Só mais um dia

Foi só mais um dia comum na estação central. Horário de pico, milhares de pessoas esperando para entrar nos trens. E, como de costume, após 5 trens que nem pararam na plataforma, um trem vazio parou. Todos sorriram, agradecidos, por aquele pequeno presente.
As primeiras 100 pessoas por vagão entraram tranquilamente, a partir daí os outros entraram empurrando. Os funcionários da Companhia de Transporte da Cidade (CTC), solidários com quem queria embarcar, começaram empurrar as pessoas para dentro dos vagões. Uma criança foi esmagada contra uma das barras de ferro de apoio, a mãe nem percebeu, pois estava gritando com um homem que empurrava uma mochila contra a sua cara.
Os funcionários começaram a empurrar ainda mais pessoas, eles socavam, davam chutes e esmagavam as pessoas com os pés. As portas fecharam. Mal havia ar pra respirar, já passava de dez o número de pessoas com fraturas. 
O trem andou. 
Meio minuto após começar andar soou um aviso.
"Senhores usuários, nós agradecemos por não incentivarem o transporte ilegal. Apenas empresas registradas tem garantia de qualidade nos serviços. Nós trabalhamos para sempre oferecer comodidade e segurança no transporte. Obrigado."
Pouco após o aviso a energia acabou, o trem parou. Algumas pessoas desmaiaram sem ar, pouco depois a energia voltou e o trem seguiu até chegar na próxima estação.
Ao abrir as portas várias pessoas caíram para fora dos vagões, outras saíram normalmente e o ritual para entrar no trem recomeçou.