Jackeline Susann
Aug 24, 2017 · 2 min read

“O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço.” (F. Nietzsche)

Eu tatuaria esta frase no peito.

Sentir-se sozinho por não se identificar com a maioria ou com a minoria que acha que tem respostas pras coisas …

A maioria classifico aqueles indivíduos que cumprem rigorosamente o ritual de sobrevivência sem questionar regras e convenções absurdas, justificando sua passividade com o dizer de que “assim é e sempre foi”. Essa maioria às vezes é ingênua. Não consegue ver além da instrução em que sua identidade foi formada, somente segue a trilha dos que parecem justo, íntegros e do bem .

A minoria que menciono é um outro tipo de grupo: o que dispõe de conhecimento para viver de um outro modo que não daquilo obviamente dado . São os que questionam, mas que não se movem. São os que recriam verdades, mas que não se esforçam para mudar a si ou ao pequeno universo com quem compartilha. Tem consciência do seu privilégio de ter conhecimento, mas acha que o simples fato de saber e questionar ameniza sua conta no inferno. Que as pessoas necessitam dele mais que ele delas. São os devoradores de teorias que reclamam, reclamam mas deixam as coisas fielmente no seu lugar . Esse sabe do que faz, mas prefere fazer uso do poder que tem para benefício próprio.

Numa escala de aproximação, faço parte do segundo grupo. Entretanto, vez ou outra me deixo seguir pela multidão. Parece mais leve, amistoso e automático. Não é preciso buscar grandes respostas, mas sim vivê-las somente.

Outras vezes, tomo o poder de pensar como a melhor habilidade humana. Essa posição tem um gosto amargo e é inquietante porque ao mesmo tempo que nos põe grandiosos, revela nossa pequenez e inconformidade avessa.

Em frações de segundo resisto a tudo isso. Sinto-me realmente sozinha, num grande buraco, por não permitir-me engolir dentro dos modismos que nos tranquilizam nas suas razões e nessas mesmas razões nos roubam de nós próprios, algumas vezes de maneira sutil e bastante sedutora.

)