Rafael, belo texto! Concordo em muito contigo, porém não plenamente.
Acredito que a gramática do ódio nem sempre defenda o “suor burguês”, ela parte de um ponto de vista individualista e confortável do autor (do leitor também), como você disse, mas não necessariamente é utilizada apenas por aqueles que são da alta classe.
Muitas opiniões que leio, são de pessoas que apenas propagam as opiniões que leram — Talvez contribuam para não acabarem descriminados também — e são sempre contra algum lado que não fazem parte: a criminalidade que geralmente é praticada por moradores de periferias, onde o autor do ódio não mora; o governo, quando não é o que escolheu; a corrupção política, pois não participa do rateio. O que falta em toda essa crítica de ódio é, mais uma vez, considerar outros pontos de vista.
Essa retórica, sim, é sútil, calculada e precisa. Mas não é perfeita (nenhuma opinião é), pode ser quebrada quando questionamos seus argumentos (simples assim). Porém esses discursos têm, também, uma voz calorosa e frenética, vinda de pessoas tomadas por seus sentimentos (ódio, indignação, patriotismo, etc) e, quando as interrompemos, apenas desviamos esses sentimentos. A “Gramática do Ódio” não será vencida com retórica, só ficaria mais enfurecida.
Infelizmente não sei como mudar o comportamento das pessoas. Não sei, nem, se essa minha opinião está certa. Mas agradeço por ter se dedicado a esse texto amigo, não vejo muitas opiniões coerentes ultimamente e fico feliz em saber que existem pessoas que também não aceitam, sem questionar, a intolerância e a ignorância — pois não pensar no próximo é ignora-lo. Muito obrigado!