O jovem James Bond de 63 anos

Protagonista da saga de Ian Fleming, o herói 007 confirma a atemporalidade de sua história.

Por Ananda Portela e Marília Maaz

Daniel Craig como James Bond. Fonte: Instagram oficial da série

Desde o lançamento do novo livro do Harry Potter “A criança amaldiçoada”, fãs de diversas séries e blockbusters — filmes que atingiram uma grande popularidade — começam a questionar o envelhecimento de seus próprios heróis. Nessa nova obra de J.K. Rowling, o ex- bruxo de Hogwarts, agora na meia — idade, trabalha no Ministério da Magia e tenta se conectar com o mais jovem de seus três filhos, Alvo.

A partir disso, surge a dúvida dos fãs que cresceram com Harry se esse envelhecimento seria realmente necessário, uma vez que a saga poderia perder qualidade. Porém, alguns especialistas afirmam que, por ser uma história que trata de fantasia, há uma certa preocupação em mostrar a passagem da infância para a vida adulta. Logo, o envelhecimento faz sentido.

Outra saga que segue com uma legião de fãs e que também discute o passar dos anos do personagem é 007. A história de James Bond, um agente que trabalha no serviço secreto britânico MI-6, rendeu mais de 24 filmes. Vivida por seis atores diferentes, de Sean Connery à Daniel Craig, a narrativa trata de um herói atemporal que começou com dilemas da Guerra Fria até questões atuais. Por conta da variedade de artistas, escolher o preferido é uma tarefa difícil para os fãs. Segundo Gustavo Bustos, 51, fã da série desde a infância, Daniel Craig, o galã britânico, foi o que melhor representou o protagonista. Já para Paulo Portela, 52, telespectador assíduo da saga, é impossível escolher só um, e por isso, elenca dois nomes: ‘’Sir Sean Connery e Roger Moore, este pelo toque sarcástico que dava a interpretação e talvez por ter feito os filmes na minha adolescência’’, diz.

Sean Connery no set Fonte: Instagram oficial da série

Quanto ao seu envelhecimento, James Bond vai na contramão do destino designado à Harry Potter. Justamente por ter a imagem de galã invencível, não faria sentido se o escritor, Ian Fleming, envelhecesse o personagem. Sempre em forma e sob risco de vida, Bond só ganharia essa fama se conseguisse manter-se como tal. Para Portela, a ideia de rejuvenescê-lo faria com que mais fãs fossem atraídos para a saga, uma vez que criariam uma certa identificação com o protagonista. Porém, há certas divergências em relação a isso. Segundo Natalia Molena, 20, fã fiel da série, “a mudança do personagem faz com que o 007 seja mais um estilo de vida que pode ser aplicado a qualquer um do que uma identificação direta personagem-ator, como, por exemplo, o Harry Potter”, afirma.

Ian Fleming em casa. Fonte: Instagram oficial da série

Entretanto, interpretar um personagem histórico envolve muita responsabilidade. Além da grande expectativa dos fãs, o ator precisa lidar com a eterna imagem que carregará. Assim como aconteceu com Daniel Radcliff, que ficou marcado como Harry Potter, muitos atores da história de Iam Fleming são somente reconhecidos como o eterno agente 007. Para Molena, as pessoas indiretamente associam a imagem do ator ao personagem, o que não é necessariamente realizado. Já Bustus acha essa associação normal uma vez que ‘’cada ator impõe alguma característica ao personagem’’, diz. ‘’Pierce Brosnan, por exemplo, deixava o 007 mais elegante e sofisticado’’, ressalta.

Pierce Brosnan no set de gravação. Fonte: Instagram oficial da série

Dessa forma, tende a ser difícil fugir do personagem, ainda mais um que marcou gerações. Sendo Harry Potter ou o agente James Bond, o peso da responsabilidade é inevitável e só será quebrado com o apoio dos próprios fãs e dos cocriadores das séries, mesmo que indiretamente. E a expectativa continua alta: ‘’Difícil dizer se o próximo será melhor ou pior, mas uma coisa é certa, se não for cativante, desafiador, cínico, envolvente, e com certa dose de humor, dura no máximo 1 filme!’’, assegura Portela.