Cartas ao acaso

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Todos os dias trocamos cartas, eu e o acaso, o acaso e eu. Algumas dessas cartas revelam puro amor em alguns casos, já em outros o sentimento de insatisfação é quem dirige a caneta que insiste em redigir nossos escritos. Em alguns dias, os argumentos do acaso são bem mais fortes do que os meus, também pudera, seu conhecimento sobre o mundo em que vivemos é bem mais vasto.

Porém, nos meus dias de máxima inspiração, quem ganha o prêmio de melhores argumentos sou eu, não acho que ser o dono da razão seja um grande título de propriedade, trata-se mais da inflação do ego, mas de qualquer forma, todos gostamos de ter razão de ver em quando. E além do mais, o acaso não se importa em perder a razão algumas vezes, aliás, nem sempre os dois se dão muito bem.

De vem em quando, eu deixo o acaso me guiar enquanto escreve cartas em que ele próprio é o destinatário. Por incrível que pareça, essas são as minhas melhores obras, as dirigidas pelo acaso. Talvez esse seja o apelido de um Todo muito maior, que refém do meu medo de não compreendê-lo ganhou esse codinome carinhoso.