Mitos de minha utopia

Foram importantes na história mitos que pautaram um modelo de comportamento social e político. Geralmente, estes ícones dos quais nos referimos com certo saudosismo, mesmo que tenhamos lido suas biografias ou referências, acabamos por superficializar seus feitos dentro daquilo que almejamos como norte de nossos sonhos. Não podemos nos aprofundar nos meios de suas conquistas sob pena de frustrarmos nossos fatores de motivação humana de ideais.

Digo isto para provocar a fórmula utilizadas por todos os que assim utilizam-se de referências pra seus valores e conceitos. Não posso concordar com o mar de sangue derramado por ordem ou omissão dos movimentos de Mandela, tenho que focar na luta, anseio e demanda dos fins, negando-me o direito de desfocar minha utopia. Tenho que negar os métodos corruptos de governabilidade política de Lula, pra justificar a saída de quarenta e dois milhões da extrema pobreza. Me vejo cético aos fuzilamentos promovidos por Che Guevara de militares ou militantes da direita golpista, estupradores e rebeldes de direita, para justificar um sonho de uma pátria livre do capitalismo radical, individualista e oportunista. Mas devo acusar Milton Friedman, Margareth Tatcher e Pinochet apenas pela sangria latina dos considerados sub-racionais latinos dignos apenas de serem cobaias de sistemas frios e calculistas de relações humanas reduzidas a meritocracia predatória?

Temos referências de todas as cores, métodos, resultados enfim. Meu discernimento não pode ficar preso a história que exige superficialidade e cegueira orgânica para ignorar os meios sob pena de desacredita-los. Isto posto, quem tem autoridade para me fazer escolher um caminho apenas tendo tantos outros? E superá-los? Alguém lhe provocou a tanto? Eu me negar a me pautar e começar do zero uma nova utopia é ser um subversivo social e político? Preferir o socratismo grego e questionar tudo e todos me tiraria do “círculo”? Tenho eu que me submeter simplesmente em acreditar ou não? Curtir ou ignorar? Não posso eu encontrar, alguém, pra conversar?

Jean Sestrem

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