Stranger Things e os passos de Harry Potter

Por Yoanna Stavracas

Com mais de 450 milhões de cópias e traduções para 78 línguas, além de mais de US$ 7 bilhões arrecadados na franquia de filmes das bilheterias de todo mundo, J. K. Rowling lançou mais um livro para a famosa série literária do menino bruxo. O roteiro da peça de teatro “Harry Potter and the Cursed Child” (Harry Potter e o filho amaldiçoado, em tradução livre), foi estreado em 31 de julho de 2016 e gerou as mais diversas reações dos fãs.

Jamie Parker (Harry Potter); Photo by Manuel Harlan (Reprodução site oficial)

Na peça, dividida em duas partes, enquanto Harry, 19 anos depois, luta contra um passado que se recusa a ficar no passado, seu filho mais novo, Alvo Potter, precisa lidar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. Enquanto passado e presente começam uma sinistra fusão, pai e filho aprendem uma verdade desconfortável: às vezes a escuridão vem de lugares inesperados, diz a sinopse de “Harry Potter and the Cursed Child”.

A maior parte desses fãs cresceram com Harry, Ron e Hermione e têm grande proximidade com cada um deles. Foram anos aprendendo em diferentes momentos da vida numa relação de muita parceira e igualdade. É isso que se espera da nova série de sucesso da Netflix: “Stranger Things”. A série se passa no ano de 1983 e é altamente tematizada pelos elementos culturais da década, com uma trilha sonora toda remetente aos marcantes sintetizadores da época e inúmeras referências a obras de Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King, considerados as grandes inspirações dos Irmãos Duffer para a realização do projeto.

Alguns fãs confusos de Harry Potter demonstraram insatisfação com o lançamento do livro baseado na peça. Nas redes sociais, leitores que esperavam encontrar um novo livro do bruxo ou talvez até uma oitava parte da sua saga literária descreveram o livro de Cursed Child como “um pedaço de fan fiction”. Além de tal insatisfação, há muitos fãs que também criticam a ideia de haver uma continuação do livro com o crescimento dos personagens.

Com o fim do último filme da saga, o tempo parou para os personagens e eles se tornaram imortais. Esse pulo no envelhecimento deles fez com que aqueles que os acompanhavam desde pequenos perdessem a identificação que tinham e a nova história tornou-se quase vazia para eles. É o que afirma Luana Dias, leitora e fã incondicional da trama: “Assim que eles se casaram e tiveram filhos no último livro, criamos nosso próprio final e eternizamos aquele final feliz (ou não). Mas gerar uma história de todos eles muito mais velhos, até mais velhos de quem os acompanhou desde pequenos, é de um mal gosto sem dimensão! ”.

L-R Norma Dumezweni (Hermione Granger), Jamie Parker (Harry Potter) and Paul Thornley (Ron Weasley); Photo by Manuel Harlan (Reprodução site oficial)

Stranger Things tem perspectiva de acompanhar o crescimento dos personagens, assim como J. K. Rowling fez. Já sabemos que a reação do público a esse tipo de acompanhamento é realmente positiva e que os mais diversos tipos de envelhecimentos repentinos de personagens que nos marcaram não costumar agradar muito, basta esperar para ver o que os irmãos Duffer estão reservando para nós e, com certeza, já tornamos as crianças de série imortalizadas no mundo da ficção.

Para quem ainda não assistiu a nova série da Netflix, vale dar uma espiada no trailer: