Gente olímpica
Eu ia escrever um textinho (popularmente conhecido como “textão”) no Facebook, mas decidi que isso valia mais. Muito mais.
Eu amo Copa do Mundo. É divertido, foi ótimo ter em casa e ir ao estádio e à Fan Fest.
Mas Olimpíada tem um diferencial gigantesco. Jogos Olímpicos são sobre gente. Mas gente que eu falo é gente mesmo. Tem o cara superstar com status de mito. A mina com uma mega história de superação. E tem uma galera que vai para competir com o maior espírito olímpico.

Gente. Gente de verdade. Gente como a gente. Gente com menos que a gente. Gente com quem a gente tem que aprender o que realmente significa ser gente.

Apenas agora descobri quem é Eric Moussambani. E Moussambani é sensacional. Eric é um nadador olímpico. Moussambani é gente. A história dele é muito legal de ver. E eu fiquei fascinada. Abismada.
Que eu não sei nadar direito é um fato e informação de domínio público. E aí eu vejo os nadadores e fico abestalhada com o que fazem. Mas nenhum deles ganhou como Moussambani. Moussambani ganhou como gente. Nadou como a gente.
E então, nos Jogos Rio-2016, já vimos nadar Robel Habte. Ovacionado pela torcida. Ele realizou um sonho. Um sonho massa, que tanta gente tem. Ele é campeão porque é gente.

Sabe o cara com status de mito? Ele vem para inspirar gente como a gente. Gente como Frantz Dorsainvil, que é gente como a gente. Que também tem uma história incrível. Ele fez os 100m livre da natação no tempo mais longo. Mas Dorsainvil é gente que merece ter a trajetória mostrada.
E a menina que ajudou a puxar um barco no meio do mar para se salvar e salvar a família? Yusra Mardini é gente que nada em Olimpíada e nadou pela sobrevivência. Tanta história boa. Tanta gente bacana.
Fiji conquistou a primeira medalha da ilha no rúgbi de sete. Com um monte de gente no time. Gente que não é profissional. Que não ganha dinheiro pra jogar. E que conseguiu o ouro. Carcereiros, cortadores de cana e carregadores de mala que agora são gente dourada.

Os congoleses Yolande Bukasa e Popole Misenga, brasileiros adotivos, também são gente que reencontraram a condição de gente. O direito de ser gente. E como é que existe ser que ainda tem coragem de se dizer “gente” que trata gente de verdade desse jeito? Mas, é um consolo que esses dois, gente de verdade, conseguiram sair dessa situação. E ver a história dessa gente contada alenta o coração.
Porque, infelizmente, a gente não pode ajudar todo mundo. Se a gente pudesse, todo mundo teria dignidade de ser gente.
