No tempo dos rótulos, uma sociedade de padrões

Por: Alexandra Guida, Leonardo Bianchi e Pedro Suaide

No tempo da pressa e das pressões, achar um ponto fora da curva e fugir para ele é um desafio. E é isso que buscam as personagens Alice e Pedro, quando em suas rotinas, adotam para si formas de escapar dos rótulos que a sociedade moderna impõe, principalmente, sobre os jovens que ainda estão se formando.

No livro “No tempo das Telas”, de Pollyana Ferrari e Fábio Fernandes, publicado em 2014, Alice é uma “típica habitante do século XXI”. A jovem vegetariana é diretora de fotografia e viciada em tecnologia, que não abandona seu Instagram e suas mensagens de #iphone. Acima de tudo, a garota B12, descrita com alguém que precisava de vitaminas para ter mais disposição, era uma fugitiva das etiquetas.

Seu namorado, Pedro, de 31 anos, é publicitário que trabalha como webdesigner em um portal. Descrito como um nômade urbano, o rapaz prefere se apoiar no que vai encontrando no caminho e assim se apoia no #ap que a empresa paga, ao invés de procurar um para alugar.

O alternativo padronizado

Carne? No máximo branca. Uma bicicleta; mas se o salário tiver bom, uma vespa. A roupa é mais solta, as cores vibrantes e a conexão, instantânea. O movimento de comportamento alternativo, como resultado das vertentes de contracultura — principalmente dos anos 60 — na geração Y desenvolveu um padrão, que hoje é o que foge das etiquetas modernas.

O maior acesso à informação, a conexão integral e instantânea e as revoluções tecnológicas trouxeram para essa geração, que teve seu amadurecimento e crescimento diretamente proporcional ao desenvolvimento das tecnologias, um novo olhar.

A pluralidade de informação, onde os papéis de receptor e transmissor se transformam e adaptam, cresceu de forma desordenada, de maneira que, com um acesso muito menos centrado aos tradicionais formadores de opinião foi dado à essa geração mais opções de posicionamento. No entanto, nem sempre com o posicionamento correto.

Alice e Pedro são jovens adultos, frutos da revolução tecnológica e uma personificação de suas consequências. A sociedade está em transformação, tendo em vista que, essas pessoas estão começando a dominar o mercado de trabalho e o cenário político. Segmentos como o de comida orgânica têm ganhado muito mais espaço e aderidos, graças ao acesso à informação que a internet nos proporcionou. Assim, conseguimos entender os métodos de produção de alimentos transgênicos e moldar nosso estilo de vida baseado em pesquisas e decisões conscientes.

O corte das etiquetas: Vegetarianismo

O vegetarianismo, adotado pela personagem Alice, é pouco abordado e cercado de estereótipos e ignorância. Poucos sabem, mas como a nutricionista Nathália Machado explica, não existe só um tipo de vegetariano: “A maior diferença (entre vegetarianos) é em relação a consumir leite e ovo. Você tem o ovolactovegetarianismo, que é quem come os dois, o lactovegetarianismo, que é quem consome somente leite e vegetais, e o vegetariano estrito, que é quem só consome alimentos de origem vegetal”, afirmou.

Outro termo comumente confundido é o “veganismo”, que mistura os princípios do vegetarianismo, restringido à alimentação, com uma política de consumo. Os veganos não utilizam qualquer produto de origem animal.

A Sociedade Vegetariana Brasileira, SVB, que atua desde 2003, defende que existem 5 razões para adotar essa opção alimentar:

1- Ética: Os animais também sentem, e matá-los é a mesma coisa que matar um outro ser vivo, por exemplo.

2- Saúde: Consumir alimentos de origem vegetal tem efeitos positivos na saúde.

3- Meio Ambiente: Segundo a ONU, o setor pecuário é o que mais causa erosão e contaminação de solos. Além disso, é um dos grandes responsáveis pelo desmatamento de florestas e produção de gás carbôno.

4- Sociedade: Para produzir 1 kg de proteína animal é necessário entre 2 e 10 kg de proteína vegetal, um grande desperdício.

Tanto Nathália, como a SVB, concordam que a maior motivação da adoção do vegetarianismo passa pelo lado ético, e outras razões acabam se tornando secundárias, tanto que muitos se convertem já na vida adulta.

“A maioria das pessoas que viram vegetarianas são pelo respeito, por não concordar com a forma como os animais são criados e abatidos, todo esse processo da alimentação”, alegou Nathalia.
Campanha da SVB defendendo o respeito aos animais (Divulgação)

É importante, porém, atentar-se aos cuidados necessários para esse tipo dieta. As carnes ainda são nossas principais fontes de proteína, portanto é necessário repor essas quantidades com alimentos corretos e com acompanhamento nutricional.

Conheça receitas vegetarianas para perder o medo e conhecer uma nova dieta

Muitos jovens, como Augusto Godoy, 19, dizem ter encontrado essa opção através da internet, “o material e a informação, que eu obtive na web, foi fundamental para eu entender melhor. As redes sociais ajudaram também a achar pessoas que compartilham o mesmo pensamento e discutir assuntos relacionados”, defende o estudante.

A alimentação acaba por se tornar uma forma de se livrar de rótulos. Hoje, o acesso à informação “No mundo das telas” permite que cada vez mais jovens e adultos possam optar por novos padrões, criá-los e adaptá-los ao seu gosto, tudo isso com recursos incontáveis.

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