Sobre Mass Effect, tempo e textos antigos

O tempo é uma coisa realmente engraçada, ele consegue fazer mudanças significativas no nosso modo de encarar a vida e o que nos cerca. E como uma pessoa que escreve na internet desde que passei a ter computador — sempre tive blogs e gostei de exercitar a escrita — acabei esbarrando com um texto de 4 anos atrás sobre meu novo amorzinho Mass effect 3.

Sempre tive um incrível preconceito com os games shooters (popular arminha foda, atirar, matar inimigos, olha a granada vindo, etc) porém sempre vi que esse era um titulo que vende muito, veja o Halo, Call of duty, Dust, e também Mass Effect.
Adquiri a alguns dias o último listado, o Mass Effect 3, e preciso dizer que fiquei simplesmente apaixonado pelo jogo.
O jogo desenvolvido pela BioWare, para PS3 e Xbox 360 (dizem que logo terá para o Wii U), e segue a historia da Terra contra a ameça dos Reapers, uma entidade cósmica mecânica que deseja eliminar as entidades biológicas. No centro da historia encontramos o comandante Shepard (customizável e possível a escolha de sexo) tentando salvar e unir as mais diversas raças alienígenas para a batalha final com o Reapers.

Curiosamente, como eu noto nesses primeiros parágrafos que: A) eu escrevo mal; B) é importante ressaltar que eu cai em Mass effect 3 de paraquedas; C) eu tinha preconceito com gêneros de jogos (shame on me).

Falando especificamente dos itens C e B, eu não conhecia muito da franquia Mass effect, na verdade quase nada. E atualmente e uma das franquias que mais gosto do gênero RPG/Ação/shooter (apesar de considerar os jogos da Bioware bastante complexos para enquadra-los dentro de gêneros fixos)

Agora vocês devem estar pensando “Ok, mas o que esse jogo tem de tão especial?”, simples meu amigo além de uma jogabilidade em terceira pessoa mesclada com primeira, a historia é incrivelmente cativante e as decisões que você toma no meio da historia verdadeiramente influenciam que personagem vive, qual será seu aliado e como a mídia verá a sua historia.
Existem inúmeras possibilidades de soldados, de customizações e de poderes, e tudo isso realmente faz a diferença. E tornam o jogo incrivelmente cativante.
A jogabilidade é muito boa, e a curva de aprendizado proporcionada pelo jogo faz com que você possa se acostumar a tudo aos poucos(fator importante, visto que cada shooter possui uma jogabilidade similar, porém com peculiaridades).

Eu não tinha muito contato com jogos da Bioware então fiquei bastante impressionado com o modo como as decisões dentro do jogo vão gerando consequências que você acaba não esperando (imaginem minha surpresa quando eu descobri que as consequências veem incidindo desde o Mass effect).

Hoje em dia parece algo bastante natural termos esse tipo de mecânica, mas na época como eu havia tido pouco contato com jogos de PC (que já possuiem jogos com essa mecânica por exemplo), foi algo bastante inovador e ativante para mim.

E a historia… A historia é um show a parte. Eu sou fã de Sci-fi a anos e a ambientação das raças e de toda a historia da humanidade dentro do jogo é feita de modo natural.As ações que tomam os podem sim levar uma raça a extinção, fato esse que me levou a refazer uma missão apenas pra salvar a raça de um aliado (nunca me imaginei tendo este cuidado com um shooter por exemplo).
E Mass Effect 3 inovou, pois além da diversidade de raças há também a diversidade sexual, meu personagem por exemplo é gay e tem envolvimento com um personagem da tripulação (e sim mostra os dois se beijando e na cama acordando juntos) e tudo isso me cativou e me fez ter um nível de imersão na historia que eu obviamente não imaginava.
Talvez esse seja a grande sacada do Mass Effect 3. O foco não sãos as batalhas contra aliens incríveis e armas potentes, o grande foco do game é uma historia intricada e cativante que nos leva a um nível de imersão e “carinho” pelos personagens que não estamos acostumados a experimentar nesse estilo de jogo.

Neste ponto está o cerne da questão de amor ao Mass Effect 3, há 4/5 anos estava começando a me aceitar, ou melhor, me identificar mais facilmente como homossexual, e ter possibilidade de me expressar dentro do jogo com a minha sexualidade foi um divisor de águas e um modo de analisar minha vida e meus anseios na época.

Gosto de pensar que de certo modo, Mass effect 3 me ajudou a considerar questões como representatividade e direito das minorias, pós me fez sentir na pele o quanto possuir a sua própria representação dentro de um jogo muda nossa perspectiva de realidade e imersão.

Hoje a ideia de não haver um personagem LGBT excluído de alguma mídia (ou representando de modo ruim) me incomoda, mas apenas por haver empresas corajosas como a Bioware que fizeram eu me sentir parte do universo, parte da sociedade (mesmo que ficcional).

(Quatro anos se passaram e eu ainda não aprendi a terminar um texto decentemente)

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