As tristezas de ser um pensador solitário

Talvez, esse sentimento de incompreensão seja nosso preço a pagar por termos a magia de conseguir pensar em coisas que ninguém mais pensa às 3h da manhã.

Nossa mente mais parece um pequeno animal perdido em meio à um temporal, tentando buscar um lugar seco para que todas essas dúvidas e teorias possam se manter intactas.

A maior vontade sempre foi a de compartilhar. A fome do saber. Ah, a expectativa. “Acabei de pensar algo” você diz animado, espera ansiosamente, dessa vez vai, dessa vez a compreensão virá, a companhia para o café até trará os biscoitos de chocolate e canela. Mas não. Novamente não. Toda a excitação se dissolve na água da chuva, pois o animalzinho não achou um lugar seco para guardar seus preciosos pertences.

Nos nossos momentos mais livres, nem sequer uma alma nos rodeia para que possamos dividir a glória do questionamento, a curiosidade da criança que não morre. São tantas as probabilidades.

“Já parou para pensar”? O que mais dizemos. Pensar é o que mais fazemos. Ah, o playground das possibilidades, diversidades e tudo mais que não é explorado, é claro que achamos que deveríamos explorar, mas qual o prazer de ser um explorador solitário? Carregando as próprias bagagens cheias de indagações.

Sentindo-se sempre incompreendido, um vazio nunca preenchido, o sentimento de solidão que invade, elogios que não convencem. De que adianta o status de inteligente? Pode parecer estranho ou sexy, nada muda o que se passa aqui dentro. Os incontáveis pensamentos que se transformam em monólogos sempre continuarão. A companhia para o café não virá novamente. O que sobra é tristeza de ser um pensador solitário.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.