
Idiotinha
Tem coisa mai importante do que ser o idiotinha do dia
De uns tempos para cá tenho procurando confiar mais nas pessoas de modo geral. Não sei bem o porquê, mas parece ser uma ação necessária para mim, e devo dizer que até agora tem sido uma verdadeira bosta.
A pior parte de confiar nas pessoas, e não digo apenas nas pessoas ao seu redor, de quem é tecnicamente mais fácil, mesmo quando se confia desconfiando. Aqui me refiro às pessoas de modo bem geral, e até agora não tachar algumas pessoas de F*******A é uma tarefa que tem me exigido cada respirada profunda. Tenho procurando ser menos juiz e mais “de boas” com as atitudes alheias, ocasiões, o dia a dia, o universo, os signos e o conjunto todo da obra.
Na prática, isso significa ser mais aberto a outras possibilidades, ou seja, toda vez que alguém vai lá e faz algo ruim comigo eu respiro fundo e digo a mim mesmo “ele não teve a intenção” ou “a intenção não é me ferir, alô, você não é o centro do universo”, ou quando alguma coisa ruim acontece repito para mim mesmo “não sou o único na merda, olha como nada é exclusivamente seu”. Vamos ser generosos, algumas vezes é apenas a ocasião se fazendo, não é intencional mesmo. A gente escorrega uma vez ou outra, o acaso puxa nosso tapete também uma vez ou outros. Merdas acontecem porque a vida é essa coisa desgovernada mesmo. Porém, entretanto, tem vezes que é difícil ver a falta de intenção, e é preciso respirar mais fundo e mais de uma vez para controlar a vontade de olhar para as pessoas e perguntar como ela pode ser tão (um palavrão bem grande aqui) e ainda colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir o sono dos justos.
Eu não conseguiria, e não digo isto porque sou um anjo, mas por que acho que passar a perna em alguém ou prejudicar o outro com intenção real, ferrar mesmo a vida do outro apenas porque você pode é uma tremenda idiotice. Sério, o quê se ganha com isto? Eu juro que tento, mas não consigo imaginar você sentado no barzinho contando como você ferrou seu colega de trabalho pros seus amigos, e a não ser que vocês façam parte de um grupo de supervilões, caso contrário, conceber a ideia de que você tenha amigos é difícil dificílima.
Não me refiro a uma maldadezinha, até porque algumas vezes é necessário e nem é tão maldade assim, ou você não tem a intenção de machucar ninguém, mas aconteceu durante o processo de uma ação. Outras vezes você nem percebeu que iria machucar alguém durante o caminho, e isso é uma merda, contudo ninguém tá livre de meter o pé na jaca de outra pessoa sem querer. O problema de verdade é quando você faz isto de propósito, sabe que vai machucar alguém e enfia o pé com força sem pensar. Quando você acorda e decide que este é o dia em que você vai ferrar com alguém apenas pelo simples e genérico fato de não gostar dessa pessoa, como se todo mundo tivesse a obrigação de fazer tudo para cair nas suas graças.
Recuso-me a acreditar que alguém faça isto, mesmo sabendo que as pessoas realmente fazem. Eu gosto de acreditar que ninguém decide ser o idiota, que sua primeira opção não é ferrar o seu semelhante, e caso, seja este o seu caso, sinto muito lhe dizer, mas você é uma pessoa horrorosa. Pode até ser esse suprassumo todo, mas é horrorosa do mesmo jeito.
Tanta coisa para você ser e você decide ser aquele cuja história de vida vai contar com uma lista de pessoas destruídas no caminho. Uma lista de pessoas que você pisou para subir, jogou no fogueira para queimar. De verdade, o que você ganha com isso além de ser um escroto de quem ninguém vai gostar verdadeiramente? Talvez até alguém goste, mas quem te garante que essa pessoa não está apenas esperando a chance de te jogar no fogo. Você jogador deve conhecer a regra, se uma você não é a pessoa que está enganando é quem está sendo enganando, e boa sorte em superar essa paranoia quando olhar pros lados.
Talvez seja minha veia esperançosa me impedindo de pensar no quanto as pessoas gostam de serem idiotas, de que ninguém escolhe ser o estúpido do dia somente porque deseja movimentar sua existência, seja no trabalho ou num relacionamento. No fundo sei que tem gente até que se vangloria de ser o “eu fiz mesmo”.
Com tantas coisas disponíveis e tantas personalidades e jeitos de se viver por que você escolhe ser o idiota do grupo? Como você acorda e pensa “serei alguém horrível hoje”? O quê você ganha quando destrói a vida dos outros além de satisfação passageira? Um brutality, seja ele verbal ou físico, não torna você uma pessoa melhor vista, apenas afasta de vocês pessoas com boas intenções.
Então, se puder escolher, não seja o idiota, não aja como uma pessoa cruel usando a desculpa de ser verdadeiro, não espalhe boatos que você não conhece, não jogue o colega de trabalho da janela apenas para se alto promover, não perpetue comportamentos que você tem vergonha de admitir na frente das outras pessoas, não seja a pessoa de quem o pessoal do trabalho se senta para desprezar pelos motivos certos.
Ps: De quem senta na mesa com os coleguinhas e fala de você.
