Semana que vem ninguém mais vai se lembrar

O cara nasce, aprende a falar, a andar, estuda, cresce dia após dia, se forma como homem e como artista, trabalha, decide tomar um banho no rio e então deixa de existir. Quem fica se comove e se dá conta do quão frágil a vida é, mas na semana seguinte ninguém mais se lembra.

Pra que ter medo de morrer, se é tão fácil acontecer? Pra que ter medo de virar cada esquina se algo inesperado e banal pode te parar antes mesmo de chegar nela? Um instante e tudo acaba, com todos os problemas sendo resolvidos e deixados de lado ao mesmo tempo. Quem ficar vai sofrer, lamentar, mas um tempo depois e ninguém mais vai se lembrar — principalmente aquele que se foi.

A vida é tão frágil que cada dia vivido pensando demais se torna um desperdício. O que será que é melhor: uma morte estúpida acompanhada de uma vida cheia de realizações, ou uma morte esperada acompanhada de uma vida estúpida? A fragilidade de tudo isso é só mais um dos motivos pra cada um buscar sempre mais, seja lá o que for. O significado da vida é cada um quem dá, mas o da morte depende do que foi vivido.

Quando formos embora não teremos que pedir desculpas, dar satisfações ou consolar quem deixamos pra trás. Então vai, faz o que tem que fazer, ninguém anota todos seus fracassos num moleskine pra te jogar na cara quando sua hora chegar. No fundo ninguém se importa tanto pelo que você faz ou deixa de fazer, pois estão ocupados se preocupando com eles mesmos. Arrisca o que tiver de arriscar e proteja o que quiser eternizar, mas não se preocupa com o fim porque ele vem num piscar de olhos, e o que vai ter valido a pena é o que foi visto enquanto esteve de olhos abertos. Pode errar à vontade, passar vergonha, amar, odiar, escrever, rabiscar, nadar, se afogar. Semana que vem ninguém mais vai se lembrar.

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