Mescla atemporal

De “Harry Potter” à “Psicose”, uma viagem no tempo

Por Júlia Bulbov

Em meio ao mar de blockbusters difundido pela indústria cinematográfica, são poucos os filmes que realmente deixam sua marca e ficam consagrados pela sua geração. Entretanto, os filmes que conseguem eternizar-se nas telas, tem sua história explorada constantemente, de forma que o mundo dos clássicos fique em evidência pela juventude e que os produtores consigam lucrar com essas “inovadoras” ramificações.

Sequências de filme, remakes, histórias paralelas, livros, jogos e sites compunham o leque da transmídia para a ampliação do enredo de grandes filmes. Porém, com o intuito de ampliar ainda mais a exploração desses universos, os produtores estão ousando ao trazer de volta grandes heróis do cinema com a idade completamente diferente do que até então se era conhecido.

Esse é o caso de Harry Potter, que no mais novo livro de J.K. Rowling, “Harry Potter and The Cursed Child”, aparece com 36 anos em meio a uma crise de meia idade. “É verdade que o “Mundo Mágico de Harry Potter” nunca ficou muito parado (…) mas uma história inédita, completa, longa e fechadinha, com começo, meio e fim, nós não vemos desde 2007. E que viagem no tempo é essa história…” explica Micheli Nunes, blogueira do site JUDÃO, portal que está no ar desde 2000 com notícias culturais.

Ainda nessa onda de reviver personagens marcantes, a A&E (nos EUA) lançou em 2013 uma série baseada no clássico de Alfred Hitchcock, “Psicose”. “Mexer com o legado estabelecido por Hitchcock atraiu atenção mais negativa do que positivamente do público e da crítica.” ressalta Aline Diniz, do grupo Omelete. Diferente do filme, em que Norman Bates aparece lá pelos seus 30 anos, a série optou por uma versão jovem de Norman, com 17 anos, retratando sua juventude e o início de sua vida conturbada.

Antony Perkins em “Psicose” (1960) e Freddie Highmore em “Bates Motel” (2013)

Alessandra Ferreira, escritora do Blog Disassociativo, comenta “Como estudante de psicologia, eu vejo ainda mais riqueza em colocar um contexto às motivações de um personagem que já vemos adulto em obras originais, pois para a Psicologia quanto mais informações temos sobre o histórico de vida de um sujeito, melhor é para que se possa montar uma sucessão progressiva de seu estado mental.”

A produtora de Bates Motel, além de ousar ao apresentar um Norman Bates jovem, ainda nos mostra um cenário bem diferente daquele conhecido em “Psicose”. O filme de Hitchcock se passa por volta de 1960, enquanto que a série dá um salto temporal, mesclando elementos do passado com ferramentas da modernidade.

A equipe “Baters — Bates Motel”, um dos maiores fandons da série, vê essa mudança como algo positivo: “A série trata esse ponto com uma leveza que acaba parecendo natural e de uma sintonia que só vendo para entender, isso faz com que a série traga a essência de ‘Psicose’ à nossa realidade.”