O mito Vittar

Se abríssemos a visão para a grande oportunidade que se tem nesse momento, oraríamos fervorosamente pela vida de Phabullo Rodrigues da Silva Araujo, o conhecido Pablo Vittar.

Programa Altas Horas da Rede Globo, ago/2018

E m um sábado à noite no fim de agosto de 2018, após uma ter ministrado para jovens de uma igreja de Porto Velho-RO, levei minha família para jantar. Ao chegar no estabelecimento onde comeríamos notamos que havia apenas uma mesa desocupada, lá sentamos frente à TV que passava o programa chamado Altas Horas (Rede Globo).

Os convidados eram figurinhas carimbadas, pessoalmente achei que fosse reprise, dado a redundância já habitual da produção. As figuras mais ilustres, na minha opinião, eram os artistas Gilberto Gil (por muitos, considerado cantor ícone da MPB) e Pablo Vittar (fenômeno em ascensão), ambos mostrando seus novos trabalhos.

O cantor Gil, com a voz um pouco maltratada pelo tempo, canta sua versão de uma música de Bob Marley, “Não Chores mais. Após ser ovacionado pela plateia, recebe uma massagem de elogios de seu admirador Serginho, apresentador do programa.

Logo após uma rodada de perguntas, chega a vez de Pablo, dançando e rebolando ao som de mais uma música que aspira o sucesso. Nesse momento estava recebendo na mesa a comida que pedimos e notei que grande parte das pessoas estavam olhando para a televisor. Alguns meios atônitos, outros, sem esboçar reação. Era notório os burburinhos, risadinhas e olhares. Principalmente quando o artista fazia posições de sensualidade, normal do genro musical, mas deixando em evidência o volume em suas partes genitais.

Confesso que fiquei um tanto constrangido, claro que pelo horário se é permitido esta atração televisiva, mas é que estava com minha filha presente também. Claro que não podia me programar para uma situação assim, nunca me preocupei direito com essas coisas. Era inevitável não chamar atenção, não só pelo volume, mas também pelo apelo visual do conjunto da obra.

Para mim não vem ao caso as questões de sexualidade, não me afeta tanto a opção de qualquer indivíduo que seja. Em verdade, acredito que cada um tem seu destino traçado com base na fé que professa. Quanto a isto estou bem resolvido, respeito demais.

Quando o momento encerrou, consegui ficar um pouco menos desconfortável, apesar dos olhares que passavam por cima de nós tentando assistir à programação. Passei a prestar atenção na fala e postura do(a) cantor(a), que interagia com os outros convidados a cada rodada de perguntas. Percebi que ao falar de si e sua trajetória, emocionava-se e ficava em silencioso após um embargo de voz.

Ao falar do apoio de sua mãe, a quem disse dever tudo o que se tornou hoje, declarou que foi ensinado(a) por ela que devia ser forte e que em casos de intolerância aguentasse firme se não seria pior.

É impossível não se comover com esse relato, pessoalmente falando, não imagino como Pablo enxerga o mundo. Pelo fato de ter trejeitos de afeminado desde a infância, como relatado pelo mesmo, deve ter enfrentado muitos turbilhões de sentimento de insegurança quanto ao julgamento social ao qual todos estamos sujeitos.

No entanto, observei também, a reação das pessoas ao seu redor com olhares de afago, pena e desconforto ao se depararem com a ferida ainda aberta no artista. Ainda doe falar sobre as experiencias de sua vida, mostrando que ainda não se pode supera-los até o momento, e isso está sendo observada por tantos outros que se identificam com os seus anseios.

Sem contar com o apresentador, que sente que precisa instigar mais um pouco o convidado(a), afim de que, presumo eu, estimule a promoção de sua experiencia de caso para comover os que estavam ali e quem estava em casa.

Gosto do programa, respeito a história do Serginho, porém, achei que faltou um pouco de sensibilidade quanto à o objetivo de leva-lo a essa exposição. A não ser que o programa fosse temático, para quê tocar num assunto que ainda machuca tanto?

Entendo que, Pablo Vittar, tem sido levado pelo seu público e admiradores a um patamar de referência na luta das causas LGBT. Por muitos é tido(a) como símbolo de “empoderamento”, o que em verdade está em alta no dia a dia. O que me deixa irritado, de verdade, é não ter certeza se ele(a) tem a consciência real do que está representando.

Sinceramente acredito que o artista nunca, nunca mesmo, teve a pretensão de ser representante da classe gay ou qualquer outra classificação. Na verdade, só queria mesmo era ser uma estrela, assim como todos as centenas de pessoas talentosas que existem por aí. Ele só queria “rebolar a bunda”, como sempre diz em seus vários bordões.

É inegável o grande talento, voz, criatividade e desenvoltura no palco. Há quem goste e se divirta. Há quem se incomode e muito. Como muitos artistas e estrelas, ele expressa o que tem em si. As letras de suas canções exaltam, celebram, os prazeres da noite regados com álcool e badalações. O que é típico de seu público, são eles quem se identificam e dão o retorno em forma de adesão e consumo de sua produção.

Evidente que seu sonho é ser como a Beyoncé, ter o poder que ela tem. Qual seria o problema disso? Nenhum, na minha opinião! Quem nunca teve ambição de ser como seu ídolo? Até eu, queria ser a Beyoncé! (risos). Brincadeiras à parte, meu caro leitor, quero com isso apenas ressaltar que “nos tornamos aquilo que adoramos”. Somos produto de estímulos e influências que aceitamos no decorrer de nossas vidas, é natural.

O problema é que ele(a) estava preparado para ser astro, mas talvez não para ser símbolo político. Aos poucos foi conduzido para uma viela dolorosa, “chamado para cristo”, para batalhar em uma luta que talvez não quisesse ou ainda não queira. Usado(a) por militantes como o a representação de classe, nova visão revolucionaria de cultura. Por religiosos, usado como símbolo de desconstrução de princípios irrefutáveis.

Não entrarei nesse mérito, por ainda um fenômeno social a repercussão disso tudo, porém não posso deixar de dar minha posição sobre Pablo Vittar. O cantor(a), é sobretudo além do talento, um ser humano evidentemente comum. Seus trejeitos afeminados em apresentações e entrevista, as que pude ver, não me causaram simpatia. Apesar de gostar de música pop, que mistura de tudo, não me inspira e nem me causa identificação. Pessoalmente não me identifico em nada com suas músicas e nem sua pessoalidade, mas não me ofendendo com isso. Claro que, se fossemos próximos, dificilmente teríamos assuntos em comum. Nem por isso, por sermos diferentes, seria motivo de não coexistimos.

Diria que Pablo Vittar não seria para mim uma inspiração, e nada tem contra quem se inspire nele, mas o que quero dizer é que para mim ele não serve como ícone. Nada impede que no futuro eu possa enxergar nele(a) alguma virtude que transcenda sua condição sexual, assim como Renato Russo (Legião Urbana), Freddie Mercury (Queen) e outros astros com a mesma orientação que deixaram um legado de inteligência e coerência no campo das artes e etc.

Pablo representa nesse momento, a menos o que pude observar, uma multidão de várias pessoas ressentidas, magoadas com o que a vida lhes apresentou até o aqui. O choro dele(a) é o choro da carência de não se haver uma identidade formada, prejudicada. Quem o segue, torna-se também parte dessa carga sobre seus ombros.

O ressentimento seja ele em qualquer camada da sociedade é prejudicial a quem o adere. Acredito que se precise um trabalho urgente de fortalecimento em sua alma e espírito. Claro que para mim, de criação e dedicação cristã, esse trabalho é feito na busca de sintonia com Deus. Pois só ele pode satisfazer os anseios dos corações do homem. Não que ele satisfaz nosso desejo, o que queremos, mas sim, ele satisfaz o que precisamos. Tendo invista que nem tudo o que queremos é o que precisamos.

Há nesse ícone uma ferida na alma, ressentimentos brutais! Esta ferida precisa ser tratada, sarada. É urgente! Se tornamos ao entendimento de que “cada um se torna aquilo que adora”, é fato que toda uma geração está à mercê de continuar a acumular feridas, por seguir um ídolo machucado.

Com esse entendimento, após um mapeamento básico sobre o caso, rogo a Deus que mais pessoas consigam enxergar além de preconceitos e militâncias. Que trazer à tona o que é de fato produzido num verdadeiro coração cristão, compaixão. Compaixão por quem chora, não que se deva chorar também, mas ser um ombro amigo e posteriormente uma escada para o Reino dos Céus.

Se abríssemos a visão para a grande oportunidade que se tem nesse momento, oraríamos fervorosamente pela vida de Phabullo Rodrigues da Silva Araujo, Pablo Vittar. Na consciência de que outros o seguem, diríamos: Que o Senhor o abençoe, guarde; faça resplandecer sobre ele seu rosto; tenha misericórdia; que sobre ti levante o rosto e te dê a Paz; Amem!

Jéferson Dino de Sousa
acadêmico em jornalismo; editor de vídeo (TV Allamanda Sbt); designer gráfico (freelancer); músico; compositor; cantor; marido; pai; pastor cristão amador.

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