Relógio

Eu não conheço muitas palavras que possam descrever alguém que se apaixone com facilidade, bobo, romântico, carente talvez…, mas a que se encaixa perfeitamente nesse momento, a palavra mais perfeita para essa situação é: Eu.

Ela está a miseras 3 mesas da minha, não são três quarteirões, vamos lá! Não pode ser tão difícil assim ir lá falar com ela.

Já é a terceira xícara dela. Em hora alguma ela pegou o telefone ou olhou para o Herweg de madeira, que dá um toque retro a esse lugar, para ver as horas, ela não deve estar esperando ninguém.


Finalmente eu tomo coragem e me levanto um pouco desajeitado, mas me levanto e vou em direção a ela.

– Oi.

– Olá!

– Posso me sentar aqui com você?

– Eu não te conheço! — disse ela como alguém que não queria conversa. — Isso é um pouco estranho, não?

– Oh, não pense que eu sou esse tipo de cara que vem até a sua mesa com uma cantada qualquer e pede seu telefone.

– E que tipo de cara você é? — disse ela demonstrando uma faísca de interesse na conversa.

Hesitei por alguns segundos, estava esperando um belo: “vai se foder”.

– Eu só queria que me respondesse algo. Reparei que você em hora alguma olhou para o relógio desde que chegou aqui, por quê?

– Bem, é uma pergunta estranha… acho que só não me preocupo muito com a hora.

– Não é da hora que eu estou falando e sim do relógio, sempre que entro em algum lugar dedico meu tempo a analisar a coisa mais bela do lugar, esse relógio é um Herweg e a sua empresa desde 1952 mantem a tradição de fabricar relógios de madeira talvez por tradição ou algo que eu não sei dizer, ele tem uma história para me contar. Passei um bom tempo pensando sobre o relógio até que você entrou aqui nesse café, não resisti e vim aqui perguntar que história você tem a me contar já que tomou o posto do relógio.

Ela sorriu.