Kindle Unlimited… mas nem tanto!
O Netflix dos livros (por enquanto) ficou só na promessa

Já quis parecer provocativo desde o título, porque este post é uma crítica (pura experiência do usuário) ao serviço de streaming de livros da Amazon, o Kindle Unlimited, lançado há quase um ano. O que deveria ser o Netflix dos livros está mais para "biblioteca dos fundos" diante do acervo inexpressivo oferecido aos leitores da plataforma, pela gigante do varejo online.
Esta foi a minha impressão ao testar o serviço via aplicativo Kindle no iPad, que havia chamado a atenção desde o início. E já que o papo é ebook, não custa nada lembrar que a Amazon possui "muiitooo" mais títulos em inglês do que em português, é certo. Mas não esperava desanimar com poucos dias de test drive. Cheguei até a compartilhar minha biblioteca nas redes sociais, com alguns livros que baixei:

Isso a Amazon não deixa claro (apenas nas regras do serviço que pouca gente lê), mas só podem ser mantidos apenas 10 títulos na sua estante virtual do Kindle Unlimited. Um deles na imagem acima (Estrela Brasileira) eu comprei separado. Na verdade é uma biblioteca limitada e contradiz a proposta vendida ao usuário, que esperava acesso a um variado acervo para se fartar de leitura. A única opção para baixar outras obras é devolver o livro à loja. E isso só é possível no site da Amazon, pois não há como fazer pelo aplicativo.
Talvez a intenção foi mesmo deixar o sistema parecido com uma biblioteca física, onde se empresta e devolve livros, mas bastaria na minha opinião, clicar em cima do título e apagar no Kindle mesmo. Simples assim. O fato de ter que sair do app e acessar via web já tira o efeito da mobilidade, remando contra a maré do mundo digital.

Ok, você pode pensar que 10 ebooks para ler a cada vez já é bastante, mas sinceramente, pelo acervo pífio não faz nenhuma diferença. Na versão brasileira até agora são poucos lançamentos, faltam clássicos da literatura e mesmo os best sellers do momento. Claro que tem ebooks interessantes para ler segundo o meu gosto, como "Guia politicamente incorreto da história do mundo", "Google, a Biografia", "A história da segunda guerra mundial" ou a coleção quase completa da Agatha Christie. Nem pense querer muito mais, porque não tem.
Ao contrário da loja americana, onde o acervo é realmente ilimitado, a disputa da Amazon com as editoras brasileiras é grande e não facilita nada o acesso digital à um público alvo ainda novo e crescente que prefere ler ebooks em seus tablets ou smartphones. Como todo serviço streaming, o valor da assinatura mensal é convidativo (R$19,90) com um mês para experimentar de graça.
O produto é interessante e ainda pode melhorar para fortalecer o streaming de ebooks, mas precisa oferecer qualidade em seu cardápio, caso contrário não passa de uma isca para fisgar incautos. Ainda não foi desta vez que a tão prometida e esperada Netflix dos livros decolou. Para quem decidir se aventurar no Kindle Unlimited, vai a dica: é fácil cancelar o período de degustação, antes de cobrarem a primeira parcela no cartão.
É sempre bom saber quando podem estar nos vendendo gato por lebre.
