O Monstro que pintam
Sempre me senti como Prospero, o Rei Mago. Sábio, estrategista, mestre dos elementais, protetor de quem ama e com a poder de perdoar.
Mas a história é contada pelos vencedores desde que se escreveu a primeira história, mas essa não é sobre um mago implacável, nem sobre o resgate de um naufrago, é mais sobre Morpheus, o que nunca saíra de sua ilha, não com vida.
Não tem um jovem Billy Batson que atende o chamado de seu mentor e se torna Shazam! não tem nem um mentor. Não cruza o círculo do Joseph Campbell, nem tem construção de personagem, o personagem só tem uma única função que é na construção de outrem.
E não importa quem esteja dirigindo a peça, contando a história, o monstro coadjuvante será sempre o monstro coadjuvante, o vassalo Caliban. Motivo de chacota, um empecilho na jornada do herói, o mostro a ser derrotado, aquele que nunca vai crescer, nunca terá o prestígio de Prospero, nunca sairá da ilha. E que independente de quem o descreva sempre será pintado como:
O Monstro.
