A BORBOLETA E A PEDRA

Olhando o quintal de casa vejo uma linda borboleta parada em uma pedra. Uma pose de saudação que cativa. A pedra era imóvel e frigida, incapaz de retribuir a beleza da borboleta. Estamos em maio. — Oi, lindo — Diz a borboleta.

— Olá

— diz seco a pedra.

— Esta bem?

— Em minha atual posição, estou com uma leve dor na lombar. A borboleta estava sobre a pedra, pousada, mas ao ouvir isso bate as asas para pousar em frente a pedra e diz:

— Desculpa, devo estar um pouco pesada… Ou gorda. A pedra riu. Uma gargalhada rouca, pouco se ouvia essa gargalhada, mas era tão sincera. — Está rindo do que?

— De você.

— Virei piada agora?

— Não. Apenas estou rindo de você diante da situação.

— Como assim? Não entendi.

— Eu sou uma pedra. Não me movo desde que… Não faço a menor ideia há quanto tempo estou aqui parado. Mas não importa. O que quero dizer que você não provocou a dor nas minhas costas e nem é pesada.

— Ah. A conversas, as vezes rápidas, outras vezes demoradas, era iniciada por ela. Pois, em uma rápida analise você compreendia que ela que tinha capacidade de chegar até ele. Estamos em julho. O inverno era algo bom, até.

— Você deveria ter visto aquele dançar de folhas das arvores.

— hmmm — O silencio dele não era de desaprovação.

— Você está bem? — disse a borboleta pairando sobre ele. Ele nunca gostou de vê-la assim. Sobre ele, voando. Ele sabia que ela estava perdendo seu tempo com ele. Ainda não conseguiu compreender o motivo disto, mas também não queria ser o responsável de seu afastamento.

— Estou. — Responde ele, apos olhar o céu. Ele estava de baixo da sombra da minha casa, o sol era contrario a sua posição. Ele só enxergava a sombra.

— Você pode fazer um favor? — Deu continuidade a Pedra.

— Claro, posso fazer qualquer coisa. — Foi logo adiantando a borboleta.

— Eu nunca olhei o sol nesse horário. Suponho que este esteja no tal horário de por do sol. Pode voar e me dizer como ele está hoje?

— Claro! Ela voou sobre a casa e pousou sobre a calha e ele, com um olhar caído, a acompanhou. Não era a altura suficiente e voou mais e ele, a Pedra, continuou a acompanhar. Ela parou no ar. Lindo era seu bater de asas. Qualquer criatura poderia sentir a beleza dela. O que era ainda mais belo por ter o sol, do entardecer, cravando sua luz sobre suas belas asas. — Ei! — Retorna a borboleta, exaltada, dizendo o que viu. E detalhou o que pode e tentou explicar aquilo que ele não entendia. Sorrindo, ele pensava, que jamais conseguiria acompanhar ela. — O que você tem?

— Nada. Estou apenas te ouvindo.

— Não. Você pode estar forçando esse sorriso lindo, mas seus olhos estão tristes.

— Não é nada. É coisa de sua imaginação.

— Tá. Mas se quiser falar, fale.

Novembro. A noite chove e a Pedra está a deriva. Faz uma semana que ele não recebe a visita dela. Não é de se impressionar. Ele a magoou. Janeiro. Uma coisa boa do verão que ele gosta é a possibilidade de ver as coisas trabalhando, mas queria fazer algo alem de ver. Fevereiro.

— Ai ela me disse que já foi feia. Como aquela linda borboleta quer falar de feiura sendo que ela não convive com isso o tempo inteiro?!? — Relembrava a Pedra— Quando eu estava la no alto via um monte de coisa. As coisa se transformam pra melhor, mas algumas ainda não mudaram por dentro e não aceito a mudança de fora. — Mas eu jamais mudei. Eu sempre fui assim. Uma rocha! Pedra! Uma coisa incapaz.

— Olha — continuava a companhia momentânea da pedra — Sei como é difícil.

— Não. Não sabe. Nasci a tanto tempo atras e até hoje as mudanças que tive foi baseado em perdas. Minha mudança jamais foi pra algo belo, mas sim pra algo rude.

— Talvez seja a mudança interna qu…

— Não me venha com auto ajuda.

O silencio foi instaurado no momento seguinte até que uma bondosa brisa levou a folha, já gasta, para um outro lugar mais agradável. A Pedra jamais encontrará sua borboleta de volta, pois forçou-a a seguir seguir a natureza correta das coisas.