O Mito de Arbur Estela

No princípio...

Era terra, mata, animal, era a selvageria inicial de um globo que dividido ao meio possuía terras vastíssimas. Havia um ser chamado Arbur Estela. De onde vinha, não se sabe. Já estava.

Vendo que estava só, Arbur decidiu criar de sua barba, negra como a noite, alguém que fizesse companhia. E assim fez: criou Tartin e Zultin. Esses outros dois seres eram dois irmãos gêmeos, inseparáveis em pensamentos, revelavam e transpareciam beleza e suavidade no trato, cúmplices em tudo, possuíam o amor verdadeiro de dois incompletos. Jovens como o orvalho no amanhecer.

Arbur, certa feita, quis conceder a um dos dois a grandeza e imponência de sua barba, cujos dons eram inexoráveis, faziam tremer a terra a seus pés. Mas, para isso, Tartin e Zultin tinham que mostrar seu valor e merecimento.

Zultin prometeu ao pai que lhe traria a mais bela gema de toda aquela extensão de terras. Tarefa difícil, dado que tudo ali crescia de maneira abundante, numa infinita variedade, com cores das mais diversas. Tartin decidiu aguardar somente para que o pai recebesse uma surpresa.

Zultin ficou nove dias em busca da gema, todavia, como não encontrou na terra nada que pudesse ser digno do seu pai, buscou no céu uma das luzes brilhantes que lá pairavam. Enquanto isso, Tartin vendo a genialidade de seu irmão, convenceu-o de que, caso desse a ele aquela luz, seria seu servo para sempre. Zultin, considerando as benesses da promessa, assentiu.

Ao apresentarem-se, Arbur que, conhecia a essência dos seus filhos, percebeu o ambicioso olhar de admiração que ambos traziam sobre ele, fazendo crescer dentro dele o desejo de ser o ser mais belo e desejado ser daquelas paragens. Assim, tingiu com a cor do crepúsculo sua barba, até então negra, e vestiu-se com o colar de luz que recebera, confeccionando outras duas insígnias que o tornaram ainda mais majestoso.

Por fim, amaldiçoou os filhos para que lhe fossem subservientes a vida inteira. Cada um deles, a partir de então, assumiu a cor da ira (Tartin) e a cor da tristeza (Zultin). E a vileza os consumia dia e noite com o ódio que emanavam mutuamente.

No fim das eras, porém, veio uma enchente que os fez afogar juntamente com seus tesouros e tristezas e ódios e iras. Apagou-se enfim a estrela. E reinou o caos.

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Historinha de criança para adultos…

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