Um ectoplasma cheirando a cuspe vomitado da boca de um Orc
Augusto de Franco
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Prezado Augusto, Teia da Vida (Fritjof Capra) foi onde primeiro mergulhei de cabeça no Caos há algum tempo. De lá pra cá me aprofundei mas nem tanto! A matemática de trivial não tem nada. Mas a essência do Caos, quando vista como a desordem que a vida auto-organiza (Ilya Progogine, estruturas dissipativas e coerentes longe do equilíbrio térmico gastando energia, lei da mínima entropia), quando vista como os dados de Deus (Ian Stewart, processos ‘estocásticos’ determinísticos), quando compreendida dessa forma, é realmente uma sensação fantástica e libertadora. Fica fácil sentir-se parte do Universo sem maiores explicações ou doutrinas (Raul deve ter passado por esse nirvana quando concebeu essa letra https://www.letras.mus.br/raul-seixas/99105/). Os fractais humanos quando livres continuam fractais. Arrebanhados e manipulados perdem a sua fractalidade, tornam-se euclidianos. A desconstrução de espaços euclidianos ou a manutenção dos fractais naturais que você propõe (“a democracia é uma eterna desconstrução de autocracias”) é relevante para manter o metabolismo fractal natural (e.g. http://biology.unm.edu/jhbrown/Miami/West%20et%20al%201999.pdf). Orcs de Euclides, ao ectoplasmarem (hehe), levam os sistemas para o caos. Mas felizmente desaparecem quando o caos se instala para que os fractais naturais retornem com abundância, pouco a pouco, lentamente, na margem do caos, com novas e criativas dinâmicas e estruturas. Contudo novos Orcs vão retornar (Smiths da Matrix) sempre que a abundância estiver restabelecida, ciclicamente, como os modelos de Lotka-Volterra (predador-presa, parasita-hospedeiro), como matéria e anti-matéria, inseparáveis. Me lembra da arte da vida que os hindus traduzem em Shiva: ir ao fundo do poço para depois reerguer-se, cair de novo e assim sucessivamente. A propriedade privada como vista por Rousseau desde que o homem deixou de ser bom selvagem, ou o capitalismo do “laissez faire, laissez aller, laissez passer”, me parecem, portanto, uma fase de Shiva. Pondero então que Ralph Abraham tenha razão. Não é de hoje, é desde sempre. Mas ao desconstruir de forma mais eficiente pirâmides, as casas dos Orcs, quem sabe seja possível libertar-se das garras de Shiva, do caos total cíclico. Informação ou coerência é o inverso do caos. Gosto quando sugere que precisamos mais de antenas que raízes. E me parece que tal adaptação já se encontra em curso graças as redes de pessoas. Pior, em grande medida graças a Google (rs). Mantenha o prumo e abraço!