Pau-brasil, pau milico

Faz pouco mais de um mês do incidente — ou melhor, massacre — ocorrido na minha querida Risca e que por uma coincidência do tempo não participei. Visito Bauru mais uma vez e, além da minha preocupação com os camaradas unespianos, havia também a preocupação com um pau-brasil que plantei há dois anos em frente à casa. Notei em alguns noticiários que a cerca em torno da planta havia desaparecido.

O nome desta planta é apenas um de muitos nomes comuns. Caesalpinia Echinata é seu nome biológico. Declarada árvore símbolo do Brasil conforme a lei 6.607 do dia 7 de dezembro de 1978 — possivel dizer que é uma lei nos moldes nacionalistas do período militar — eu a obtive em evento de encerramento de uma série de seminários de memória, história e direitos humanos, organizado pelo Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp Bauru em reminiscência aos 50 anos do golpe civil-militar de 1964. Eram 500 mudas distribuídas no centro do parque Vitória Régia, em Bauru, na forma do mapa brasileiro.

Três delas foram utilizadas em evento simbólico em homenagem aos irmãos de Laura Petit da Silva, plantadas pelo prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho. Poderia ser mais que simbólico e de efeito positivo em longo prazo se houvesse o manuseio correto e o cuidado das mudas pelos serviços da prefeitura. Em um mês, todas elas tinham secado. Ao menos é capaz que as demais 497 tenham se reservado a um destino melhor para Bauru e região.

Tratei de rearrumar a cerca — danificada mas ainda útil—, regar as folhas e a terra, e de podar algumas gaias da arabutã, ressecadas ou anêmicas de clorofila. As mesmas gaias e suas folhas podem ser usadas como adubo para a terra.

A planta cresce vagarosamente, firme e forte. Está com a altura em torno de 1 metro e meio.

Durante a poda do pau-de-tinta reparei em vários arranhões já cicatrizados. Provavelmente em razão das agressões, tiros e empurrões do acontecido. Uma gaia estava com fios de cabelo enroscados, curiosamente de tom vermelho, cor aproveitada da madeira e resina desta árvore. Fios de cabelos longos, tipicamente femininos.

Repleta de significado, esta árvore em especial acumula seus fatos históricos, que ainda por cima são, com bastante intimidade, assimiláveis.