Depois das ladeiras de frevo, o ônibus do brega

Nunca peguei um ônibus tão divertido. E é até de se estranhar que as pessoas estivessem se tratando com tanta cordialidade. Havia espaço para todos sentarem às 17h da segunda-feira de carnaval. Então, eis que uma menina, mais ou menos da minha idade, puxa o primeiro brega.

Depois de enfrentar as ladeiras, ainda sobra animação para enfrentar o ônibus para casa. Foto: Divulgação/Prefeitura de Olinda

Inicialmente, aquilo trouxe estranhamento. Não estávamos juntos. Não éramos um grupo de amigos. Mas, todo mundo conhece a música e, logo, todo mundo acompanha. Na turma com mais gente, a única grande, com seis pessoas, um dos rapazes levanta e inicia a performance próximo à catraca do cobrador.

A lista de músicas segue. Ninguém realmente conhece as letras novas, então o repertório inclui os mais marcantes. Até houve a tentativa de levar os novos MCs. Mas o pessoal gosta mesmo é do brega antigo. Até o Pica-Pau desmiolado foi resgatado do fundo da memória.

E quando, após o fim de uma letra, se faz o silêncio, nossa instigadora súplica. “Bora, minha gente! Somos várias cabeças. Pensem também!” Todo mundo começa a se ajudar, uma sugestão daqui, outra dali. Somados, somos 15 retornados das ladeiras de Olinda, um pouco cansados, mas ainda animados.

O caminho é longo e a lista de bregas também. Infelizmente, o destino também chega e nossa amizade de dez quilômetros precisou ter fim. A primeira a descer ouve um lamento de um dos nossos novos integrantes da maior banda de brega já vista nos coletivos pernambucanos. “Vai não, pô, fica ai!” Mas descer é preciso.

Duas paradas depois, é a vez do grupo de seis puxar a cordinha. Antes, deixam um recado. “Gente, amanhã é para todo mundo voltar no mesmo ônibus!” Fica a promessa de mais cantoria para outros carnavais.