Abertura do Mercado

Entrevista coletiva de Donald Trump, marcada para às 14:00 move mercados, com investidores atentos a postura do novo presidente dos Estados Unidos para assuntos mais polêmicos como China, impostos, gastos com infraestrutura. No Brasil, IPCA vem abaixo do esperado, encerra 2016 dentro do teto da meta, e leva os investidores a acompanhar ainda mais de perto a decisão de hoje do Copom, onde a maioria acredita em um corte de 0,50bp.

Fechamento do Mercado 10.01

Ibovespa reduziu alta e manteve distância das máximas do dia, com mercado aguardando fala de Trump à imprensa e decisão do Copom, ambas nesta 4ª-feira. Avanço de +0,7%, atingindo 62.131,80.

Macroeconomia

1) Brasil — IPCA surpreende novamente, mercado aguarda Copom

IPCA vem abaixo do esperado — Segundo o IBGE, a inflação de dezembro subiu 0,30%, abaixo dos 0,35% aguardados pelo mercado. Com isso o indicador encerrou 2016 em 6,29%, abaixo do teto da meta de 6,50%, e dos resultados de 2015, 10,67%, e 2014, 6,41%. O grupo Alimentação e Bebidas exerceu a maior influência sobre os índices do mês e do ano.

Após recuar de 0,26% para 0,18% de outubro para novembro, o IPCA voltou a subir (0,30%) sob influência da aceleração dos grupos Alimentação e Bebidas (de — 0,20% em novembro para 0,08% em dezembro), Despesas Pessoais (de 0,47% para 1,01%) e Transportes (de 0,28% para 1,11%). Os alimentos subiram de -0,20% para 0,08% devido à alimentação consumida em casa (de -0,47% em novembro para -0,05% em dezembro). Apesar de alguns produtos alimentícios em queda, como feijão-carioca (-13,77%) e o leite longa vida (-3,97%), outros produtos importantes na mesa do brasileiro exerceram pressão contrária, como o arroz (0,21%), as carnes (0,77%) e as frutas (3,39%). Em dezembro, a alimentação fora de casa manteve a mesma taxa de novembro (0,33%).

Os principais impactos individuais no índice do mês vieram das passagens aéreas, com alta de 26,29% e 0,10 p.p., da gasolina (1,75% e 0,07 p.p.) e do cigarro (4,80%, com 0,05 p.p.). O impacto destes três itens juntos foi de 0,22 p.p., equivalente a 73% do IPCA.

Indústrias podem perder R$3 bi em incentivos fiscais — Segundo a Folha, montadoras de veículos, construtoras, fábricas de fertilizantes e o setor de audiovisual estão ameaçados de perder incentivos fiscais que representarão R$ 3,3 bilhões em benefícios neste ano. O Ministério da Fazenda está orientando para que não sejam renovados os benefícios que estão expirando, e para 2018 outros 15 tipos de isenções chegarão ao seu prazo. O principal programa de desoneração que expira em 2017 é o Inovar-Auto, previsto para acabar em dezembro e com renúncia fiscal estimada em R$ 1,2 bilhão neste ano. Outro programa que vence neste ano, também criado em 2012 pelo governo Dilma, é o Reif, um regime de incentivo criado para a indústria de fertilizantes que neste ano representa perda de R$ 255 milhões para os cofres do governo.

Copom em destaque — A agenda local desta quarta-feira tem como destaque a decisão do Copom sobre a taxa Selic. Em Brasília, o presidente Michel Temer comanda, a partir das 10 horas, uma reunião do núcleo de infraestrutura no Palácio do Planalto para, segundo fontes do governo, tratar de obras do PAC “de maior vulto e peso”.

2) Mercados Internacionais — Mercados aguardam fala de Trump.

NY e Europa avançam — Embora com cautela, os mercados da Europa e os futuros de NY operam em alta. Boa parte dos investidores aguarda a primeira coletiva de imprensa oficial de Donald Trump.

“Democracia dos EUA sofre ameaça e é preciso dar oportunidades a todos”, diz Obama em despedida — O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que deixa o comando do país mais otimista com o futuro do que quando chegou à Casa Branca, mas destacou que a democracia norte-americana sofre ameaças e que não vai funcionar sem que todos tenham oportunidades econômicas. Obama encerrou seu discurso com a clássica frase que marcou sua primeira campanha eleitoral: “Sim, nós podemos”. O dirigente ainda complementou: “sim, nós fizemos”, para falar dos avanços que ocorreram na maior economia dos mundo nos últimos oito anos.

Exterior tem coletiva de Trump — Na agenda dos Estados Unidos, as atenções estarão na entrevista coletiva do presidente eleito Donald Trump, às 14 horas. Ainda estão previstas as sabatinas de dois secretários indicados por Trump no Senado, a partir do meio-dia.

Bolsas asiáticas mistas — As bolsas da Ásia encerraram o dia sem uma direção única, ainda com investidores cautelosos com o discurso de Donald Trump. No Japão, o enfraquecimento do iene beneficiou a Bolsa de Tóquio, que terminou em alta 0,33. Na China, a Bolsa de Xangai encerrou em queda de 0,79%, enquanto a Bolsa de Shenzhen recuou 1,05%. Em Hong Kong, o Índice Hang Seng subiu 0,84%, enquanto a Bolsa de Seul avançou 1,47%. Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 registrou valorização de 0,2%.

Petróleo sobe — Às 9h20, o Brent para março avançava 0,63% na ICE, a US$ 53,98 por barril, enquanto o WTI para março avançava 0,91% na Nymex, a US$ 51,28 por barril.

Painel Corporativo

Braskem: Venda da quantiQ por R$ 550 milhões.

A Braskem assinou contrato de venda da distribuidora de produtos químicos e petroquímicos quantiQ para a GTM Holdings, controlada pela gestora de fundos de private equity Advent International, por R$ 550 milhões. Desse valor, R$ 450 milhões serão pagos à vista e o restante em até 12 meses. A GTM é um dos maiores distribuidores químicos da América Latina, com operações em 11 países além do Brasil.

Ao fim de setembro, a Braskem tinha R$ 8,2 bilhões em caixa. De acordo com o CEO da Braskem, Fernando Musa, “A alienação da quantiQ está em linha com a estratégia de reforçar nossa atuação no setor petroquímico, otimizando o portfólio de ativos da Braskem dentro do nosso compromisso com a disciplina financeira”. Com a venda, a Braskem busca se concentrar na atividade industrial petroquímica, considerada prioritária para a companhia. A empresa vai manter, no entanto, um contrato de distribuição com a quantiQ. De acordo com a coluna de Geraldo Samor, as negociações entre as empresas já haviam sido comentadas pelo Brazil Journal em Outubro de 2016, e traziam um valor em torno de R$ 1 bilhão, acima dos R$ 550 milhões praticados.

Petrobras: Produção média de petróleo recorde em 2016, em linha com o guidance; Acordo de unitização da área de Libra na Bacia de Santos, o que pode trazer economia para o pré-sal.

A Petrobras reportou hoje recorde histórico anual na produção média de petróleo no Brasil, que alcançou 2.144.256 barris por dia (bpd) em 2016, 0,75% acima do resultado do ano anterior e em linha com a meta de 2,145 milhões bpd prevista para o período. “Pelo segundo ano consecutivo, a Petrobras cumpre o planejamento previsto, reforçando o compromisso com a previsibilidade de suas projeções. A média anual da produção operada na camada pré-sal, em 2016, também foi a maior da história da companhia, atingindo a marca de 1,02 milhão barris de óleo por dia e superando a produção de 2015 em 33%”, destacou a empresa. Segundo o comunicado, no mês de dezembro de 2016, a companhia também ultrapassou seus recordes históricos de produção mensal e diária: a produção média de petróleo no Brasil superou pela primeira vez 2,3 milhões bpd, 3% acima do recorde registrado em setembro de 2016, e a produção no dia 28 de dezembro atingiu 2,4 milhões de barris de óleo. Ainda sobre a empresa, a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), representante do governo federal no polígono do pré-sal, e a Petrobras assinaram um pré-acordo para a unitização da gigante área de Libra, na Bacia de Santos, com uma área adjacente ainda não licitada pela União, segundo a Reuters. A medida é necessária já que o consórcio de Libra descobriu uma jazida que ultrapassa os limites do contrato para uma área ainda não licitada, também no pré-sal. A lei determina a unitização quando isso acontece. No caso da confirmação do acordo, o consórcio da área de Libra — integrado por Petrobras (operadora com 40%), Shell (20%), Total (20%) e as chinesas CNPC (10 por cento) e CNOOC (10%) — poderia ter custos e investimentos compartilhados na área unitizada, maximizando os indicadores econômicos do projeto.

Rumo: Conab revisa para cima safra de grãos: produção de Milho na safra 16/17 deve subir 27%, e Soja 9%.

Diante de boas condições climáticas na maior parte do Brasil, a produtividade das lavouras de grãos nesta safra devem aumentar e recuperar as perdas da temporada passada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou ontem sua estimativa para a colheita de grãos em 2016/17 para o recorde de 215,3 milhões de toneladas, 1,1% superior ao previsto em dezembro e 15% maior que o colhido em 2015/16, quando chuvas em excesso no Sul e seca no Centro-Oeste e no Matopiba levaram a colheita a 186,7 milhões de toneladas. A Conab prevê que a soja alcance produção recorde de 103,8 milhões de toneladas, alta de 1% em relação ao previsto em dezembro, e cerca de 9% maior que o volume da safra passada (2015/16). A produção de milho na primeira safra (de verão) foi revisada em 2%, e deve crescer 10% em relação à safra passada, atingindo 28,4 milhões de toneladas. A safrinha (segunda safra) não foi revisada, mas está prevista para crescer 38% em relação à safra 15/16. O volume consolidado das duas safras deve crescer 27% em relação à safra passada.

Oi: Fusão entre Oi e TIM?

Uma eventual fusão da operadoras de telefonia Oi e TIM, após a solução para a recuperação judicial da Oi, não seria um processo de aprovação difícil na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), disse o presidente do órgão regulador, Juarez Quadros, à Reuters. Os comentários foram feitos um dia após o bilionário egípcio Naguib Sawiris, um dos principais interessados na Oi, afirmar ao jornal Folha de S.Paulo que a Oi poderia se unir com a TIM se sua oferta pelo grupo brasileiro de telecomunicações em recuperação judicial for bem sucedida. “As empresas se complementariam. É claro que teriam de ser limitadas as sobreposições (principalmente na telefonia móvel), teria de se fazer um condicionamento dessas sobreposições”, disse Quadros. Mais cedo nesta terça-feira, a Telecom Italia afirmou que não tem intenção de unir a TIM com a Oi. No Brasil, o vice-presidente regulatório e institucional da TIM, Mario Girasole, afirmou que “qualquer rumor sobre hipótese de integração entre TIM e Oi é absolutamente sem fundamento e nenhuma iniciativa nesse sentido faz parte dos planos da empresa. Não temos interesse”.

Linx: Acordo de cooperação comercial com a Redecard.

A Linx assinou acordo de cooperação comercial com Redecard. De acordo com o comunicado, o acordo tem por objeto a cooperação comercial entre Rede e Linx para o desenvolvimento de aplicativos relacionados a soluções de meios de pagamento, bem como o esforço de ambas as partes para promover, juntos aos seus respectivos clientes, as soluções de pagamento da Rede e as soluções de gestão da Linx. O acordo é o “primeiro esforço concreto de geração de valor em dois novos mercados: meios de pagamento e varejistas de pequeno porte”.

Usiminas: Sumitomo veta redução de capital na Musa, que renderia cerca de R$ 700 milhões de caixa para Usiminas.

A Assembleia dos acionistas da joint venture Mineração Usiminas (Musa) terminou nesta terça-feira sem acordo sobre uma operação de redução de capital, que poderia render recursos para a Usiminas honrar acordo de refinanciamento assinado no ano passado com bancos credores. O fato foi anunciado via comunicado da siderúrgica ao mercado. A assembleia marcada para esta terça-feira reuniu representantes da Usiminas, que detém 70% da Musa, e da Sumitomo Corporation, grupo japonês que detém os 30% restantes da mineradora. Apesar da Usiminas ser acionista majoritária, o uso de R$ 700 milhões do caixa da Musa pela empresa precisa da aprovação do conglomerado japonês, que rejeitou a operação. A assembleia da Musa foi convocada no fim do ano passado e tinha como proposta uma redução de capital social em R$ 1 bilhão. A mineradora tinha na época recursos de R$ 1,3 bilhão em caixa. Representantes da Sumitomo Corporation do Brasil se recusaram a comentar o assunto. Pelo acordo acertado pela Usiminas com Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Usiminas tem até junho deste ano para ter em caixa os recursos da mineradora sob risco de vencimento antecipado da dívida. O acordo com os bancos deu à Usiminas prazo de 7 anos para pagamento de dívidas de cerca de R$ 6,3 bilhões após três anos de carência. A Usiminas disse no comunicado que vai buscar a anulação do voto da Sumitomo “por vias legais” e que o veto da Sumitomo “constitui abuso de direito (…) não devendo, portanto, produzir quaisquer efeitos jurídicos”. Apesar do posicionamento da Usiminas sobre o veto da Sumitomo, documento obtido pela Reuters mostrou que o presidente-executivo da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, e o presidente da Musa, Wilfred Brujin, tinham um acerto prévio sobre recursos da mineradora, após a decisão de parada de produção de aço na usina da Usiminas em Cubatão (SP), no início do ano passado. A parada foi decidida diante do cenário de forte queda na demanda por aço no país. Souza também é presidente do conselho de administração da Musa. O memorando de entendimento afirma que a Usiminas deveria garantir à Musa o mesmo montante de margem EBITDA que a mineradora obtinha antes da decisão que paralisou as áreas primárias da siderúrgica em Cubatão.

Estou a disposição por mensagens para duvidas e para conversar sobre investimentos.

Fonte: Celson Placido, Analista CNPI