O candidato na era dos aplicativos

Jean Sestrem

A sociedade, ou pelo menos sua grande maioria, chegou no momento em que muitos de seus problemas se resolvem em uma App Store. Quando lhes falta uma informação ou solução, basta um download e um clique para instalar e tudo resolvido.

A velocidade com que as pessoas estão se aconstumando a resolverem seus problemas cotidianos criou uma cultura nova e exigente que confronta de maneira instintiva a burocracia como um problema irritante e que soma com força a indignação atual e coletiva. A paciência acabou! O modelo de governança chegou a um impasse. O mundo virtual resolve tudo em segundos: cálculos, projetos, planejamento, comunicação, notícia, informação…

Mas como ser candidato e propor soluções que contemplem este impaciente e independente cidadão? Talvez seja, adaptando-se e se tornando um aplicativo vivo solucionador de problemas e planejador de práticas tangíveis.

A governança está ruindo, as pessoas além de não acreditarem mais, se organizam na distribuição de marcas negativas muito rapidamente através do aplicativo que ocupa 86% do tempo em rede da sociedade, o WhatsApp. Núcleos organizados por afinidades espalham na velocidade de um raio uma marca que pode assasinar qualquer ambição eleitoral.

Sabemos que política e campanha são tempos diferentes de condução de um projeto. A campanha é formada e administrada por marcas e o mandato por resultado das políticas que se transformam em marcas de campanha. As dificuldade se encontram agora no conflito mortal entre publicidade e conteúdo.

As marcas de uma campanha devem ser a referência do candidato e não o candidato ser mais a referência de uma “possível” marca, ou seja, o velho método da promessa que nunca se cumpre. Definindo melhor, podemos ver a transição desse modelo na iniciativa privada: quem é Bill Gates sem a REFERÊNCIA TANGÍVEL, SOLUÇÃO, MICROSOFT? Quem é Steve Jobs, sem a REFERÊNCIA TANGÍVEL, SOLUÇÃO, APPLE? Na nova sociedade, a promessa não vai mais dar certo, quem quiser representar precisará ter uma referência tangível, ser uma solução e usá-la a seu favor, ter legado, ter sido reconhecido pelo que JÁ FEZ. O candidato do presente será sem dúvida o que melhor reapresentar um aplicativo, a melhor solução e a mais barata. Mesmo assim corre o risco de ser mal avaliado.

Obrigado pela leitura

Jean Sestrem

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