
Desde o final do ano tenho quebrado minha cabeça à beça para descobrir como me manter motivado, como não me sentir desesperado diante do primeiro fracasso ou simplesmente acreditar que 2017 não irá ser uma repetição piorada de 2016.
Antes na minha mente a questão sobre motivação era uma ideia bem simples, fantasiosa até. Bastava você acordar cedo, levantar com o pé direito e trabalhar. Fazer as coisas como se hoje fosse o último dia da sua vida, sempre pensando que o resultado não viria imediatamente, mas hoje ainda assim seria o último dia. Então você levanta com aquele sorriso de quem teve a melhor noite de sono da sua vida e de repente tudo começa a dá certo só porque você decidiu fazer alguma coisa de verdade ao invés de passar mais um dia se enchendo de desculpas.
Obviamente eu não poderia está mais errado.
Nem precisei de muito tempo para perceber isso a partir do momento em que comecei a levar a questão a sério e coloca-la em prática. Percebi ainda mais rápido o quanto é árdua a tarefa de se manter motivado, principalmente quando seus resultados não chegam.
Manter-se motivado quando o resultado vem rápido é tão fácil quanto deslizar em um escorregador, você sobe as escadas e depois é só escorregar. No escorregador você ver suas ações sendo recompensada com rapidez. Você sobe e desce, é divertido.
Quando o resultado não vem tão depressa é como se você tivesse decidido ir no brinquedo mais cobiçado do parque, a fila é grande e espera é quase insuportável, então você acaba se questionando se aquele é o lugar certo para você estar, se vale a pena continuar na fila ou ir nos outros brinquedos seja melhor, embora eles não sejam tão divertidos.
Eu voltei duas casas, e depois voltei mais uma, mas não refiz meus planos, apenas procurei uma forma de me manter motivado, de acreditar que as coisas que estou fazendo estão me deixando mais perto do brinquedo, embora eu ainda não o veja.
Mas vou te contar o quanto foi uma tarefa difícil descobrir um jeito de não sucumbir nos primeiros desafios, de não aceitar as desculpas inventadas depois de um não, de controlar meus pensamentos mais desiludidos sobre tudo estar perdido e a melhor coisa a ser feita seria sair da fila com o rabo entre as pernas.
Esse é o problema em si, lutar contra a sua consciência que exige de você o máximo mesmo quando você está entregando o seu máximo, a luta constante para permanecer animado passa principalmente por sua capacidade de ver que o mundo não está favorecendo ninguém, e nem dando rasteiras em outras pessoas de quem ele não gosta. Sei que às vezes parece que é assim, e tenho certeza que existem pessoas que teriam provas suficientes de que é exatamente assim, mas vou partir da ideia de que não é porque preciso assumir a responsabilidade de me manter em pé por mim mesmo.
Diante dessa responsabilidade eu comecei a procurar na internet coisas que me fizessem continuar motivado mesmo diante dos nãos — mesmo quando vinha dois no mesmo dia — da vida. Comecei a racionalizar minhas reações, parando um pouco as emoções impulsivas. Comecei a pensar no que vou fazer em seguida ao invés de lamentar o dia sem diversão.
Não vou entrar naqueles clichês de que quando uma porta se fecha outras vão se abrir, mas preciso dizer que se as portas não se abrirem você precisa está motivado suficiente para pular a janela caso ela esteja aberta, pois se lhe faltar motivação você vai bater em outras portas até um delas serem abertas para você, e isso pode levar muito tempo. Tempo demais ás vezes. Qualquer coisa pode levar tempo, é verdade, porém a questão aqui é se você tem tempo de sobra para dispensar as janelas abertas.
Porém esse texto só existe para falar da minha dificuldade em me manter firme com minha motivação. O meu maior problemas nunca foram os planos, ou a elaboração deles, o meu grande desafio é continuar firme e esperançoso depois de um não. Sempre que levo um não à primeira coisa que passa pela minha mente é que devo jogar tudo para cima e ir comer, dormir, assistir televisão, qualquer coisa que leve para longe o sentimento da nova rejeição.
Então o que fiz? Qual o meu grande segredo ou nem tão grande segredo assim?
Comecei a me dedicar a ver pessoas que fizeram algo da vida, que foram além de onde elas pensaram que podiam ir, e os resultados chegaram de maneira inesperada. Contudo, não me refiro a grandes personalidades, a pessoas que estão ganhando milhões, embora não veja problema nenhum no mérito delas, mas decidi começar com pessoas mais próximas de mim, aquelas cuja estrada começou há menos tempo e não são meteoros pegando fogo no céu.
Também me ajudou bastante parar de chegar meu Facebook a todo estante ou ver todas as notícias ruins do dia, pois elas apenas me faziam querer evitar o mundo. Comecei a procurar por exemplos e deixei de lado as buscas por fórmulas mágicas. Aprendi que é melhor me manter com os pés no chão e que ninguém vai me fornecer a chave do sucesso, e principalmente que os resultados devem ser conquistados. Podemos até não vê-los agora, mas eles vão está lá desde que você continue seguindo em frente.
Por exemplo, meu plano tem duração de cinco anos, onde nesse tempo irei aprender um novo idioma (alemão, a qual eu já dei inicio), e pretendo iniciar outro no meio do caminho. Em cinco anos completarei 30 anos e até lá quero ter uma vida financeira que me permita sair da casa dos meus pais. Nada de dominar o mundo ou me tornar a próxima criatura mágica dos resultados, ou mesmo ficar multimilionário (embora isso fosse ser extremamente legal).
Motivação é um caminho diário, um pé atrás do outro todos os dias, e às vezes você tropeça em uma pedra que não deveria está ali, mas ao fazer isso, se ajeite e mantenha-se andando, não importa se precisar recomeçar com o pé esquerdo.
