, a falta de uma referência familiar e sua própria inocência. O que torna Moonlight, Sob a Luz do Luar um raro feito narrativo é a forma como ele é conduzido. Com extrema sutileza e sensibilidade, a saga de Chiron na infância, adolescência e vida adulta é desenhada com cuidado. Há uma falta de intimidade do protagonista consigo mesmo evidente quando ele está com outras pessoas, e isso é legendado pelo olhar comum dos três atores que vivem Chiron. É como se ele não se encaixasse no próprio corpo. E aí entra uma das maiores qualidades do filme: a direção de Barry Jenkins é extraordinária. Com poucos recursos, ele fornece uma consistência narrativa lírica e real. Os estereótipos, tão comuns nesse tipo de história, ficam à margem porque o roteiro não subestima o público, mas o convida a enxergar o mundo do personagem. A fotografia e a trilha sonora também fogem do comum. Elas amplificam a poesia da história, e sustentam o ecossistema do filme com ternura, carinho e empatia. O conjunto de Moonlight é muito bom. Nada está sobrando ali. O filme fala de homossexualidade, drogas, racismo e condição social de maneira contundente. Mas, em vez de monólogos dramáticos, são os silêncios que transportam sua mensagem. É candidatíssimo ao Oscar 2017.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: É um drama importantíssimo sobre identidade social, racial e afetiva.

Um limite entre nós

Terceiro filme dirigido pelo ator Denzel Washington, Um Limite Entre Nós é uma adaptação da peça de mesmo nome, escrita por August Wilson. Sim, o roteiro é brilhante porque eleva toda a trajetória da família de Troy Maxson a uma crítica social universal. Apesar disso, ele também suplanta as capacidades cinematográficas da história, mantendo-a enjaulada em um mesmo ambiente. Teatro não é cinema, e Um Limite Entre Nós fica no meio termo. Isso comprometeria muito o filme, não fosse as interpretações poderosas de Washington e Viola Davis, no papel de sua esposa. Denzel ainda se mostra um diretor astuto ao compor cenas com enquadramentos inteligentes, que nunca ficam vazios ou desajeitados. Do ritmo, no entanto, não se pode dizer o mesmo. As mais de 2 horas podem ser cansativas para quem não está engajado no tema, e a impressão de se estar vendo uma peça filmada nunca abandona a plateia. Não é um problema porque Um Limite Entre Nós é poderoso em seu discurso, eficiente na execução e emocionante em seu conjunto, além de ter uma importância histórica e social. É um filme que definitivamente merece ser visto.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: O drama dirigido por Denzel Washington tem um roteiro adaptado brilhante e atuações emocionantes. Se o conjunto mostra falhas, o tema retratado nunca perde sua força.

Lion, Uma Jornada Para Casa

Filmes de garotos que se perdem da família costumam exagerar no melodrama. Lion, Uma Jornada Para Casa flerta com essa possibilidade, mas sem se tornar refém dela. A história é a seguinte: o indiano Saroo tinha 5 anos de idade quando se perdeu do irmão em uma estação de trem, e foi parar 1.600 quilômetros depois, em Calcutá. Esperto, ele fugiu de todo tipo de perigo até ser adotado por uma família australiana. Saroo cresceu em uma ambiente completamente diferente da índia caótica, suja e pobre. Mas o desejo de reencontrar sua família nunca morreu. O diretor Garth Davis trata a história com respeito, e dribla as afetações com singela desenvoltura. É nítido que a jornada é menos calorosa do que a primeira parte do filme, e que as interpretações de Nicole Kidman e Dev Patel seguram as pontas com firmeza. Mas o final é cheio de ternura, e se ajusta perfeitamente ao tom do início. Lion, Uma Jornada Para Casa foi feito para comover, não duvide disso. O que não é nenhum defeito. Afinal, até as mais frágeis criaturas podem ter a bravura e força de uma verdadeira fera.

Por que esse filme deveria ganhar o Oscar: É um melodrama, mas isso não é ruim. Ao contrário. Lion, Uma Jornada Para Casa consegue o tremendo feito narrativo de ser naturalmente emocionante, próximo e muito simpático.

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