A prostituição através das telas

As mídias sociais vêm transformando radicalmente o mundo da prostituição

Por Ana Lourenço, Luciana Console e Yoanna Stavracas

Há quem defenda que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Ela vai desde a prostituição de luxo até tráfico de pessoas, o que torna um assunto complexo e vai muito além do simples querer fazer sexo em troca de dinheiro.

Através das mídias sociais, muitos prostitutos não precisam sair a bares ou esquinas para buscar clientes, já que podem fazer isso pelo Facebook, por exemplo. Ao migrarem para a internet, não se faz mais necessária também a existência de cafetões e intermediários. Cada um faz sua propaganda pelas redes sociais e se utilizam desses meios para comentar sobre clientes, marcar horários e fazerem seus “cartões de visita”.

Sudhir Venkatesh é um sociólogo da Universidade Columbia que durante 10 anos analisou a prostituição em Nova York. De acordo com sua pesquisa, publicada pela Superinteressante, em 2003, 83% dos casos as garotas de programa encontravam clientes no tradicional “tête-à-tête”: em bares e hotéis, clubes ou agências de prostituição. Em 2008, esse número havia caído para 57%. Já nesta época, em 25% dos casos, as meninas conseguiam clientes por meio do Facebook. Contudo, em 2011, Venkatesh calculou que 83% das profissionais já conseguiam clientes pelo Facebook. Para ele,a rede social se transformará no maior serviço de prostituição online do mundo.

O caso mais famoso do aumento desse novo modo de prostituição na internet brasileira é Bruna Surfistinha, que ficou conhecida graças a um blog que descrevia o dia a dia de seu trabalho. Sua história chegou a virar filme em 2011.

Foto: Divulgação

No livro “No tempo das telas: reconfigurando a comunicação”, de Pollyana Ferrari e Fábio Fernandes, entre os oito personagens cuja vida é mediada pelas telas da modernidade, encontramos Paula. O livro tem como objetivo mostrar como “o uso de aplicativos como Twitter, WhatsApp, Facebook, Instagram e milhares de APPs vem mudando a forma das pessoas se comunicarem e por consequência a Comunicação”.

Paula é uma garota de 23 anos que cursa faculdade de história e é prostituta. Seu trabalho é divulgado em um canal do Youtube, no qual ela tem nome secreto. Além de postar vários vídeos sensuais no canal com sua fantasia de gueixa, Paula adora tirar fotos com seu celular durante seus trajetos por São Paulo.

Fazendo este link da prostituição, resolvemos ir atrás de uma pessoa que fizesse programas. Optamos por ir atrás de um homem e não uma mulher, que é muito mais comum de ser encontrada neste ramo devido à várias questões sociais.

Encontramos Jonathan Miranda, um rapaz de 23 anos que atualmente mora em Madrid e, além dos programas, faz filmes pornô também. Jonathan não faz divulgação igual a personagem Paula, mas utiliza muito os aplicativos de encontros no celular para marcar programas. Através deles, ele conhece pessoas e marca os encontros de

Ele nos conta como começou no ramo:

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