Além de superpoderes

Como sempre, estou atrasada em séries e apenas nesta última semana de setembro comecei a assistir à primeira temporada de Supergirl. E, minha nossa, como me arrependi de não ter visto antes. Afora erros pontuais e o figurino maravilhoso de Kara Danvers, Supergirl me deixa empolgada com as possibilidades que existem para nós, garotas.

Para além de todos os poderes da Supergirl, jogando para longe o que eu ouvia desde criança de que “menina é fraca e menino é forte”, eu fico encantada com Cat Grant. Os discursos dela. Ao que ela se propõe. No mundo real, miss Grant seria facilmente chamada na internet de feminazi, assim como nós. Em sua companhia, Cat tem cerca de 90% dos cargos de chefia preenchidos por mulheres.

Toda essa representatividade que a série me fez sentir, trouxe lembranças de como eu fiquei totalmente encantada com Rey. A Jedi do sétimo episódio de Star Wars despertou em nós a Força.

Essas mulheres me alentam. É bom poder ver que eu poderia estar ali. Eu quero me enxergar como algo mais do que um sidekick. Ou pior, o interesse romântico do herói, que não quer ser só mais uma companhia bonitinha e tenta ajudar, causando ainda mais problemas. Eu quero ser a Velma e resolver o mistério.

Ser uma princesa bailarina super-forte e inteligente. Foto: Fröken Fokus/Pexels

Não me leve a mal. Eu realmente adoro R2-D2 e Cisco. Eu amo bons sidekicks. Como Dory, que deixou esse espaço de secundária e finalmente conquistou o merecido holofote. Mas, vamos sempre ser o plano B? Quantas vezes, na nossa infância, queríamos ver meninas poderosas (te devemos essa, Cartoon Network) nos desenhos animados? Ei, eu assistia à Super Pig. Eu tinha uma heroína. Que só era heroína quando virava um porco. Não como uma menina.

Eu queria ter sentido a empolgação que Supergirl me dá todos os dias, quando chego em casa do trabalho e sento no sofá para assistir, quando eu chegava da escola e rebobinava a fita que gravou Dragon Ball durante a manhã. Eu quero poder pensar numa fantasia legal para o próximo Baile Municipal sem ser algo repetitivo ou genderbend.

Não quero vê-las reduzidas por causa do gênero, como sempre sempre sempre acontece nas discussões acerca de seja lá o que for na cultura pop. Eu quero poder acompanhar personagens boas. Fortes. Meninas. Mulheres.