O que aprendi este Verão.

Tudo foi mais ou menos descoberto, menos como viver. Procuramos ajuda na teologia, filosofia, psicologia, astrologia e esquecemos por completo que a vida acontece no dia-a-dia.
Preocupamo-nos com questões como lidar com a morte e a perda, e esquecemos o que fazer com a vida. Seguramo-nos a uma ideia do que é suposto, do que é racional, e a vida perde-se nos momentos, momentos esses que deviam ser experiências individuais, mas mais parecem uma versão glorificada do que gostaríamos que fosse, que continuamente transmitimos para fora, para quem acreditamos nos quer ouvir. Vivemos numa perspetiva duma perspectiva. Não somos o que pensamos ser, que por si já é redutor, somos aquilo que pensamos que os outros pensam que somos, anulando por completo o livre-arbítrio, onde o medo de julgamento, de retaliação, de juízo nos ofuscam a nossa Verdade.
E aqui entra a Entropia, um conceito que surge das leis da termodinâmica. Este conceito entrou na minha vida recentemente, na procura de uma explicação lógica para uma jornada interna que iniciei recentemente. Basicamente, as leis da termodinâmica definem as transformações físicas e químicas da matéria em todos os seus estados. Só aprofundei os meus conhecimentos nesta matéria o suficiente, com a distância segura para a o meu pensamento poder criar, sem racionalidade e objetividade.
A primeira lei diz que nenhuma energia pode ser criada ou destruída, apenas transformada. E consigo encontrar paralelismo em mim. A curiosidade leva à paixão, e a paixão ao propósito. E é nesta transformação que encontramos a segunda lei da termodinâmica, onde a Entropia ( desordem) tem sempre tendência a aumentar e aí surge a transformação. Pegando no mesmo exemplo, a curiosidade faz-me procurar o que altera o meu estado, a minha energia até ali. Se o tema me interessa muito, essa curiosidade leva-me à paixão, e já não mais serei apenas curioso, mas antes dedicado. A dedicação é o meu novo estado, a minha nova energia, que com o tempo se transforma em propósito, a razão porque me levanto da cama.
E este ponto fala da transformação, mas existe outro ponto que é importante definir. A transformação só é feita num sentido, irreversível. Um corpo frio não pode habitar um corpo quente, como um cubo de gelo não perdura sobre uma fogueira, mas o corpo quente pode existir num corpo frio, na mesma medida que um esquimó pode acender uma fogueira no ártico. E temos na nossa verdade, estes dois “corpos”: Emoção e Razão, Fogo e Gelo, Ying e Yang, Céu e Inferno… É do que somos feitos, é o que nos move, é o que tem moldado a nossa experiência.
E se a Razão desvanece no Emoção, já o contrário não se aplica. Podemos ter relações e ligações completamente racionais, sem expectativas, sem paixão. A quebra destas relações são facilmente ultrapassáveis. São os amigos de ocasião, o colega de trabalho, o vizinho chato, aquela one night stand. Já as relações Emotivas são recheadas de significado. É o melhor amigo, o parceiro de uma vida, quem nos motiva, quem nos acrescenta, quem nos faz sentir especiais e únicos. Mas como tudo, há transformação.
A entropia tem sempre tendência a aumentar, lembram-se. O que colocamos no ambiente é que permite os estados de baixa entropia e alta entropia. O Amor, cria baixa entropia, onde os corpos se ajudam, se complementam… já o Medo cria alta entropia, onde normalmente os corpos mais fortes têm tendência a subjugar e dominar os mais fracos, um pouco como vivemos na sociedade de hoje em dia.
Eu sou Emoção. É a minha essência. A paixão move-me. Acredito em contos de fada, sou um romântico incurável, acredito que as amizades verdadeiras sobrevivem às piores tempestades, acredito no abraço sincero, no beijo que nos dá a sensação de borboletas na barriga. Acredito na teoria do elástico, em que por muito que as pessoas se afastem, nunca o suficiente para arrebentar, mantendo uma vibração que as mantém ligadas.
Sou eu, é a minha Verdade, e foram necessário 35 anos de experiências para o aceitar.
Mas obviamente tudo isto se transforma novamente. Podíamos continuar a falar de física, até poderíamos falar de física quântica ou da teoria da relatividade, mas isso seria aprofundar em demasia um tema, que apenas surgiu na minha vida para dar um significado ao que estava a experienciar. Obsessão é um estado que não quero alimentar, pois isso limita-me as oportunidades, e conhecimento profundo em determinados temas, limita-me a criatividade para criar a minha versão das coisas, a minha Verdade.
E no final, é mesmo isso que se trata. A nossa Verdade.
Crescemos dentro de regras e sistemas desenhados para o nosso bem, mas pelo meio perdemos noção daquela criança que nasceu com vontade de absorver o mundo, colecionar experiências, sonhar, sorrir com as coisas mais simples, de dizer aquilo que nos vai na alma sem medo retaliação. Uma criança não pensa antes de falar, apenas fala. Educamos para ela perceber como se deve comportar, limitando o espaço dela para onde nos sentimos nós confortáveis. Não quero com isto dizer que a anarquia é o caminho, mas devemos deixar espaço para a individualidade.
As leis da física não se aplicam às relações humanas, mas sem dúvida que nos ajudam a perceber o que nos acontece.
O que interessa é que tudo faça ressonância em tudo o que nos define, corpo, mente e alma. O resto é tudo uma perspetiva do que é suposto. Estar vivo é realmente uma oportunidade que não devemos tratar com leviandade.
Por isso, resta-me agradecer e continuar a minha jornada.
Até já.
jt©2018
