Batman está de volta às telonas

Novo filme do super-herói mostra personagem mais velho e mais amargurado do que nunca

Por Fernanda Gütschow

Foto divulgação “Batman VS Superman: A Origem da Justiça”

Em 24 de março de 2016, Batman VS Superman: A Origem da Justiça estreiou com a maior abertura de todos os tempos no país. O filme arrecadou R$ 12,9 milhões, apenas no dia do lançamento, ultrapassando Harry Potter e as Relíquias da Morte — Parte 2, até então recorde de arrecadação do estúdio Warner Bros. no Brasil.

A magia de Hogwarts voltou às livrarias de todo o mundo com o novo livro e, assim, o vigilante mascarado da editora DC Comics conseguiu espaço nas bilheterias dos cinemas. Harry Potter e Batman, além de recordistas de audiência da Warner, possuem mais uma semelhança. Ambos atingiram a idade “madura”. Potter, no romance mais recente, já está com filhos e preocupações de adulto.

Já o Homem-Morcego, no filme, é retratado como cansado e amargo, muito mais envelhecido que qualquer outro Batman. Também, pudera! O diretor Zack Snyder se inspirou nos quadrinhos O Cavaleiro das Trevas, de 1986, para escrever o personagem, no qual Bruce Wayne tem 55 anos, já está aposentado há dez e decide voltar à ativa por conta do aumento da criminalidade em Gotham City. Frank Miller, escritor dos quadrinhos, o fez atormentado e traumatizado pelo seu passado, utilizando muito de sua inteligência, força e violência para resolver os casos. Além disso, Robin, que nessa HQ é uma mulher, está morta e a mansão Wayne está em ruínas, levando-o ainda mais à depressão.

Ao retratar Batman mais velho e vulnerável, muitos fãs mais jovens, que não tiveram a chance de ler os quadrinhos, estranharam e não hesitaram em criticar o filme. Mas a essência dessa polêmica toda, já plantada por Miller no fim dos anos 80, é a chamada “grim and gritty” (algo como “durão e amargo”, em tradução livre), quando assuntos adultos começaram a ser tratados no mundo dos super-heróis e Batman, por exemplo, passou a não resolver apenas crimes. Ele foi usado para discutir a moralidade de ser herói, colocando em pauta o porquê do uso da violência e a importância de se vestir de vigilante.

As críticas, porém, tiveram embasamento. Yasmina Bellouere, estudante de cinema da Academia de Artes de São Francisco, numerou os motivos pelos quais não gostou do filme. O diretor apresentou um monte de informação, mas não trabalhou em cima de nenhuma; a principal luta entre os dois protagonistas teve menos de dez minutos; mas o que mais a deixou frustrada não foi o envelhecimento do personagem. Foi a falta de moralidade de Batman. “Ele não mata pessoas. Ele quer que até os vilões recebam punições justas e a morte não faz parte disso. A culpa é toda do Snyder por essas críticas negativas!”

A fã acredita que o passar da idade deixa a saga mais interessante. “Estamos acostumados a vê-lo de um jeito e, quando ele está mais velho, é mais legal, porque conhecemos seus novos objetivos”. O físico dele está diferente do que conhecemos e fica mais complicado de exercer o papel que exercia antes. São barreiras que todos nós teremos que quebrar.

“O envelhecimento dele só enriquece a saga. Eu quero saber como ele vai conseguir derrotar aqueles antigos vilões, sendo esse Batman amargurado, mas ‘moralmente correto’ que é”. Os inimigos do cavaleiro das trevas são sempre os mesmos, desde o começo: Coringa, Duas-Caras, Charada e por aí vai.

Mas ele é um personagem atemporal. Podem lançar um gibi daqui um ano, onde Batman está mais jovem e, mesmo assim, a história vai ser empolgante, porque o que importa é o enredo. A vida do bilionário Bruce Wayne atrás de vingança pelo assassinato de seus pais será sempre interessante.