Perfeito, Perfeito, Perfeito

Você é a única pessoa no seu caminho

Nós, como seres humanos, somos seres imperfeitos, constantemente em estado de evolução ou buscando evoluir constantemente, sei que parece a mesma coisa, mas não é. Tentamos alcançar de todos os meios e em quaisquer formas a tão lendária perfeição.

Alguns a procuram em qualquer coisa até, o importante é ser perfeito, pois a perfeição significa que se alcançou o estado máximo. Um lugar onde ninguém pode lhe alcançar, pois duas pessoas não podem ser perfeitas na mesma coisa.

A perfeição é uma coisa solo, e talvez por isso sonhemos tanto em atingi-la. Nosso lugar no pódio máximo, onde ninguém mais pode nos alcançar.

Essa ideia surgiu enquanto eu assistia a Black Swan. Sim, o filme com a Natalie Portman como Rainha dos Cisnes. Sua personagem, Nina, deseja nada além do que ser perfeita em todos os seus movimentos, de acertar todos com precisão e ser tornar perfeita, mesmo ao custo de sua própria sanidade mental.

Seja no trabalho ou na vida amorosa ou na pessoal, principalmente na pessoal, nós tentamos a todo custo sermos cem por cento perfeitos. Tentamos como Nina tenta.

Fazer todas as decisões certas, escolher as palavras corretas, sermos o exemplo de tudo que está certo no mundo. Fazer as pessoas verem o quanto somos perfeitos porque se ninguém vê e comprovar nosso estado de perfeição, de nada adiantará. Ele não existirá.

Às vezes nos transformamos até em robôs sem almas para recebemos o posto daquele que talvez possa alcançar a perfeição, mesmo que no nosso ponto mais profundo, naquele lugar da nossa alma que todos ignoramos pela maior parte da vida, saibamos que ser perfeito é tudo que não queremos para nós, não de verdade. No fundo, até desconfio que essa ideia não passe de um delírio ilusório a qual buscamos algumas vezes.

As pessoas lhe dizem que você é a única pessoa no seu caminho, que você pode se esforçar mais, tentar mais um pouco, e mais um pouco, e mais um pouco, e só mais um pouco e você chegará lá, pois tudo depende de você. E se não conseguir agora, basta se esticar um pouco mais, não importa o quão exausto você esteja. Continue. Nade. Nade. Nade. Nade. Nade. Nade. Nade. A praia está bem próxima.

Perfeito.

Quantos de nós já nos frustramos por esperarmos de nós mesmo além da realidade? Quantas vezes você já exigiu de você mais do que qualquer pessoa pode fazer?

Um monte de vezes provavelmente.

Quase todos os dias nós temos que lidar com a nossa perfeita imperfeição. Temos que aceitar nossa condição de seres que nunca acertarão todos os passos, palavras ou mesmo ações. A gente erra. E erra para caramba.

A ideia de ser perfeito é linda, incrível, estupenda, mas é uma ideia.

E digo mais, essa história de que você é o único em seu caminho é uma tremenda de uma mentira que somos forçados a nos repetir só deus sabe o porquê. Você pode sim ser um problema para você mesmo, mas não pode ignorar os fatores externos a vida inteira. Como pode viver no mundo e esperar que ele não te afete? Que ele não tenha reação a sua vida? E as outras pessoas? Se o mundo tem uma coisa demais são pessoas e elas te afetam sim, mesmo quando você finge que não.

A personagem de Portman leva a decisão de ser perfeita tão longe que começa a enlouquecer e se sentir perseguida, acreditando que alguém está tentando roubar seu lugar. Em uma das falas, bem no começo do filme ainda, o dono da companhia diz que acompanha o trabalho de Nina há quatro anos e vê a sua busca pela perfeição em todos os movimentos, ela responde dizendo que apenas deseja ser perfeita; então ele replica dizendo que ser perfeita não é o bastante.

Entendeu? Ser perfeita(o) não basta.

Temo que essa seja a nossa conclusão quando alcançamos a perfeição; ela não bastará. Porque nós, como espécie humana, não nos contentamos com nada que consigamos alcançar, o desafio está no adiante, na ideia de que podemos mais, portanto, a perfeição permanece sendo apenas o próximo passo nunca alcançado.

A linha nunca cruzada.

O aplauso a ser recebido, um dia.

Um dia.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.