O renascimento de Jô

Poucos se lembram do processo de contratação do Jô em novembro do ano passado. Vindo em baixa do Jiangsu Suning da China, o atacante de 30 anos vinha sem jogar desde julho do mesmo ano, e iria receber um salário de R$ 350 mil (valor considerado alto para o clube). Sendo assim, ele treinaria separadamente o resto do ano para começar 2017 em condições físicas aceitáveis para retomar sua carreira.

Começada a temporada 2017, João iniciou sua trajetória sendo titular. Nos amistosos de pré-temporada na Flórida começou jogando contra o Vasco e contra o São Paulo (nesse jogo, foi ponta-direita, com Kazim sendo 9). No campeonato paulista, foi titular contra o São Bento (fez gol de pênalti) e contra o Santo André (perdeu um pênalti e saiu vaiado ao ser substituído). Assim surgia o primeiro, e talvez único, momento de instabilidade do atacante no ano. Após ir mal contra o Santo André em Itaquera, o paulista oriundo do “terrão” foi sacado do time e perdeu sua vaga para o Kazim, o outro centro-avante do elenco. O inglês naturalizado turco fez gol contra o Audax na partida seguinte e seria titular no Derby contra o Palmeiras, o jogo mais importante do ano até então. Curiosamente, o “Gringo da Favela” fez uma partida excelente contra o rival em Itaquera, mas seria Jô o abençoado da noite. Ao entrar aos 40 minutos do segundo tempo e fazer o gol da vitória aos 42, em um cenário extremamente dramático, ele ganharia mais “pontos” com a fiel e com o comandante Fábio Carille.

A sua comemoração típica: “calma,calma”

A partir do Derby, a titularidade do Jô foi incontestável, e agora podemos aprofundar mais sobre o que ele agregou ao Timão. Conhecido por nem sempre ser um time que gosta da posse de bola, o Corinthians muitas vezes não tinha um plano muito elaborado ofensivamente quando tinha a pelota e ele ajudou muito nisso. Nos jogos em que a equipe era mais reativa e usava do jogo direto, Jô era fundamental se antecipando aos zagueiros e ganhando as primeiras bolas vindas do Cássio. Com uma imposição física impressionante e uma impulsão notável, é muito raro encontrar hoje zagueiros que superem o camisa 7 nesse sentido. Outro ponto notável se via quando o “Time do Povo” trabalhava mais a posse, com Jô saindo constantemente da referência e arrastando os zagueiros junto com ele, abrindo espaços na defesa e oferecendo um jogo mais apoiado para os meio-campistas, já que ele também é tido como um atacante que possui certa técnica pra jogar longe da área. Assim, com importância tática, bom número de gols e sendo decisivo nos clássicos, o homem já indicava o que viria no Campeonato Brasileiro.

Iniciando-se o Campeonato Brasileiro, ele já deixaria sua marca logo na estreia no empate contra a Chapecoense. E não parou por aí. Mostrando regularidade em suas atuações e sendo um dos pilares do time heptacampeão brasileiro, Jô alcançou um nível de referência dentro e fora de campo. Manteve sua importância tática e seu alto número de gols no “1ºturno dos sonhos” no período de invencibilidade e manteve-se sendo decisivo na pior fase da equipe, no 2ºturno. E coincidentemente, talvez o ponto alto do atacante no torneio fosse justamente contra o Palmeiras, adversário que foi fundamental pra sua retomada de confiança no início do ano. No jogo que foi considerado como uma final pela aproximação do Verdão ao líder, Jô, como todo o Corinthians, fizeram o jogo da vida. O atacante simplesmente fez uma exibição em Itaquera, vencendo todos os duelos contra Edu Dracena nas disputas aéreas e se desmarcando perfeitamente contra a linha alta da defesa verde, o “jogo do título” teve sua marca (com gol, inclusive).

Por fim, é importante citar como João Alves de Assis Silva parece ter alcançado seu ápice futebolístico. Com a sua vida pessoal sendo acertada, a profissional seguiu esse caminho e o resto veio com seu trabalho e determinação, que resultaram em uma possível artilharia do Brasileirão (tem 18 gols, empatado com Henrique Dourado) e a certeza de que Itaquera está bem servida de atacante.

Números de Jô na carreira pré-Corinthians 2017:

Corinthians (2005): 19 jogos/4 gols; CSKA Moscou (2006–2008): 53 jogos/29 gols; Manchester City (2008–2009): 9 jogos/1 gol; Everton (2008/2010): 25 jogos/5 gols; Galatasaray (2009–2010): 13 jogos/3 gols; Manchester City (2011/2012): 12 jogos/0 gols; Internacional (2011–2012): 29 jogos/5 gols; Atlético-MG (2012–2015): 94 jogos/28 gols; Al Shabab (2015–2016): 13 jogos/8 gols; Jiangsu Suning (2016): 17 jogos/5 gols.

Números do Jô em 2017:

Campeonato Paulista: 17 jogos/6 gols

Copa do Brasil: 5 jogos/1 gol

Campeonato Brasileiro: 33 jogos/18 gols

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