O que eu quero ser quando eu crescer

Já faz um tempo que eu ando pensando na carreira e o impacto que ela tem na minha familia e tudo mais que traz sentido a minha existência. E, apesar de ter um bom emprego (bebeste, foi?), as conclusões são assustadoras…

Não posso reclamar do que atingi até aqui: apesar de relativamente jovem, fiz pós graduação no exterior, estudei em uma universidade federal e tenho um bom emprego, suficiente para pagar um bom apartamento e ter uma vida confortável — mas que infelizmente me faz sentir um macaco treinado. Sim, eu tenho um emprego legal em uma empresa internacional e uma função em que nível superior, inglês e pós são desejados. Mas eu (nós?) não sou muito diferente da muitos… Passo o dia fazendo ligações sobre coisas que não me interessam, preparo materiais que ninguém lê ou fico encontrando respostas para justificar decisões que já foram tomadas… Apesar de parecer complexo, é uma engrenagem simples que você aprende a operar em pouco tempo… Daí basta apertar os botões e alavancas de sempre pra gerar o resultado que ninguem se importa mas que é bom o bastante para justificar o que quer que seu chefe(s) precise… É como se você fosse um macaco e te colocam para colocar a peça do quadrado, bola e triângulo nos lugares certos: você aprende e depois faz mesma coisa repetidamente….

Sou (Somos?!) um macaco que levanta cedo para ficar infinitas horas em um trabalho sem sentido, que consome o tempo que deveria ser dedicado aos meus pais (que só ficam mais velhos), aos meus amigos (que procuro menos do que gostaria), a minha mulher (que tem que aturar o mau humor), a minha saúde (que sofre com o peso ganho no escritório)…. E isso me faz refletir sobre como será a minha vida ao longo dos próximos anos.

Com um pouco de bom senso, não é difícil de montar uma projeção: minha mulher e eu queremos ter filhos e isso deve acontecer no curto prazo — não me entenda mal! Filhos são uma alegria (e eu quero ter vários!) mas também uma despesa crescente. Realisticamente, minha renda média anual não deve subir a uma taxa média superior a 20% ao ano — 10% real, se descontarmos a inflação — mesmo que eu seja bom bagarai. Isso significa que em termos reais, provavelmente eu vou empatar a despesa com filhos com a minha renda futura e permanecer nesta situação por uns 20–25 anos, até que eles cresçam o suficiente. Isso sem precificar a crise econômica atual. No cenário pessimista, eu preciso procurar outro emprego e fica bem pior… No cenário mais otimista, eu chego lá, viro diretor e ganho muito dinheiro trabalhando… mas ainda assim, quanto tempo levaria? 10 anos? 15 anos? E certamente, não seria fácil… teria que trabalhar muito durante esse período… e depois — afinal, seria diretor! Qual seria o custo real nesse caso? Um empenho de 10 ou 15 anos do meu tempo, que seria substraído mais provavelmente da infância dos meus filhos ou velhice dos meus pais. Anos preciosos…

A conclusão que chego é tão perversa que seria um insulto ficar parado. Sinto que preciso agir e preciso construir um caminho que possa, mais do que dinheiro, me devolver o tempo que eu perderei em todo o meu futuro de trabalhador assalariado, escravo da vontade alheia que define promoções, méritos, prioridades só para me manter girando a roda, em um ciclo vicioso que só rouba o meu — cada vez mais precioso — tempo.

Portanto, decidi que era hora de investir em montar um negócio próprio, pequeno e que, ao contrário dos Facebooks da vida, não vai mudar a vida de milhoes de pessoas nem atrair grande investidores. Vai apenas me permitir construir uma máquina geradora de fluxo de caixa tão automatizada quanto possível com a única finalidade de substituir a mim mesmo e fornecer os recursos necessários para a minha subsistência com o mínimo de esforço, me permitindo realocar meu tempo de uma maneira mais eficiente e abrindo caminho para família, saúde e, porque não, projetos desafiadores. Zero glamour e cash out: essa é a meta.

Mas… who f…ing care? Sinceramente, eu não acredito que alguém se importe… Mas eu sinto que deveria escrever, como se alguém estivesse observando. Vou tentar não escrever muito mas escrever com alguma frequência, a fim de criar este hábito saudável que vai me permitir ter alguma sensação de accountability. A ideia é compartilhar as tentativas, erros e aprendizados, na esperança de me fazer refletir sobre as minhas experiências — provavelmente frustradas — e diálogar com outras pessoas que possam me ensinar alguma coisa. Possivelmente vou explorar também algumas reflexões sobre a vida e a forma como vejo o mundo, em particular no que diz respeito a carreira e prioridades.

Eu já sei o que eu quero ser quando crescer. A Jornada do Empreendedor está apenas começando.

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