Reconhecendo padrões autocráticos
Augusto de Franco
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Gosto muito dos seus ensaios, são desafiadores e gratificantes para quem os lê. Refletindo sobre esse texto em particular, a corrupção e outros males sociais surgem desse programa autocrático que pode se travestir de máscaras distintas. Como um camaleão, se adapta a qualquer ideologia. Portanto, o perigo está em deixar-se levar por qualquer uma delas, mesmo aquelas de aparência mais democrática ou até mesmo anárquica. Especialmente quando o vínculo ideológico vem arraigado de convicções. Por tal sorte, a maior dificuldade de qualquer pessoa é desvincular-se de ‘suas' ideologias. Por exemplo, é muito simples para um não-petista destituir-se de ideologismos petistas, mas para um petista tal privação pode levá-lo à insanidade. A programação é tão profunda que a reprogramação requereria algo como um “brutal-hacking” cerebral, tal qual as pessoas derrotadas na Alemanha devem ter passado subsequente ao pós-guerra. A questão é: partidos se perdem quando se tornam governo ou todo homem tem seu preço? O poder deve enxurrar o cérebro com hormônios que inibem ações mais distribuídas. Sim, deve ser bioquímico naqueles que concebem, recebem e replicam a programação de centralização disfarçada ou não de ‘nobres ideais “. Mas o custo de vender-se limita o potencial empreendedor nas demais pessoas; passam a querer controlá-las. Então talvez o mundo devesse ser menos público e mais privado?! O privado em um contexto mais distribuído, que oferece produtos, serviços ou processos em interação, e que obtém lucro, receita produzindo ou servindo as pessoas no seu raio de ação seja ele qual for. Pois bem, assumindo que este seja um dos modelos mais coerentes (não ideais) como um país poderia adotá-lo? Teria que passar por uma ruptura em seu processo histórico tal qual a Alemanha passou, ou talvez deixar de ser país? Estamos a crucificar o atual governo como se fosse culpado por todas as mazelas, mas só reiteram a velha herança. E pelo jeito o que vai sobrar na política brasileira não é nem de longe o que se espera de pessoas. Segundo Rousseau, o fundador da sociedade civil foi aquele que cercou um pedaço de terra e todos aceitaram. O ser humano tem se portado desde então como ‘Elois' de H. G. Wells no futuro. E isso é tudo culpa de nós mesmos porque vivemos e aceitamos nossos cômodos espaços, como os ‘Elois’, mesmo que isso possa custar a ignorância e eventualmente a vida. A desprogramação ou reprogramação vai demandar não apenas de tempo, mas de uma enxurrada de textos como os seus, Augusto, muitas marretadas nos cérebros para se atingir pensamentos mais coerentes e menos ideológicos. Bom curso!