O Despertar da Força: a experiência.
“Toca o filme logo!”
17 de dezembro de 2015. Cinemark Mooca Plaza Shopping. A febre de 1977 volta aos cinemas, e eu participava dela pela primeira vez. A manhã e a tarde se resumiram em rever os incríveis Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, criando um hype absoluto para o que poderia ser o filme da minha vida: meu primeiro Star Wars no cinema, minha primeira pré-estreia à meia-noite, e mais importante, a grande revisitação aos heróis de uma galáxia muito, muito distante.


Antes de tudo, entenda bem: muito de minha infância se passou em Star Wars, apresentado pela minha família. Mesmo tendo consciência da importância de outros filmes como Homem-Aranha (2002) e Jurassic Park (1993), a notícia da compra da Lucasfilm pela Disney e o anúncio de Episódio VII me trouxe um turbilhão de sentimentos inéditos e incomparáveis, e na sua maioria nostálgicos. Trazer à tona os sentimentos que tive ao ver a luta épica entre Darth Vader e Luke no Retorno, as manobras incríveis de Han Solo na Millenium Falcon e o fascínio pelo visual e o som do sabre-de-luz sendo ligado em todos os seis filmes foi algo inesperado. Portanto… o que esperar de Episódio VII, até então sem subtítulo?
Fotos do elenco, artes conceituais e rumores vazavam ou eram publicados constantemente, e consumindo-os com cuidados contra spoilers, meu frenesi para o final de 2015 crescia gradualmente. Todo dia eu entrava em sites como Omelete e Making Star Wars, me empolgando com qualquer pequeno rumor e comentário de J. J. Abrams, que por sua vez, mantinha uma postura parecida com a que teve no desenvolvimento de seus dois Star Trek, escondendo seu filme ao máximo.


Todavia, entre as artes conceituais do personagem que seria Rey, rumores sobre filhos de Han Solo e as grandes perguntas “onde está o Luke?” e “o Império realmente acabou?”, podia-se ver o receio chamado A ameaça fantasma nos olhos dos fãs, e por mais que o filme me trouxesse sentimento nostálgicos, já tinha plena consciência de quão ruim era o filme e seus dois sucessores. Mas ao mesmo tempo que era visto receio, também era visto confiança, e justificada pelo trabalho da Disney com a Marvel Studios… é, podemos dizer que eu tinha pouco medo de Episódio VII.
Mais de um ano antes de seu lançamento, em novembro de 2014, é liberado o primeiro teaser de Episódio VII, com 88 segundos de relances dos novos personagens: Finn, Rey, Poe e Kylo. Ah, sim, claro: e BB-8, a jabulani. Apesar de tão pouco, o teaser elevou minha confiança e expectativa, que logo, em abril, com o segundo teaser visto numa generosa tela de cinema, culminaram me dando a certeza da qualidade do filme. “Chewie, we’re home.”


Meses se passaram, fotos oficiais das filmagens eram liberadas e comecei a entender: tenho que ver menos informações. O ideal era ver o filme sem saber o que esperar, mesmo sabendo que apesar de já ter liberado dois teasers, J.J. e Disney não entregariam o filme tão facilmente. Porém, caminhando para a reta final do ano, tivemos o trailer, que apenas me fez subir no meu DeLorean e pular para dezembro. Lágrimas já rolavam antes do filme.
Então, tudo foi conciso: comprei meu ingresso, aguardei dezembro como o urso do pica-pau e logo, quando vi, lá estava a data: 16 de dezembro. Pus minha camisa com a figura do Han Solo tocando guitarra – Han’s Solo –, subi no ônibus, entrei no shopping e, numa sala cheia de cosplayers de jedis, aguardava o filme ser iniciado. “Toca o filme logo!” gritou o sujeito atrás de mim. “Põe pra rodar!” gritou o na frente. “VAMO LOGO!” eu gritei. Então, começaram os trailers de filmes que simplesmente não eram Star Wars, e por isso os estava detestando.
É então que se fez silêncio, o logo da Lucasfilm apareceu, prendi o fôlego. “Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante..”

