Olá Sr. Escuro

Leia ouvindo: Well I Wonder — The Smiths

Esses dias sonhei que estávamos dirigindo sem rumo por ai, em uma autoestrada dessas de filme americano. Não havia um por que de estarmos ali, apenas eu, você, uns cigarros de cravo e um céu estrelado. Não trocávamos palavras, eu ouvia a sua respiração, você soltava fumaça pela boca e contemplava o nada, que de nada não tinha nada. É maravilhoso o fato de chamarmos o infinito de nada quando há tanto ali pra ser visto. Apesar de ser um sonho eu podia sentir o cheiro do seu perfume, uma fragrância adocicada que se misturava a fumaça criando um cheiro só seu, que eu já disse algumas vezes adorar.

Esses dias acabei decepcionando você, a minha tão longa sina de magoar as pessoas de que eu gosto, desculpe Sr. Escuro. As vezes me perco em um mar de coisas, sentimentos e pessoas. De qualquer forma eu me importo, por isso escrevo. Quer ser o meu farol? Talvez seja pedir muito. Me guie quando as luzes estiverem apagadas, pegue na minha mão em meio a escuridão que as vezes tapa os meus olhos e se for muita responsabilidade não precisa ser guia ou direção, só vamos dirigir juntos por essa autoestrada de infinitos e fumar alguns cigarros.