“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” chega ao Brasil em outubro

O envelhecimento do herói da saga é a principal discussão em torno do novo livro

Por Eduardo Gayer e Evelyn Nogueira

Capa do livro “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”

Aos fãs da saga Harry Potter, trazemos uma excelente notícia: a editora Rocco anunciou que “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” chegará às livrarias brasileiras no dia 31 de outubro — pleno dia das bruxas. Em dois volumes, a obra escrita por J.K. Rowling em parceria com Jack Thorne e John Tiffany é o roteiro de uma peça teatral estreada em junho nos palcos de Londres, com uma temática um tanto problemática: o bruxo está velho, em crise de meia-idade, com um filho “aborrecente”.

Lançado no dia 31 de julho na América do Norte, nos dois primeiros dias de venda mais de dois milhões de cópias já tinham sido adquiridas, segundo o site Omelete. O sucesso nos palcos não está diferente: no dia em que a peça estreou no Palace Teathre, na capital britânica, cambistas vendiam ingressos até R$2.500, segundo o jornal Independent. Por lá, só se encontram ingressos para apresentações no final de 2017.

O novo sucesso de vendas traz à tona uma interessante discussão a respeito do envelhecimento dos heróis. Quais seriam os impactos diretos nos leitores que acompanharam a saga assiduamente, durante toda a adolescência, e nesse momento, em que veem si próprios concluindo os estudos universitários e entrando no mercado de trabalho — às vezes sem espaço para eles -, e seu ídolo envelhecimento e pouco potente?

Tentando responder a essa pergunta, o Jornal O Grilo ouviu Luciana Miraldi, psicóloga do Instituto Educacional Coração de Jesus, especializada em desenvolvimento infanto-juvenil. Luciana afirma que “para algumas pessoas, é claro que se trata apenas de um herói fictício e, por isso, a nova imagem de Harry Potter é encarada de maneira tranquila. Mas, para as pessoas que apresentam dificuldade em separar a ficção da realidade e que criam uma imagem forte deste herói, essa nova versão poderá gerar sentimentos de frustração perante a imagem construída. Não podemos generalizar que todos os leitores sentirão o impacto da mesma maneira.”

Para Matheus Henrique, superfã da saga e administrador da página do FacebookHarry Potter — Brasil”, que conta com mais de 525 mil curtidas, não houve muito interesse dos fãs brasileiros pelo novo livro de Rowling. Ainda em sua opinião, isso não se dá necessariamente ao envelhecimento do bruxo, mas porque muitos fãs não tem conhecimento desta nova parte da história, que teve pouca divulgação. Matheus acrescenta: “como fã, eu fico feliz e agradecido pela 8ª história, e vou acompanhar com entusiasmo sempre que tiver algo novo”. Se isso vai enriquecer ou empobrecer o mundo de Harry Potter, o tempo dirá.

Ter que lidar com a mudança de vida de seu herói nem sempre é uma coisa fácil, principalmente quando se tem a literatura para fugir da realidade. Essa cara de realidade que Rowling dará à sua ficção pode, por um lado, frustrar os fãs da saga que inconscientemente não atribuíam a Harry Potter personalidade abatida e impotente. Mas, por outro lado, como nos diz novamente a psicóloga Luciana, “essa reflexão pode ser favorável para que muitos jovens se sintam mais confortáveis ao interpretar que até um herói se sente triste e frustrado, gerando uma identificação positivas para muitos leitores”.

A mudança brusca de enredo na saga de Harry Potter, ainda, pode servir como um pequeno “guia” para aqueles que buscam novas formas de lidar com seu futuro; a total falta de conhecimento dos novos personagens pode ser, mais uma vez, J.K. Rowling nos alertando sobre o que está por vir: a ficção imitará a realidade na constante mudança que é a vida.

J.K. Rowling, autora da saga, no lançamento do livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, em que disse este ser o último livro sobre o bruxo
  • Até o fechamento dessa matéria, a Editora Rocco não demonstrou interesse em conceder entrevista ao Jornal O Grilo.
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