DIÁRIO DE CONSUMO DE QUADRINHOS (20/08 a 26/08)

The Blade Is…
Para me reacostumar com escrever periodicamente, e porque eu simplesmente posso passar a vida toda falando sobre essas coisas, decidi tentar semanalmente escrever um DIÁRIO DE CONSUMO.
Toda semana, o plano é que eu relate que cultura pop eu consumi (principalmente quadrinhos, mas filmes, jogos e música também, dependendo do espaço e vontade), com pequenos comentários pessoais. Nada de análise (ok, um pouquinho talvez), só impressões.

É, isso tá bem grande.
Mas tem muita imagens bonitas também!

Semana passada disse que essa semana seria mais proveitosa em leituras. Bom, durante a semana, não pareceu, mas vendo o quanto foi escrito agora, acho que tá valendo.

Se eu digitar muita introdução, aumenta ainda mais o tempo de leitura!! Vamos só partir para uma lista de chamada e vamos.

Essa semana:
_Bleach
_Quarteto Fantástico vs X-Men
_Kuroko No Basket
_Katekyo Hitman Reborn
_Nanatsu No Taizai / The Seven Deadly Sins
_Zetman
_Um bom tanto de música!!

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BLEACH 26 a 29, 32

goodbye halcyon days

Bleach pode ter acabado semana passada, mas minha febre recente pela obra ainda não terminou.

Os volumes 26 a 29 de Bleach concluem o primeiro ato da saga dos Arrancar, com um excelente clímax/setup nas edição 26 e 27, que dão início ao segundo ato: a invasão ao Hueco Mundo.
Bleach 27 é uma das minhas edições favoritas do mangá. Nela, Orihime Inoue é ‘’feita de refém’’ pelos Arrancar, mas ela pode se despedir de uma pessoa, e essa pessoa não pode saber que ela está se despedindo. Essas são as regras de seus captores.
O que se segue, no volume que é intitulado ‘’goodbye halcyon days’’ (a Panini traduziu como ‘’adeus dias de paz’’) é provavelmente o momento mais emocional do mangá todo. Isso é um pouco problemático, já que não estamos nem no meio da história ainda, mas de certa forma, a despedida de Orihime é um ápice emocional que o mangá raramente conseguiria chegar perto novamente, conforme seus interesses fossem direcionados para outros aspectos.
Quando eu paro para pensar, inclusive, Orihime é uma das únicas personagens que tem um arco definido pela história. O crescimento de uma garota que esconde sua tristeza através de um falso bom humor, sempre defendida por alguns amigos (a Tatsuki é quase uma mãe super protetora para ela, mas acho que ela precisou ser mesmo), até uma mulher que além de indispensável para os aliados, pode se sustentar sozinha. Claro, o fato de esses momentos que definem a Orihime demorarem tanto para acontecer e serem tão esparsos diz muito sobre os defeitos no estilo de escrita de Kubo, mas hey, é realmente boa essa despedida.
Essa vai para os que acusam o Kubo de não saber escrever. Tsc tsc, a heresia.

Cinco Vidas

O começo da invasão ao Hueco Mundo é engraçado, de certa forma. É uma época em que Kubo colocava personagens bem menores nas suas capas. É estranho demais ver gente como Dordoni em uma capa e pensar ‘’ok, o que ele fazia mesmo?’’.

Jugulators

É hilário ver o Chad tendo uma luta nesse começo de arco e pensar que essa é a última luta significativa dele no mangá todo. É como ler a luta da Sakura x Sasori em Naruto, mas pelo o menos essa luta é marcante. O Chad luta contra um ninguém antes de ser cortado pelo Nnoitora. É bem engraçado, e só um pouquinho triste.
Bom, depois de começar a frequentar o Reddit do Bleach, descobri que o Dordoni é um fan favorite. Isso me soou… inusitado. Ele é com certeza o melhor dos Privaron Espada (que são os equivalentes aos Cavaleiros de Prata ou os soldados menores de Hades, ninguém se importa), e ele tem realmente uma personalidade bem definida para os poucos capítulos que aparece. Mesmo assim, inusitado.

Os meus volumes de Bleach ficam na casa dos meus pais, que eu só frequento nos fins de semana. Sendo assim, com a hora de voltar para São Paulo chegando, eu vi que não ia chegar onde queria. Decidi pular uns volumes então e fui para o 32.
Essa é a edição da luta entre Ichigo e Grimmjow. Não lembro se tem uma ou duas lutas contra os Espada antes dessa, mas é uma das primeiras lutas importantes de fato do arco. Acabou apresentação, acabou descobrir o que os inimigos fazem ou quão poderosos eles são. Esse é o momento em que o arco começa a valer e os inimigos começam a ser derrotados.
Ichigo vs Grimmjow é uma das melhores lutas do mangá para mim. Com certeza é uma das melhores do Ichigo. O fato de Grimmjow ter sido, junto de Ulquiorra, um dos únicos rivais do Ichigo construídos com esse papel explicito em mente faz com que a luta pareça muito pessoal, coisa que normalmente falta nas lutas do Ichigo.

Entrada triunfal

O que dizer? É muito divertida. É o ponto também que Bleach abraça seu lado Dragon Ball Z e as coisas começam a explodir mesmo. Inclusive, estava pensando: quem o Ichigo venceu com a sua Bankai? Com suas forças? E se você não contar o Dordoni, que é claramente um minion, o Grimmjow é o único adversário que o Ichigo consegue enfrentar com a Bankai. Ele não dá conta de mais ninguém. Perceber isso me fez perceber como o Ichigo dessa época só parece forte. De certa forma, isso é um pouco de setup para arcos futuros.
Eu escrevi bastante sobre Bleach essa semana. Quero completar logo a coleção e reler tudo!! Quero escrever páginas e mais páginas de análise de Bleach que ninguém vai ler além de mim quando velho e pensar ‘’valeu essa energia aí?’’
A resposta, provavelmente, é sim.

‘’Tinha um monte de coisas que eu queria fazer…
Eu queria ser uma professora…
E uma astronauta…
E abrir uma loja de bolos…
E ir ao Mister Donut e dizer ‘’Eu quero todos..!’’
E ir ao Baskin-Robbins e dizer ‘’Eu quero tudo..!’’
Aaaah ah! Se eu tivesse cinco vidas!
Aí eu poderia ser de cinco cidades diferentes
E me encher de cinco tipos diferentes de comida
E ter cinco empregos diferentes…
E as cinco vezes…
Eu me apaixonaria pela mesma pessoa.’’

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QUARTETO FANTÁSTICO VS X-MEN

RICHAAAAARDS!

A segunda metade do encadernado da semana passada. Ainda tem duas histórias do Stan Lee com embates entre os vários grupos, mas eu confesso que isso eu deixei pra ler depois.
‘’Quarteto Fantástico vs X-Men’’ é bem menos conhecida que a outra minissérie do encadernado, mas eu gostei bem mais dela. É uma aventura simples, mas muito bem executada. Ter Chris Claremont nos roteiros, mesmo que não no seu modo mais inspirado, é sempre uma vantagem.
A minissérie conta a história das consequências do ‘’Massacre de Mutantes’’, em que Kitty Pride perdeu a habilidade de voltar a ser sólida e agora é um fantasma. As suas moléculas estão se desligando, e logo ela vai morrer. Os X-Men procuram a ajuda do Quarteto Fantástico, mas Franklin Richards, filho do Sr. Fantástico e da Mulher Invisível, tem tido sonhos em que seu pai se torna Dr. Doom e mata todo mundo. Tudo isso começa com um diário, que Sue Richards acha e que tem um SEGREDO TERRÍVEL!! Agora o Quarteto está abalado e Reed Richards, sem confiança. Logo, com essas dúvidas todas, ele recusa ajudar os X-Men, e é aí que aparece ele, o melhor de todos, DR. DOOM, e oferece a ajuda dele aos mutantes. Os X-Men aceitam e bom, caos acontece.

Nem Wolverine resiste àquela hora especial

Vamos falar um pouco da arte. 
Eu realmente não gosto do Jon Bogdanove. O trabalho do cara não é pra mim. Acho o trampo dele no Superman (mais estilizado) competente, porém feio esteticamente. Nessa minissérie, em um ponto mais cedo da sua carreira, o estilo do Bogdanove ainda é bem contido e até que as figuras estão bonitas, mas ainda é inconstante e na moral, o Franklin dele é muito esquisito. Bem creepy mesmo.
Agora sobre a história, como disse, é um bom Claremont. É curioso comparar um crossover desses com um atual e ver como Claremont dá muita atenção com a caracterização e motivos dos personagens. A edição 3 é TODA dedicada a explorar as reações dos vários personagens e juntar o Quarteto novamente para o climax. É bem legal, porque dá pra ver o Claremont que está tão associado aos X-Men escrever a Primeira Família da Marvel e os resultados são cativantes. Como todo bom escritor, Claremont tem o que dizer com Reed Richards, um dos melhores personagens da editora.
A coisa que eu mais gosto nesse crossover, porém, é a presença de Doom. Não tem como, é o melhor vilão da Marvel e é sempre divertidíssimo ler boas histórias com ele. Claremont tem um estilo de escrita verborrágico e meio formal, o que é perfeito para a arrogância aristocrática de Doom. É legal notar que o plano de Doom só é possível adaptando a própria tecnologia criada por Reed, num momento cuja ironia foge ao vilão. É sempre divertido também ver quão obcecado com RICHAAAARDS Doom realmente pode ser. É tudo ótimo entretenimento.
‘’Quarteto Fantástico vs X-Men’’ é bem mais divertida que ‘’X-Men vs Vingadores’’ para mim, e valeu bem mais o preço de capa que a suposta minissérie famosa. Além do mais, é sempre bom rever o Quarteto hoje em dia.

Será uma daquelas capas que não tem nada a ver com a história? SERÁ??

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KUROKO NO BASKET 26

Razukan vs Seirin
‘’Você foi imprudente em querer tentar brilhar.
Agora, sequer pode ser uma sombra’’.

Agora sim.
Eu adoro finais. Dessa forma, é um prazer sentir um mangá shonen chegar na reta final com tanto gás. Estou adorando a reta final de Kuroko. Toda a história realmente culmina aqui.
Seguindo um excelente flashback que se tornou um dos meus arcos favoritos instantaneamente, Fujimaki toma mais um tempo para construir a última partida. É a melhor antecipação até agora. Se tem uma coisa que peca aqui, é que o mangá demora até demais para acabar com o build up.
Mas a real é que nesse ponto, você já está lendo sem parar e esperando essa maldita partida final começar. E quando começa…
É assim que se começa uma partida final em um mangá de esporte. Sendo inevitável a comparação, o começo da partida final entre Seirin e Razuzan lembra o começo de Shohoku vs Kainan em Slam Dunk. Tudo é muito ágil, muito energético, os dois times correndo de um lado para o outro. O jogo já começa com vários twists e o cliffhanger dessa edição é devastador. Provavelmente, quando você percebe o quanto esse gancho foi construido com calma, é o mais devastador do mangá todo.

Kamehameha Dunk?

Gosto bastante da arte de Fujimaki, e embora faz um tempo que a arte se mantém, o nível é muito bom. A insanidade de misturar os tropes do mangá shonen com basquete resultam em ‘’golpes especiais’’ incrivelmente impactantes. Kuroko no Basket sempre foi um mangá que empregou com criatividade esses conceitos. As jogadas são absurdas e os jogos são hiper disputados. É extremamente divertido. Olha pra página acima, o impacto é excelente.

O Imperador

Aliás, falando no último jogo, puta merda, eu adoro o Akashi. Que ótimo antagonista! Já faz um bom tempo que o mangá vem construindo todo o mistério por trás de Seijuro Akashi, o capitão da Geração Milagrosa. Acontece que o Akashi tem tudo que os grandes adversários da Shonen Jump possuem: um ar de mistério, uma aura de invencibilidade, uma habilidade interessante, um design marcante. Provavelmente, meu adversário favorito do mangá ainda é o Aomine pela forma com que o duelo dele com o Kagami acontece, mas o Akashi com certeza parece mais ameaçador, o que é ridículo vendo os adversários anteriores. O fato de Akashi passar uma sensação de presença maior que Aomine ou Murasakibara é todo mérito do autor. Um baixinho genial com o ‘’Olho do Imperador’’, que muda o ritmo das jogadas de forma que os seus inimigos tropecem e tenham que olhá-lo de baixo para cima? So damn cool.
Como se pode perceber, eu estou é louco para que a próxima edição chegue logo. Mais 4 volumes!!

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KATEKYO HITMAN REBORN 36

Arcobalenos!

Reborn é um mangá estranho. Depois de ler Shaman King e Bleach, ficou muito claro pra mim a sensação de que um mangá está começando a tropeçar em si mesmo. Dá pra ver nesses últimos volumes as sementes do cancelamento.
O que é uma pena. Eu realmente gosto de Reborn. Tem alguns elementos insuportáveis, como o fato de que os malditos dos anéis ficam evoluindo gratuitamente mais que as espadas do Ichigo, mas no fim do dia, é um mangá que eu sempre dou prioridade na leitura.
Reborn 36 é o fim do arco dos Simon, e lendo comentários na internet eu estou bem certo que eu sou uma das únicas duas pessoas que curtiu esse arco. Sim, é meio boçal toda a estrutura das chaves e etc, mas é um arco que senti pela primeira vez os Guardiões Vongola mostrando tudo que aprenderam com o mangá todo. Até o Hibari tem um crescimento de personagem, poxa.

Isso é uma técnica assinatura, ai sim, Tsuna

Meu maior medo era que o cliffhanger do volume anterior fosse o fim da luta final do arco. Pra minha felicidade, ainda tinha um trecho. É uma luta bem decente, e as mudanças de forma do vilão são cada vez mais absurdas, o que é sempre um ótimo sinal. Claro, tem um backstory forçado e clichê na esperança da autora de construir uma profundidade? Tem. Ah, se tem. Mas a gente releva, a luta foi legal, o epílogo é bem legal.
Uma coisa que eu gosto em Reborn é que o tema de ‘’amizade’’ da Shonen Jump é explorado de uma outra forma aqui. A diferença entre Tsuna e outros protagonistas da Jump é que Tsuna não é bom em fazer em amigos. Não da mesma forma que Naruto, que tem esse elemento externo de medo, mas pelo fato de ser simplesmente assim, desajeitado ao ponto do desconfortável. Luffy, Goku e Ichigo valorizam a amizade, mas a verdade é que eles nunca tiveram que batalhar para conquista-la. Então quando o epílogo foca no fato de Tsuna ter feito mais amigos, um deles que se torna basicamente o seu melhor amigo… bom, não só é muito forte como é a conclusão perfeita. Reborn é a história de um adolescente que é chamado de ‘’Tsunadinha de Nada’’ que cresce para ser uma pessoa querida por aqueles ao seu redor e que retribui isso com a maior gratidão. É legal ver esse tema se mantendo durante todos esses arcos.

A honestidade de Reborn é meio chocante, visto os 36 volumes anteriores…

A outra metade do volume começa o último arco de Reborn. A Maldição do Arco-Íris, o segredo dos Arcobaleno e aparentemente um torneio que envolve todos os personagens da série? É, tem cara de arco final.
Akira Amano simplesmente tem o dom de criar personagens ou muito bonitos ou muito bonitinhos, então é um prazer rever os Arcobaleno, os bebês mais poderosos da máfia. A capa desse volume é linda, mas até aí, todas as de Reborn são. É mais fácil apontar as que não são estupidamente bonitas.
A arte de Amano é maravilhosa. É uma das únicas artistas de mangá que eu consigo lembrar que usam tons de cinza para sombrear, principalmente na Jump. O resultado é maravilhoso, sério. Não tenho o que dizer, só joguem o nome do mangá no Google para conferir o nível. Acho que na Jump da época, só Tite Kubo se equipara ao cuidado e detalhe de Reborn.
(embora você pode argumentar pelo Oda também, mas o que ele não tem em estética, ele tem em narrativa, criatividade e impacto)
Reborn também está na sua reta final no Brasil. Eu sei que o mangá foi cancelado e, muito curioso, fui conferir a luta final. O que dizer? Só me resta esperar.

Que comece o fim.

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NANATSU NO TAIZAI / THE SEVEN DEADLY SINS 17

Embrace.

A cada edição o desenho de Nanatsu lembra mais Dragon Ball. Jesus…
(mas sendo justo, Nanatsu tem seu charme próprio sim. Além do mais, Pai Toriyama ainda é mas refinado. Nakaba Suzuki ainda tem um bom caminho pela frente).

Estou gostando bastante desse novo arco, após o excelente Arco da Infiltração. Claro, os problemas que me incomodam continuam (e até se aprofundam), como o ‘’humor’’ do Meliodas tarado com a Elizabeth passiva ou o fato de que os níveis de poder aqui ficam mais desbalanceados que Naruto em questão de dois capítulos. A questão é que é mais fácil relevar essas coisas quando o que está em volta é tão legal.
Nesse volume, finalmente conhecemos um pouco mais sobre o Meliodas. Um dos problemas que eu sentia com Nanatsu é que o Meliodas parecia um protagonista ainda mais ‘’vazio’’ que os acusados de sempre, tipo Ichigo e Natsu. Posso estar não lembrando de algo, já que eu não reli o mangá e li os 11 primeiros em dois dias, mas a sensação que eu tinha é que eu não conhecia nada do Meliodas a não ser o fato de que ele resolve as paradas e é praticamente um abusador compulsivo da Elizabeth (argh). 
Isso muda nessa edição. Se por um lado a capa infere que finalmente vamos ver o passado do Meliodas (não é o que acontece), dentro a gente tem o tradicional treino clichê de rever as piores memórias e blablabla. Exceto que dessa vez, eu entendi o Meliodas a partir disso. O fato de ele ser o ‘’Pecado da Ira’’. Na verdade, quero reler agora sabendo o que sei sobre o personagem, pois todas as suas ações vão parecer diferentes sabendo mais sobre ele. Vai ser interessante.

Os Dez Mandamentos e Os Mil Textos

E eu posso reclamar dos treinos curtos, meio aleatórios e sem imaginação (saudades treinos do Naruto), de personagens saltando de nível de poder de uma forma quase irresponsável com a história, de clichês e etc, mas meu amigo, minha amiga, não muda o fato de que é tudo bem empolgante. Nanatsu é o shonen com o ritmo mais acelerado que eu estou lendo. Lembra a Saga do Buu ou YuYu Hakusho, o leitor mal tem tempo de respirar. É lugar novo, é personagem novo, é gente se batendo, é poder que vem do nada, é gente se teleportando, é declaração de guerra, é um pouco de passado… Acho que parte do amor das pessoas por Nanatsu deve vir desse clima incrivelmente acelerado, ainda mais vindo de uma geração de Naruto, Bleach e o interminável, lento pra cacete One Piece. 
E quão legal é o Meliodas demônio? Quão legais são os Dez Mandamentos? Me sinto conhecendo uma nova Akatsuki. Sucesso.
E bom, eles são tão legais quanto a Elizabeth é terrível. Puta que pariu a cada volume fica mais difícil, Suzuki, não dá pra escrever uma boa personagem feminina, pelo amor? E não é nem o arquétipo da Elizabeth. A Orihime, a Saori, a Rin (do Naruto), todas elas cumprem mais ou menos o mesmo papel, mas nenhuma delas chora tanto quanto a Elizabeth com QUALQUER COISA que acontece com o Meliodas. Só espero que isso dela ser Druida leve a algum lugar. Por favor, Nanatsu…

The Wrath.

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ZETMAN 12 E 13

Vingança.

Zetman é um mangá bem japonês, por bem e por mal.
O que eu quero dizer com isso é que a ficção oriental tem uma crueldade muito particular, bem diferente da estadounidense. É difícil para mim explicar, mas Tokyo Ghoul, Old Boy, Shingeki no Kyojin… essa são obras ‘’cínicas’’, cruéis. Zetman tem um bom tanto disso.
Zetman é um mangá seinen, uma homenagem aos heróis de tokusatsu. Os inimigos são inspirados em animais, por exemplo, como se saídos de um reboot ‘’sombrio’’ de Changeman. A estética de Zetman é bem legal, mas claro, isso se deve ao fato de que Masakazu Katsura é um desenhista INCRÍVEL. O cara é um mestre. A ação é impressionante, a linguagem corporal das personagens é impecável.
E Zetman também tem uma dimensão de terror. Quando comprei os primeiros volumes na CCXP do ano passado, eu esperava lutas, eu esperava um pouco de nudez, mas Zetman é um daqueles mangás cruéis e a primeira cena de estupro já foi um choque pra mim. Ver a brutalidade, sexual ou física, continuar, se provou ainda mais chocante. Eu abro um volume de Zetman com um sentimento de apreensão. Isso é parte do apelo perverso de Zetman.

Declaration Of War

Não que seja um mangá ruim. É bem bom. Depois de um volume 11 necessário, mas meio chato, o volume 12 fecha um arco e o arco seguinte é bem melhor. O foco volta aos personagens, e Zetman é um daqueles mangás em que eu saboreio cada momento pequeno de felicidade. Eu sei o que vem na esquina.
E é óbvio que o cliffhanger é sangrento, chocante e empolgante. Zetman chegou no ponto sem retorno, e a partir daqui vai ser interessante ver para onde a obra vai.
Zetman te traz aquela sensação de danação, a sensação de que as coisas vão piorar muito antes de melhorar. A primeira cena do mangá já deixa claro: essa é a história de dois garotos, Jin e Kouga, Zet e Alphas, colocados em lados opostos por noções diferentes de justiça. O embate entre ambos é inevitável, e toda a série está lentamente construindo esse confronto. Estamos no ponto da história em que Kouga quer desesperadamente ser o ‘’melhor amigo’’ de Jin, que também está começando a se afeiçoar por ele. É como Clark e Lex em Smallville, um dos grandes acertos da série, onde você sabe que os dois estão condenados a se enfrentarem, então cada momento de amizade se torna trágico. É um ótimo efeito.
Ou pode ser que eu só gosto mesmo de histórias sobre rivais. Pode ser isso também.

É bem cruel mesmo, Jin.

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O que mais tem a ser dito?
Quantas palavras!!

Essa semana foi bem leve em filmes. Eu na verdade nem lembro se vi algum de fato. Mas eu ouvi bastante música, em contrapartida. Eis o consumo:

Long Blondes, ‘’Couples’’

Tudo que eu conseguia lembrar ouvindo esse álbum era do pequeno momento em Phonogram: The Immaterial Girl em que Laura Black (ou Laura Heaven? Hmm…) ouve esse álbum e grita em frustração porque o Long Blondes é sua banda favorita e esse álbum é supostamente horrível. Bem, não é horrível HAHA É bom. Nada excepcional. Do que ouvi, gosto mais do primeiro álbum da banda. Mesmo assim, tem uma produção bem interessante, um som que não é único, mas que eu não consigo descrever exatamente. Meu highlight é ‘’The Couples’’.

People have the nerve to tell me they’re lonely. / You’re not lonely. / I am, baby.

Saint Pepsi, ‘’Gin City’’

Entrando na onda do Vapor Wave, até agora Saint Pepsi foi a banda que me supriu. Eu gosto bastante da A E S T H E T I C do Vapor Wave, fiquei imaginando se conseguiria fazer uns! haha Meus dois highlights são a maravilhosa ‘’Disappearing’’ e a grudenta pra caralho ‘’Bieber’’. É a melhor música do Justin Bieber, fuck Sorry, fuck What Do You Mean, esse é O remix.

Los Campesinos, ‘’We Are Beautiful, We Are Doomed’’

Eu gosto de toda a produção dos Campesinos, mas esse ‘’EEP’’ ainda é meu trampo favorito deles. É sintético, todos temas (tanto musicais quanto em conteúdo de letra) se encontram aqui, mesmo que ainda em início. As letras são incríveis aqui. Gareth tem uma forma de misturar escatologia, sexualidade e o patético de uma forma muito palpável. É um tipo de solidão e decepção muito específico e irônico, como uma boa black comedy. Meu atual highlight é ‘’Documented Minor Emotional Breakdown #1'’.

She imagined everything I said in falsetto / The only way to justify my childish despair.

Weezer, ‘’Pinkerton’’

Quem me conhece sabe que eu não sou um grande fã de Weezer. Gosto dos caras até o Green Album e tenho um fascínio com o Raditude e o Hurley, mas não é algo que eu escuto muito. Pinkerton é a exceção. Pinkerton não só é o meu álbum favorito do Weezer, é um dos meus álbuns favoritos, ponto. É perverso pensar isso, mas esse momento de extrema fragilidade de Rivers Cuomo trouxe um peso para o som da banda que eles nunca iam recuperar. Tudo isso culmina em um rap do Lil’ Wayne. Argh. Mas isso só seria daqui muitos anos. Meu highlight é ‘’Falling For You’’, com aquele arranjo de guitarra lindo e delicado.

Holy sweet goddam you left your cello in the basement / I admired the glowing stars / And tried to play a tune / I can’t believe how bad I suck it’s true / What could you possibly see in, little ol’ 3-chord me?

Magnetic Fields, ‘’69 Love Songs Pt. 1'’

Indicado por uma amiga, esse foi um ótimo achado para mim. Hipster Folk Smiths, é mais ou menos isso. Uma mistura de Travis, Morrisey e Sparklehorse. É extremamente cativante. Os vocais de Stephen Merrit são bem únicos, realmente chamam Morrisey a mente, e as letras são muito espertas. Além disso, esse é um álbum conceitual ‘’não sobre amor, mas sobre músicas de amor, que não tem nada a ver com amor’’. Só o conceito já é excelente, mas aí o cara vai e faz 3 álbuns com 23 músicas cada?? This is my shit! Ainda preciso explorar, mas a segunda track, ‘’I Don’t Believe In The Sun’’, soa como um clássico instantâneo.

So I don’t believe in the sun. / How could it shine down on everyone / And never shine on me? / How could there be such cruelty?

Sara Bareilles, ‘’Little Voice’’

Eu amo Sara Bareilles. Principalmente esse primeiro álbum. Amo. Esse álbum me leva direto para 2012, primeiro ano em São Paulo, fazendo faxina na quitinete. É uma coleção maravilhosa de pop de piano, com letras espertas, quase nenhuma música chata (‘’One Sweet Love’’, argh) e uma mulher que canta inacreditavelmente bem. Nunca excessiva, sempre honesta. Que voz. Meu highlight atual é ‘’Love Song’’ mesmo, um dos únicos clipes da minha infância que me marcou o suficiente pra eu procurar o artista anos e anos depois, mas é sempre bom mencionar a incomparável ‘’Fairytale’’.

If your heart is nowhere in it / I don’t want it for a minute / Babe, I’ll walk the seven seas when I believe that there’s a reason to / Write you a love song today.

My Chemical Romance, ‘’Danger Days: The True Lives Of The Fabulous Killjoys’’

MCR é uma banda que merece sempre ser reouvida. A banda se reinventava de álbum para álbum e Danger Days é provavelmente o meu favorito. O motivo disso é sentimental: Danger Days é fortemente influenciado por Grant Morrison, minha pessoa favorita do Multiverso todo. É praticamente Os Invisíveis em forma de CD, com uma boa dose de pulp, western, punk e filmes trash. Estava reouvindo para um projeto que planejava e que terá de ser adiado, mas que com sorte sai um dia. Torceremos. Meu highlight é ‘’Party Poison’’, é basicamente a ‘’Saint Jimmy’’ das crianças legais.

This ain’t a party / Get off the dance floor.

Millionaires, ‘’Just Got Paid, Let’s Get Laid EP’’

Pra fechar a semana com chave de ouro, uma descoberta incrível. Millionaires surgiu da minha pesquisa por crunkcore. Wow. Just wow. É preciso ouvir, de preferência o EP todo, para sentir o que é Millionaires. Eu sinto que só estou começando a descobrir. É deliciosamente trash, deliciosamente fútil. Ao mesmo tempo, é interessante (note como elas reapropriam o bravado masculino para elas), irônico e dançante pra caralho. Aquele limiar entre paródia e seriedade, aquela Lei de Poe foda. Parte do meu interesse por crunkcore era incorporar no projeto citado acima, mas agora eu quero é incorporar na minha vida.

So bend me down, I’ll bring it up, I know I’ll make you sore.

(já chega né)
(tem mais semana que vem)
(20 mins de leitura, color me impressed)

4ever, dude.
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