Morning Call 21/09/2016

Brasil — Lula réu na Lava Jato, PEC dos gastos incerta para Ministro.

Ministro da Saúde diz não ter certeza se PEC do teto será aprovada — Em claro descompasso com o resto da equipe do governo, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse não ter certeza se a proposta da PEC que limita os gastos públicos será aprovada pelo Congresso. A medida é considerada essencial pelo governo e por investidores, e vem sendo amplamente defendida pelo Planalto. Em entrevista ao Estado, ele afirmou estar distante das negociações diárias e que, por isso, preferia não arriscar nenhuma avaliação. “Não tenho certeza de que a PEC do Teto será aprovada”, afirmou. “Não estou acompanhando quais são as pressões para se construir a maioria.”

Lula vira réu na Lava Jato e será julgado por Moro — O juiz federal Sérgio Moro acolheu a denúncia da Procuradoria da República e tornou o ex-presidente Lula réu em ação penal da Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O petista foi acusado formalmente de receber R$ 3,7 milhões em benefício próprio — de um desvio total de R$ 87 milhões — da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. É a primeira vez que o ex-presidente vira réu em processo na 13ª Vara Federal de Curitiba sob a acusação de se beneficiar do esquema de corrupção e desvios de recursos da Petrobrás. Também vão responder como réus na ação penal sua mulher, Marisa Letícia; Paulo Okamotto, e José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, entre outros.

Acordos salariais abaixo da inflação — Segundo levantamento da Fipe com base em dados do Ministério do Trabalho, as negociações coletivas em agosto resultaram em ajustes salariais abaixo da inflação. Das 162 negociações de ajuste analisadas, 17 não só não conseguiram repor a inflação como levaram à redução de salário e de jornada. A mediana do piso salarial com vigência em agosto foi de R$ 1.060, valor 20,4% maior que o salário mínimo. A categoria foi a mais afetada pela perda de salários: quase 65% das 527 negociações que resultaram em queda da remuneração e redução da jornada aconteceram na indústria metalúrgica.

Fed é destaque do dia — A agenda desta quarta-feira tem como destaque a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês), às 15h00, com entrevista coletiva da presidente da instituição, Janet Yellen (15h30). O presidente Michel Temer participa de uma série de reuniões em Nova York, durante viagem na qual participa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em Brasília, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e diretores da autarquia recebem representantes da Fitch. O presidente em exercício, Rodrigo Maia, participa de evento em São Paulo (14h00). A ex-presidente Dilma Rousseff participa do comício de Jandira Feghali (PCdoB-RJ), às 17h00. O Banco Central divulga o fluxo cambial semanal (12h30) e realiza leilão de até 5 mil contratos de swap cambial reverso (9h30).

Mercados Internacionais — Surpresa do BoJ e aguardo do Fed.

Bolsas da Europa e NY em alta — A decisão do Banco do Japão e o avanço dos preços de petróleo impulsionam as bolsas europeias e futuros de NY, que aguardam a decisão do Fed à tarde.

BoJ define meta para juro de JGB de 10 anos como novo pilar de sua política — De maneira inesperada, e bem recebida pelos mercados, o Banco do Japão, BoJ, introduziu uma meta de 0% para o juro dos bônus do governo japonês de 10 anos, em nova tentativa de afastar o risco de deflação no país. A chamada “nova estrutura” do BoJ coloca a taxa de juros de 10 anos no centro de sua política, em contraste com a abordagem do BC japonês nos últimos três anos e meio, período em que as compras de ativos e a expansão da base monetária eram os principais instrumentos. Fora esse anúncio a taxa de depósitos foi mantida em -0,1%, o volume de compra fundos de índices de ações continuará em 6 trilhões de ienes, e a compra de bônus do governo segue em 80 trilhões de ienes.

Exportações japonesas em nova queda — Marcando o 11º mês seguido de queda, as exportações japonesas declinaram 9,6% em agosto, quando comparadas com agosto de 2015, atingindo o patamar de 5,316 trilhões de ienes (US$ 52,3 bilhões). A previsão do mercado era uma queda de 7,2%. Em termos de volume, no entanto, as exportações avançaram 0,9%, no mesmo período, segundo pela primeira vez em dois meses. As importações caíram 17,3% na comparação com agosto do ano passado para 5,335 trilhões de ienes.

Bolsas da Ásia avançam — A surpresa vinda do BoJ impulsionou as bolsas asiáticas, principalmente ações de bancos e seguradoras. O Nikkei, que reúne as empresas mais negociadas na capital japonesa, subiu 1,91%. Na China, o índice Xangai Composto avançou 0,10%, enquanto o Shenzhen Composto teve ganho de 0,28%. Em outras partes da região, o Hang Seng teve ganho de 0,59% em Hong Kong.

Petróleo avança — Às 9h00, o WTI para outubro avançava 1,91% a US$ 44,89 por barril na Nymex, enquanto o Brent para novembro avançava 2,07%, a US$ 46,83 por barril na ICE.

Ibovespa Futuro

Fluxo para Monitorar:

Petrobras — Redução no preço da Gasolina até final do ano

A Petrobras deve anunciar até o fim do ano uma redução no preço da gasolina. A intenção é anunciar a medida junto com uma nova política de preços para os combustíveis, cujo critério será o alinhamento do preço praticado no Brasil com os do mercado internacional. Atualmente, a gasolina comercializada no Brasil está até 30% mais cara que na média dos preços no exterior.

A intenção da política de preços que está em estudo é trazer mais transparência e também atrair parcerias para investimentos no refino de petróleo, tanto em refinarias já operantes como em projetos ainda não concluídos. Hoje é praticamente um monopólio estatal. Com uma política de preços transparente e investidores privados em parceria, a direção da Petrobras acredita que não haveria mais espaço para manipulação de preços pelo governo — os preços passariam a ser regulados exclusivamente pelo mercado.

Notícia levemente negativa, mas vale afirmar que se a empresa anunciar uma metodologia de preços de combustíveis, retira-se o viés intervencionista. Seguimos recomendando exposição ao ativo.

América Móvil tem interesse na Oi

O grupo mexicano América Móvil, dono da Claro, Net e Embratel no Brasil, tem interesse em comprar a Oi, seja como um negócio total ou em partes. A transação vai depender dos detalhes que a Oi informará para a venda de seus ativos, do que a regulamentação brasileira vai permitir e do preço, disse ontem ao Valor, Daniel Hajj, CEO da América Móvil. Ele afirmou que tem interesse em todas as áreas da Oi — infraestrutura de telefonia fixa e banda larga, serviços móveis etc. “Estamos abertos a ver tudo”, afirmou. “Estou muito interessado em participar da consolidação no Brasil, mas não sei como será feita”, acrescentou o executivo, que participou ontem do evento de serviços móveis GSMA Mobile 360 Series, na Cidade do México. “A consolidação será muito boa para o Brasil e para o mercado”. Mas, para que esse processo ocorra, além de a Oi estabelecer suas condições, os órgãos regulares e antitruste brasileiros precisam dar o aval.

Itaú levará o varejo do Citi?

De acordo com o Broadcast, O Itaú Unibanco negocia com exclusividade a operação de varejo do Citibank no Brasil. As fontes, no entanto, não sabem afirmar se o Santander Brasil continua na disputa, mas alegam que o interesse dos espanhóis pelo ativo diminuiu, facilitando a chegada do concorrente, que teria feito uma oferta maior. Tanto o presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães, quanto o presidente do Itaú, Roberto Setubal, estão em Nova York neste momento, e, de acordo com fontes, estariam negociando os detalhes finais da aquisição. A permanência do Itaú até o final da disputa pelo Citi chamou a atenção do mercado, que sempre considerou o Santander como favorito em levar o ativo. Uma fonte diz, porém, que a oferta feita pelo espanhol teria sido “baixíssima”.

Companhias Aéreas — Isenção para leasing de aviões?

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, entregou ontem ao secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, estudo para pedir que o setor aéreo continue isento de tributação em operações de leasing. A mudança, se permanecer, vai implicar em um custo anual de R$ 1 bilhão à Gol, Latam, Azul e Avianca, também trazendo um custo maior ao consumidor final. Quase 60% da frota brasileira de aviões têm contratos negociados na Irlanda. “Nossa demanda é que todos os contratos de leasing permaneçam na situação atual [isentas]”, disse Sanovicz. Há uma semana a Receita publicou a Instrução Normativa 1.658, que incluiu Irlanda, Curação, São Martinho e o regime de holding da Áustria na lista de países considerados paraísos fiscais.

Randon — Dados preliminares de receita no mês de Agosto
 A Randon informou que a sua receita líquida consolidada atingiu R$ 185,9 milhões em agosto, 37,2% menor que a registrada no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano até agosto, a receita líquida consolidada totalizou R$ 1,826 bilhão ou 9,2% menor que no acumulado no mesmo período do ano anterior.

A Receita Bruta total (sem eliminação e com impostos) atingiu R$ 264,8 milhões no mês passado, 30,7% menor que aquela de agosto de 2015. No acumulado do ano, a receita Bruta totalizou R$ 2,563 bilhões ou 7,6% menor que no mesmo período do ano anterior.

Helbor — Aumento de Capital
 O conselho de administração da Helbor aprovou o aumento de capital da companhia no valor de até R$ 120 milhões, com a emissão de 68,2 milhões de ações ordinárias, ao preço de R$ 1,76 por papel. O objetivo do aumento, segundo a companhia, é fortalecer sua estrutura de capital para reduzir seu endividamento líquido e, consequentemente, o atual nível de alavancagem.

Caso as ações sejam subscritas em sua integralidade, o capital social da Helbor passará a ser de R$ 926,3 milhões, divididos em 325,881 milhões de ações ordinárias. Os acionistas controladores da companhia, Hélio Borenstein Administração Participação e Comércio e Henrique Borenstein se comprometeram a aportar um valor de até R$ 70 milhões mediante a subscrição de até 39,7 milhões de ações.

Bradesco — Proposta de pagamento de JCP
 A diretoria do Bradesco decidiu submeter ao conselho de administração da companhia a proposta para pagamento de juros sobre capital próprio no valor total de R$ 3,317 bilhões. O montante é relativo ao terceiro trimestre de 2016, e corresponde a R$ 0,571123466 por ação ordinária e R$ 0,628235813 por ação preferencial. O conselho irá se reunir no dia 30 de setembro para decidir se aprova o pagamento.

Weg — Pagamento de JCP
 A WEG aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio no valor bruto de R$ 93,8 milhões, que corresponde a R$ 0,058 por ação. Segundo comunicado, o pagamento será feito com base na posição acionária em 23 de setembro, com os papéis passando a ser negociados na forma “ex” a partir de 26 de setembro. O pagamento do JCP ocorrerá a partir de 15 de março, sob o valor líquido de R$ 0,049 por ação.

TOP SI x Free Float

Abs,