TYLER, THE CREATOR: Representatividade na Moda e Empreendimento
Esse texto foi escrito há um tempo atrás no meu blog com uma visão diferente da música feita: desabafaperainda.blogspot.com.br
Há um tempo, o rapper Tyler, The Creator lançou dois singles de uma vez depois de um tempo sem produzir. Um deles é o que vamos falar aqui. A música se chama “Who Dat Boy?” e ela fala muito sobre o ambiente que se vive atualmente e conversa muito com algumas coisas do álbum 4:44 de Jay-Z.
Analisando de uma forma bem profunda a letra da música e ao vídeo clipe feito (que foi lançado simultaneamente), podemos identificar a representatividade da cultura negra através da “moda” e sobre o que já dissemos no último texto, Ubuntu.
Primeiramente Tyler aparece em um cenário elaborando algo e ao fundo um foto do Leonardo DiCaprio por volta dos anos 90. Então ele começa a fazer um questionamento de quem é esse garoto e que ele tem que ficar de pé, pois não precisa de uma cadeira. Nesse ponto entra uma questão onde estar de pé quer dizer uma pessoa que não tem que se esconder, precisa ficar de pé. Nesse momento sugere que o garoto seria o Tyler de antes de alcançar a visibilidade. Logo após Tyler fala “Onde ele está? Porque eu estou aqui!”, confrontando o eu-lírico antigo dele para mostrar o que ele faz. É aí que o rapper começa a dizer o que faz atualmente.
Tyler desenha e veste suas próprias roupas. Ele é dono da GOLF (marca de roupas bem ao seu estilo), além disso, começa a citar estilos utilizados como Converse, macacão, camisa listrada, etc. T também cita seu álbum anterior e fala que foi e continua sendo épico e não vai parar até que a polícia o cerque. Nessa hora a cena no clipe onde ele tenta se esconder enquanto a polícia passa. Palavras como “estiloso”, “gotejando swag”, entre outras mostram o quanto o estilo é prezado pelo mesmo.
Depois que o refrão entra novamente, A$AP Rocky começa cantando sobre estilo, especificamente dos negros. É aí então que entra outro questionamento, o lifestyle dos negros que tanto é observada, seja por moda ou modo de viver. Carros e acessórios são ditos, modo como são observados e causando irritação. Um fato interessante a se notar é que durante os versos de Rocky ele cita diversas referências de roupas usadas pelos negros, deixando marcante o quanto andar de certo modo é firmar e deixar aquele estilo característico do modo de se viver por parte dos jovens negros.
Nos últimos versos Tyler então intercala com Rocky e então cita o trabalho em que ele empenha além de seus raps, como já dito, a moda. Isso traz um pouco do que já foi falado em um texto anterior sobre a música “The Story of O.J” aqui no blog e também sobre praticamente todo o álbum de Jay-Z. Onde ele diz sobre o empreendimento que deve ser feito por parte dos negros. Tyler fala que “está tentando possuir o planeta com seu próprio negócio”.
Falando sobre a Moda
Tyler e Rocky durante a música inteira falando sobre andar com estilo. Isso mostra um pensamento de diversos jovens negros que, para se sentirem parte do movimento negro precisam se vestir de um “modo estiloso” e isso é característico desse mesmo público como podemos ouvir nos versos de Rocky. Um fator interessante a se notar isso é o verso “Stand out guy, him don’t need no chair” (Destaque cara/Levante cara, ele não precisa de cadeira). Nesse verso como já citado mostra um paralelo de uma pessoa que precisa se mostrar, ser autossuficiente e não ter vergonha. Após alguns versos, no vídeo clipe A$AP faz uma cirurgia plástica em Tyler colocando um rosto caucasiano no mesmo, enquanto a polícia o persegue.
A crítica que fica aí é que de certa forma os acessórios e o modo que os negros têm causam certo incomodo e que isso seria menos problemático se ele fosse branco. Aí entra o Leonardo Di Caprio. No começo do clipe a experiência de Tyler causa danos ao seu rosto, como se ele já estivesse tentando mudar e se tornar algo parecido com o ator. Nos versos finais T diz: “I’m currently lookin’ for ’95 Leo” (Atualmente estou procurando pelo Leo de 95). Di Caprio em 1995 era tido como um exemplo de beleza jovem. Aí seria outra crítica que se aproximar daquela imagem de Leo de 95 amenizaria seus problemas. (Tyler em seu Twitter já mostrou admiração pelo ator).
Falando sobre estética, essa música é um texto sobre o quanto o jovem negro se afirma através de seu estilo. Isso me lembrou um artigo de uma amiga (Adriele Reis) sobre a representatividade dos negros pela moda. O trabalho falou que a moda é um dispositivo determinante para a construção de identidade dos jovens negros. Ela diz também que a maior influência no que diz respeito a moda é o contexto social que esse jovem está inserido e que eles percebem o quanto a moda também influência no julgamento do indivíduo perante a sociedade, principalmente quando se é negro.
Falando sobre Empreendimento:
Exibindo o pensamento de Jay-Z no seu último álbum 4:44. Além de possuir a GOLF, recentemente Tyler virou novo diretor criativo da Converse após anos de parceria com a marca. Nos primeiros versos ele fala sobre desenhar um guarda roupa para quem estiver ouvindo e que ele está “running”, trazendo para um lado mais informal, “no corre”. Isso mostra um cenário crescente atualmente. O empreendedorismo negro vem crescendo e sendo falado em diversos debates e palestras. O termo Ubuntu também aparece neste meio (porém na música de Tyler não é relatado). O que Jay-Z fala em 4:44, Tyler mostra em Who Dat Boy.
