Um ato de coragem é dançar com os seus demônios — ignorá-los, rechaçá-los, tentar afogá-los num mar de gestos de pseudo-bondade de nada adianta. Que haja doçura sem que se esqueça que há o caos. Que haja uma parte obscura, terrível, ridiculamente mesquinha lá, o tempo inteiro, nem que seja para que nos lembremos de que algumas pisadas são mais arriscadas que outras e que ninguém está imune.
Tenho aprendido passos novos todos os dias. Bailamos juntos, eu e eles, eles e eu. Vamos num ritmo ora lento, ora frenético, e não temos previsão de quando a festa chegará ao fim. O exercício é extenuante, mas permite que eu me mantenha de olhos abertos e num mantra firme: que eu consiga dançar melhor do que eles. Pelo menos na maior parte do tempo.
